JE VOUS SALUE MARIE: Censura Presidencial Absurda Divulga o Filme de Godard

Em 1986, a Velha Dama Indigna (como era conhecida a Censura) voltou a dar o ar da graça.

Eu já disse várias vezes que a censura é como aqueles vilões de filmes de terror Classe B, que parecem ter morrido e volta e meia “ressuscitam” quando menos se espera, dando um susto no espectador.

Em 1986 (embora ainda não tivéssemos a proibição de censura explícita na Constituição de 1988), já não havia filmes proibidos no Brasil. Todos os clássicos (e/ou os eróticos) proibidos durante a Ditadura já circulavam livremente nos cinemas brasileiros.

Foi então que o cineasta Jean Luc Godard – bem ao seu estilo provocador – escreve e dirige um filme intitulado JE VOUS SALUE MARIE.

O filme mostrava uma jovem francesa chamada Marie (ótimo trabalho de Myriem Roussel) que se vê grávida, sem ter feito sexo com qualquer homem.

A inusitada gravidez suscita se ela seria uma nova Virgem Maria, causando problemas dentro e fora do filme.

A Igreja Católica, através do Papa João Paulo II, se manifestou contra o filme. No Brasil, a CNBB pressionou para sua proibição, no que foi acatada pelo Presidente José Sarney que vetou a exibição do filme no Brasil. A proibição durou três anos e meio.

Houve muitas manifestações de entidades e intelectuais contra a proibição.

Imediatamente, surgiram – das mais diversas fontes – cópias legendadas do filme, na época nas fitas de VHS piratas.

Certa noite, consegui acesso a uma destas fitas e fiz uma sessão clandestina na casa de minha mãe, uma pessoa extremamente religiosa. Óbvio que ela não viu o filme.

Reuni cerca de 20 pessoas, a maioria do Clube de Cinema.

Um fato marcante foi que aquela sessão foi a única vez em que o lendário jornalista P.F.Gastal esteve em minha casa.

O filme – que provavelmente passaria despercebido – virou um fenômeno de mídia internacional, em face da proibição.

Como os filmes da última fase da carreira de Godard, JE VOUS SALUE MARIE era bem lento e anti climático. A força de ACOSSADO tinha ficado para trás no cinema de Godard.

In 1986, the Indignified Old Lady (as the Censorship was known) again gave the air of grace.

I’ve said several times that censorship is like those bad villains in Class B horror movies, who seem to have died and every now and then “resurrect” when you least expect it, giving the viewer a scare.

In 1986 (although we still didn’t have the explicit prohibition of censorship in the 1988 Constitution), there were no longer prohibited films in Brazil. All classics (and/or erotic ones) banned during the Dictatorship were already circulating freely in Brazilian cinemas.

It was then that filmmaker Jean Luc Godard -in his provocative style-wrote and directed a film entitled JE VOUS SALUE MARIE.

The film showed a young French woman named Marie (great work by Myriem Roussel) who sees herself pregnant, without having had sex with any man.

The unusual pregnancy raises whether she would be a new Virgin Mary, causing problems both in and out of the film.

The Catholic Church, through Pope John Paul II, spoke out against the film. In Brazil, the CNBB pressed for its ban, which was accepted by President José Sarney, who vetoed the film’s showing in Brazil. The ban lasted three and a half years.

There were many manifestations of entities and intellectuals against the ban.

Immediately, subtitled copies of the film appeared – from the most diverse sources -, at the time on pirated VHS tapes.

One night I got access to one of these tapes and had a clandestine session at the house of my mother, an extremely religious person. Obviously she hasn’t seen the movie.

I gathered about 20 people, mostly from the Cinema Club.

A remarkable fact was that that session was the only time that the legendary journalist P.F.Gastal was in my house.

The film – which would likely go unnoticed – has become an international media phenomenon in the face of the ban.

Like the films from the last phase of Godard’s career, JE VOUS SALUE MARIE was very slow and anti-climactic. The strength of À BOUT DE SOUFFLE had been left behind in Godard’s cinema.

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