SAI GIGI, ENTRA A VIOLÊNCIA

O CONVIDADO DE HOJE DO CINEMARCO É O JORNALISTA VIEIRA DA CUNHA.

Tinha 11 ou 12 anos quando fui com meu irmão a mais uma sessão noturna de cinema em Cachoeira do Sul.

Entrávamos de graça todos os dias da semana, com exceção da segunda-feira porque repetia o filme de domingo.

Viramos ratos de cinema graças a uma credencial de acesso fornecida pelo dono do cinema como uma retribuição pela publicidade gratuita da programação que o jornal de nossa família oferecia.

O filme daquela noite vinha antecedido de um sucesso mundial: era Gigi, a comédia musical dirigida por Vincente Minelli.

Na época, devia ser 1960, o filme chegava aos poucos em rolos de fita geralmente no dia mesmo da exibição.

E aconteceu o inesperado: Gigi não chegou e, na emergência, o Cine Teatro Coliseu improvisou programando uma história de gangsters, com direito à violência e às mortes de sempre.

Ao chegarmos para a sessão, o porteiro olhou e disse, epa, hoje vocês não podem entrar porque é proibido para menores de 18.

Ante nossa evidente decepção e uma certa insistência, perguntou nossa idade, e somando meus 11 com os 13 do mano, decidiu: a soma dá 24, que é mais de 18.

Então, podem entrar, sentenciou.

E lá fomos, sem ter a mínima ideia do que veríamos.

O epílogo da história é trágico: pela primeira e única vez em minha vida, abandonei a sala antes do final, tal o nível de violência dos bandidões.

TODAY’S GUEST OF CINEMARCO IS JOURNALIST VIEIRA DA CUNHA.

I was 11 or 12 years old when I went with my brother to another night movie session in Cachoeira do Sul.

We came in for free every day of the week, except for Monday because it repeated the Sunday movie.

We became movie rats thanks to an access pass provided by the cinema owner in return for the free publicity of programming that our family’s newspaper offered.

The film that night was preceded by a worldwide success: it was Gigi, the musical comedy directed by Vincente Minelli.

At the time, it must have been 1960, the movie arrived gradually on film rolls usually on the very day of the screening.

And the unexpected happened: Gigi didn’t arrive and, in the emergency, Cine Teatro Coliseu improvised programming a gangster story, with the right to violence and the usual deaths.

As we got to the session, the doorman looked over and said, hey, you can’t come in today because it’s forbidden for people under 18.

Before our obvious disappointment and a certain insistence, he asked our age, and adding my 11 to my brother’s 13, he decided: the sum is 24, which is more than 18.

Then you both can come in, he sentenced.

And we went, having no idea what we were going to see.

The epilogue of the story is tragic: for the first and only time in my life, I left the theatre before the end, such was the level of violence of the bad guys.

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