PAM & TOMMY: Violação de Privacidade Tratada Quase em Tom de Comédia

Assisti ontem os três primeiros capítulos da série PAM & TOMMY, disponível no HULU e no STAR +.

A série conta o episódio do furto e comercialização – nos primórdios da internet (então chamada de Rede Mundial de Computadores) – de uma fita de vídeo contendo as estripulias sexuais da atriz e Playmate Pamela Anderson e seu marido, o baterista da Banda Mötley Crüe, Tommy Lee Jones.

A fita vendeu horrores e foi vista por milhões de pessoas ao redor do mundo, graças a um carpinteiro demitido por Tommy Lee que resolve se vingar expondo o casal e ganhando muito dinheiro.

Vendo estes três primeiros episódios, fiquei com um sentimento ambíguo.

Por um lado, a série tem boa produção, fazendo cuidadosa recriação dos anos 90. O elenco está ótimo, principalmente o trio central composto por Seth Rogen (como Rand, o vingativo ladrão da fita), Lily James (impressionante como Pamela) e Sebastian Stan (o Soldado Invernal da Marvel em desempenho desinibido ao extremo e muito bem caracterizado como o “loucão” Tommy Lee).

O tom farsesco da narrativa – às vezes tangenciando a comédia – certamente foi escolhido propositadamente por seus produtores e diretores. Mas não me soou bem.

Achei a série – ao menos até aqui – muito desrespeitosa com Pamela e Tommy Lee. Acho que cai (ou quase) no velho problema de culpar as vítimas.

Os dois, loucuras a parte, foram vítimas de um crime muito grave. Tiveram sua intimidade violada brutalmente, com uma exposição mundial, por pessoas interessadas em ganhar dinheiro a qualquer custo.

Não vi este ângulo de proteção às vítimas e condenação dos criminosos ou de constatação da gravidade de ocorrido neste início da série. Ao contrário, pelo talento de Seth Rogen, Rand é quase o mocinho da trama. A cena em que Tommy Lee dialoga com seu pênis é indefensável. Nem como comédia.

Outros temas interessantes como a indústria do pornô nos anos 90, o tratamento de Pamela como objeto pelo cinema, o uso irresponsável de dinheiro por celebridades muito ricas, todos passam muito de passagem, pela série.

Já li que os três capítulos seguintes da série, dirigidos por mulheres, repõem as coisas no lugar, dando voz (e alma) à Pamela, deixando de tratá-la como uma pinup caricata e vendo a atriz como uma mulher real, tentando fazer sua carreira, arrasada quando exposta de forma cruel.

De qualquer sorte, PAM & TOMMY deve ser vista. Conta, em detalhes impressionantes, um episódio tão célebre quanto triste de violação de privacidade.

I saw the first three chapters of the PAM & TOMMY, available on HULU and STAR+.

The series tells the episode of the theft and sell – in the early days of the internet (then called the World Wide Web) – of a tape containing the sexual activities of actress and Playmate Pamela Anderson and her husband, the Mötley Crüe’s drummer , Tommy Lee Jones.

The tape sold a lot and was seen by millions of people around the world, thanks to a carpenter fired by Tommy Lee who decides to get revenge by exposing the couple and making a lot of money.

Watching these first three episodes, I was left with an ambiguous feeling.

On the one hand, the series is well produced, carefully recreating the 90s. The cast is great, especially the central trio consisting of Seth Rogen (as Rand, the vengeful tape thief), Lily James (impressive as Pamela ) and Sebastian Stan (Marvel’s Winter Soldier in an uninhibited performance to the extreme and very well characterized as the “crazy” Tommy Lee).

The farcical tone of the narrative – at times bordering on comedy – was certainly deliberately chosen by its producers and directors. But it didn’t sound right.

I found the show – at least so far – to be very disrespectful to Pamela and Tommy Lee. I think it falls (or almost) into the old problem of blaming the victims.

The two of them, madness aside, were victims of a very serious crime. Their privacy was brutally violated, with worldwide exposure, by people interested in making money at any cost.

I didn’t see this angle of protection for victims and condemnation of criminals or the realization of the seriousness of what happened at the beginning of the series. On the contrary, due to the talent of Seth Rogen, Rand is almost the good guy in the plot. The scene where Tommy Lee talks to his penis is indefensible. Not even as a comedy.

Other interesting topics such as the porn industry in the 90s, the treatment of Pamela as an object by cinema, the irresponsible use of money by very wealthy celebrities, all pass a lot in passing through the series.

I’ve read that the next three chapters of the series, directed by women, put things back in place, giving Pamela a voice (and soul), no longer treating her like a cartoon pinup and seeing the actress as a real woman, trying to make her career, devastated when exposed so cruelly.

Anyway, PAM & TOMMY has to be seen. It tells, in impressive detail, an episode as famous as it is sad of violation of privacy.

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