THE POWER OF THE DOG: Um Western com Dor, Metáforas, Luvas e Montanhas

A cineasta neo-zelandesa Jane Campion é uma roteirista e diretora diferenciada. Fez até hoje apenas 20 filmes. Não fazia um longa-metragem (dirigiu episódios da série TOP OF THE LAKE) desde 2009. Até hoje é lembrada por sua obra prima, O PIANO (pelo qual ganhou o Oscar de Melhor Roteiro e foi indicada ao de Melhor Diretora).

O PIANO era um filme muito duro e difícil, sobre o relacionamento entre uma mulher abusada e seu algoz, uma narrativa forte, profunda, dolorida, mas repleta de sensualidade.

THE POWER OD THE DOG, em exibição na NETFLIX é um western que narra a vida de dois irmãos donos de um rancho em Montana (que lugar deslumbrante) cujo precário equilíbrio de poder é abalado quando um deles resolve casar e trazer para o rancho a esposa e seu filho afeminado, um estranho e introspectivo estudante de medicina.

O irmão mais forte e bruto, o enigmático Phill Burbank é outra notável criação do ator inglês Benedict Cumberbatch, um dos maiores talentos atuais na arte de representar. De SHERLOCK a DOUTOR ESTRANHO, de FRANKENSTEIN (nos palcos) ao advogado militar de O MAURITÂNIO, ele é sempre perfeito. Em THE POWER OF THE DOG, há várias cenas em que a câmera de Jane Campion fica minutos a fio em um close no rosto de Phill. Como poucos, sem dizer uma só palavra Benedict faz cenas muito importantes para a compreensão do personagem e da trama.

Kirsten Dunst, Jesse Plemons, o australiano Kodi Smit-McPhee (uma brilhante revelação), Genevieve Lemon, Kenneth Radley, Keith Carradine e Frances Convoy fazem um elenco muito acima da média.

O filme usa e abusa de olhares, closes em pequenos objetos e cenas incríveis nos ambientes abertos de Montana, especialmente montanhas nas quais a história busca imagens essenciais.

O filme – como o rancho dos dois irmãos – é muito duro. A castração de um terneiro, em detalhes gráficos, ou a autópsia de um coelho indicam a violência dos relacionamentos entre os personagens. Particularmente interessante é a quantidade de cenas com luvas. Fica fácil ao espectador o que Jane Campion quer dizer com isto.

THE POWER OF THE DOG, certamente não é um filme que todos irão gostar. Ao contrário, é um filme difícil e que exige coragem do espectador. Como era a vida rural em Montana naquela época.

New Zealand filmmaker Jane Campion is a distinguished screenwriter and director. She has made only 20 films to date. She hasn’t made a feature film (directed episodes of the TOP OF THE LAKE series) since 2009. To this day, she is still remembered for her masterpiece, THE PIANO (for which she won the Oscar for Best Screenplay and was nominated for Best Director).

THE PIANO was a very hard and difficult film, about the relationship between an abused woman and her tormentor, a strong, deep, painful narrative, but full of sensuality.

THE POWER OF THE DOG, airing on NETFLIX is a western that chronicles the life of two brothers who own a ranch in Montana (what a stunning place) whose precarious balance of power is shaken when one of them decides to marry and bring her wife and her effeminate son, a strange and introspective med student to live with them.

The strongest and brutish brother, the enigmatic Phil Burbank is another remarkable creation by the English actor Benedict Cumberbatch, one of the greatest talents in the art of acting today. From SHERLOCK to DOCTOR STRANGE, from FRANKENSTEIN (on stage) to the military lawyer in THE MAURITANIAN, he’s always perfect. In THE POWER OF THE DOG, there are several scenes where Jane Campion’s camera spends minutes on end in a close-up of Phil’s face. Like few others, without saying a single word Benedict makes very important scenes for the understanding of the character and the plot.

Kirsten Dunst, Jesse Plemons, Australian Kodi Smit-McPhee (a brilliant revelation), Genevieve Lemon, Kenneth Radley, Keith Carradine and Frances Convoy make a far above-average cast.

The film uses and abuses looks, close-ups of small objects and amazing scenes in the open environments of Montana, especially mountains in which the story seeks essential images.

The movie – like the two brothers’ ranch – is very hard. The castration of a calf, in graphic detail, or the autopsy of a rabbit indicate the violence of the relationships between the characters. Particularly interesting is the amount of scenes with gloves. It is easy for the viewer what Jane Campion means by this.

THE POWER OF THE DOG is certainly not a movie that everyone will enjoy. On the contrary, it is a difficult film that demands courage from the viewer. As the rural life demanded in Montana back then.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.