IR A MONTEVIDEU VER FILMES PROIBIDOS PELA CENSURA: Uma Aventura dos anos 70

Ontem vivi uma experiência das mais deliciosas. A convite do grande jornalista Vieira da Cunha, participei do encontro semanal online deles chamado COONLINE. Reencontrei muitos jornalistas da nata da comunicação riograndense das últimas décadas, como Luiz Claudio Cunha, Márcio Pinheiro, Bete Corbetta, Ricardo “Cadão” Chaves, Hélio Gama, Gera Hasse e outros. Foi um papo maravilhoso sobre direito e jornalismo, censura, redes sociais, fake news e, claro, cinema.

Lembrei das dezenas de excursões rodoviárias de que participei com cinéfilos gaúchos indo de ônibus a Montevidéu ver filmes proibidos pela censura nas décadas de 70 e 80. A gente embarcava em um ônibus (TTL ou Pluna) na sexta-feira à noite na Rodoviária de Porto Alegre (emendando do trabalho) e amanhecia na capital uruguaia.

Íamos para o hotel (tinha que ser barato), normalmente numa das travessas ou ruas paralelas da Avenida 18 de julho. Um banho, um pequeno descanso e no final da manhã já fazíamos um lanche rápido (viva os chivitos) e partíamos para os cinemas.

Em Montevidéu vimos LARANJA MECÂNICA, Z, ÚLTIMO TANGO EM PARIS, A CONFISSÃO, ESTADO DE SÍTIO, UM HOMEM DE SORTE, A COMILANÇA e tantos outros filmes maravilhosos que eram sonegados aos brasileiros em nome da moral e bons costumes. Claro que tinha espaço para os proibidos em razão de cenas de nudez e sexo, como EMANUELLE, HISTORIE D’O e outros do gênero.

A Cinemateca Uruguaya sempre tinha programações encantadoras com filmes europeus top de linha que nunca (ou com grande demora) chegariam aqui. E tinha a Transnoche, uma charmosa sessão da meia noite de sábado, onde os cinéfilos se reuniam, muitas vezes enfrentando o frio do inverno Uruguaio em filas ao ar livre.

Tuio Becker, Goida, Luiz Cezar Cozzatti, Maria Lúcia Fróes, Renato Pedroso Junior, Romeu Grimaldi e muitos outros eram habituées destas excursões cinematográficas. Com sorte, chegávamos a ver cinco ou seis filmes até a tardinha de domingo.

O ônibus de volta era no final da noite de domingo. Segunda-feira cedo, estávamos em Porto Alegre, cansados para ir trabalhar (muitas vezes direto da rodoviária) mas com a alma recompensada pelo talento daqueles cineastas maravilhosos.

Yesterday I had a most delicious experience. Invited by the great journalist Vieira da Cunha, I participated in their weekly online meeting called COONLINE. I met many journalists of the top journalism of Rio Grande’s communication in recent decades, such as Luiz Claudio Cunha, Márcio Pinheiro, Bete Corbetta, Ricardo “Cadão” Chaves, Hélio Gama, Gera Hasse and others. It was a wonderful chat about law and journalism, censorship, social media, fake news and, of course, cinema.

I remembered the dozens of road trips that I participated in with gauchos moviegoers going by bus to Montevideo to watch films banned by censorship in the 70s and 80s. We would board a bus (TTL or Pluna) on Friday night at Porto Alegre bus station (amending the work) and arrive at dawn in the Uruguayan capital.

We went to the hotel (it had to be cheap), usually in one of the lanes or parallel streets of Avenida 18 de July. A bath, a little rest and by the end of the morning we would have a quick snack (long live to the chivitos) and head to the cinemas.

In Montevideo we saw CLOCKWORK ORANGE, Z, LAST TANGO IN PARIS, THE CONFESSION, STATE OF SIEGE, O LUCKY MAN, LA GRAND BOUFFE and so many other wonderful films that were withheld from Brazilians in the name of morals. Of course there was room for those prohibited due to nude and sex scenes, such as EMANUELLE, HISTORIE D’O and others of the genre.

The Cinemateca Uruguaya always had enchanting schedules with top-of-the-line European films that would never (or with a long delay) make it here. And there was Transnoche, a charming Saturday midnight session where moviegoers would gather, often battling the Uruguayan winter cold in outdoor lines.

Tuio Becker, Goida, Luiz Cezar Cozzatti, Maria Lúcia Fróes, Renato Pedroso Junior, Romeu Grimaldi and many others were used to these cinematographic tours. With luck, we even saw five or six movies until Sunday afternoon.

The bus back was late on Sunday night. Early Monday morning, we were in Porto Alegre, tired to go to work (often straight from the bus station) but with our soul rewarded by the talent of those wonderful filmmakers.

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