UM IAQUE NA SALA DE AULA

O CONVIDADO DE HOJE DO CINEMARCO É MEU AMIGO E CINÉFILO FLAVIO BALESTRERI.

A FELICIDADE DAS PEQUENAS COISAS, título brasileiro para “Lunana: A Yak in the Classroom”, escrito e dirigido pelo cineasta butanês Pawo Choyning Dorji, fazendo sua estreia na direção, narra um etapa da vida de Ugyen (Sherab Dorji), um jovem professor que vive com sua avó em Timbu, capital do Butão, e sonha em conseguir se mudar para a Austrália para tentar a vida como músico.

Ugyen, que trata sua profissão com bastante desinteresse, participa de um programa do governo, obrigatório por um período, que prega que a educação tem de chegar a todos naquele país, pois todas as crianças têm o direito de aprender.

Ele fica desapontado ao saber que em seu último ano de treinamento será enviado para ensinar em uma escola num dos lugares mais remotos do mundo, situada nas montanhas, em Lunana, uma aldeia de apenas 56 habitantes, no norte do Butão, a 4.800 metros do nível do mar. Uma incrível jornada a partir do ponto de desembarque da van que o leva até a cidade de Gasa, a mais próxima. Uma cansativa caminhada de oito dias até seu destino acompanhado por um guia e um ajudante da aldeia, mas ele  prefere permanecer isolado ouvindo música com seus fones.

Um momento marcante do filme é quando, faltando pouco menos de duas horas para chegar ao destino, o jovem professor é recebido pelos habitantes da aldeia, que vieram lhe dar as boas-vindas, e ele é apresentado ao líder que lhe diz: “Você é nosso professor, desejo que possa dar a essas crianças a educação de que precisam para se tornarem mais do que apenas pastores de iaques ou coletores de fungos”.

A alta altitude e a falta de comodidades – ele se encontra praticamente sem eletricidade ou aquecimento, em uma escola sem janelas ou quadro-negro – fazem o professor querer voltar quase que imediatamente. As crianças da aldeia o acolhem e tentam agradá-lo, mas eles não têm muito tempo – ele deve decidir se fica ou se vai antes que o inverno rigoroso chegue a essa parte glacial do Himalaia.

Aos poucos, ele é conquistado pela simplicidade, gentileza e vontade de aprender dos pequenos e de suas famílias. Apesar de viver na pobreza, à mercê do clima, os homens e mulheres de Lunana compartilham tudo e têm uma música para cada momento.

O ponto principal do longa-metragem de Pawo Choyning Dorji se concentra justamente na forma que o Butão é mostrado. A fotografia do filme é belíssima, com suas belas paisagens, extraídas dos inúmeros planos aberto, e é interessante como o ambiente bucólico entra dentro da rotina do jovem professor – o iaque do título original, que aparece em várias cenas, por exemplo, traz uma naturalidade interessante para dentro da narrativa. O líder da aldeia compara Ugyen a um iaque, pois ele é indispensável para os moradores.

Filmado com câmeras alimentadas por baterias solares devido a falta de energia no local, A FELICIDADE DAS PEQUENAS COISAS é um drama encantador que oferece uma visão de uma parte do mundo raramente vista na tela.

Sua indicação para melhor filme internacional no Oscar 2022 foi uma grata surpresa.

TODAY’S GUEST OF CINEMARCO IS MY FRIEND AND CINEPHILE FLAVIO BALESTRERI.

LUNANA: A YAK IN THE CLASSROOM”, written and directed by Bhutanese filmmaker Pawo Choyning Dorji, making his directorial debut, narrates a stage in the life of Ugyen (Sherab Dorji), a young teacher who lives with his grandmother in Timbu, the capital of Bhutan, and dreams of moving to Australia to try his hand as a musician.

Ugyen, who treats his profession with a lot of disinterest, participates in a government program, mandatory for a period, which preaches that education has to reach everyone in that country, because all children have the right to learn.

He is disappointed to learn that in his final year of training he will be sent to teach at a school in one of the most remote places in the world, nestled in the mountains, in Lunana, a village of just 56 people in northern Bhutan, 4,800 meters from the sea ​​level. An incredible journey from the drop-off point of the van that takes you to the nearest town of Gasa. A grueling eight-day trek to his destination accompanied by a guide and village helper, but he prefers to remain secluded listening to music with his headphones.

A remarkable moment in the film is when, with just under two hours to go, the young teacher is greeted by the villagers, who have come to welcome him, and he is introduced to the leader who says: “You are our teacher, I wish you could give these children the education they need to become more than just yak herders or fungus collectors.”

The high altitude and lack of amenities – he finds himself with virtually no electricity or heat, in a school with no windows or blackboard – makes the teacher want to go back almost immediately. The village children take him in and try to please him, but they don’t have much time – he must decide whether to stay or go before the harsh winter comes to this glacial part of the Himalayas.

Gradually, he is conquered by the simplicity, kindness and willingness to learn from the little ones and their families. Despite living in poverty, at the mercy of the weather, the men and women of Lunana share everything and have a song for every moment.

The main point of Pawo Choyning Dorji’s feature film focuses precisely on the way Bhutan is shown. The film’s photography is beautiful, with its beautiful landscapes, taken from the numerous open shots, and it is interesting how the bucolic environment enters the young teacher’s routine – the yak of the original title, which appears in several scenes, for example, brings a interesting naturalness into the narrative. The village leader compares Ugyen to a yak, as he is indispensable to the villagers.

Filmed with cameras powered by solar batteries due to a power outage at the venue, THE HAPPINESS OF LITTLE THINGS is an enchanting drama that offers a glimpse into a part of the world rarely seen on screen.

Its nomination for best international film at the 2022 Oscars was a pleasant surprise.

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