QUERIDO EVAN HANSEN: Peça da Broadway Chega às Telas, Mas Falha ao Enfocar um Tema Poderoso

É possível fazer um musical da Broadway sobre depressão?

DEAR EVAN HANSEN é exatamente isto. Com roteiro de Steve Levenson e músicas e letras da dupla Benj Passek e Justin Paul, esteve nos palcos de Nova Iorque a partir de 2016. Agora foi levado ao cinema pelo americano Steven Chbosky, diretor dos ótimos WONDER e AS VANTAGENS DE SER INVISÍVEL, dois filmes muito bons.

Evan Hansen é um aluno solitário e deprimido de uma escola americana. Seu psiquiatra lhe dá a tarefa de escrever cartas para ele mesmo dizendo porque deve admirar a vida que leva. Certo dia, ao imprimir uma destas cartas, a folha cai nas mãos de outro aluno problemático: Connor Murphy troca duas palavras com Evan e leva a carta embora.

No dia seguinte, os pais de Connor – entendendo que a carta de Evan era o bilhete de despedida do filho que se matou naquela noite – procuram aquele que seria o melhor amigo do filho morto. Evan aproveita a situação para se fazer de melhor amigo de Connor e adquirir uma popularidade que nunca teve.

O tema do farsante é tão interessante quanto o da gravidade da depressão em adolescentes. Tentam segurar a atenção do espectador. A eles se junta um elenco ótimo que tem Julianne Moore (como a mãe ausente de Evan), Amy Ryan e Danny Pino (como os pais de Connor), a ascendente Kaitlyn Dever (de BOOKSMART e UNBELIEVABLE), Amandla Stenberg (incrível como a líder Alana) e um ótimo Colton Ryan (como Connor Murphy).

Um dos problemas é o protagonista Ben Platt. Seu Evan Hansen está com a idade errada. devia ser um adolescente. Platt tinha 27 anos quando fez o filme. Nunca convence como Evan. Os produtores tentaram recriar o sucesso dele (indicado ao Prêmio Tony) nos palcos da Broadway, desprezando que isto ocorrera em 2017.

Eu gosto de musicais. Não sou dos que se incomodam que, do nada, um personagem saia a cantar uma canção no meio do filme. Mas neste filme em particular, esta situação não funcionou. Terminou sendo uma quebra dramática em meio a cenas fortes sobre depressão e suicídio.

Nunca vi o musical da Broadway. Pelo sucesso que fez (9 indicações ao Tony e seis estatuetas) certamente foi melhor que o filme.

O que poderia ser um belo filme sobre temas tão relevantes terminou sendo quase um musical de auto ajuda. Uma bela oportunidade perdida.

Is it possible to make a Broadway musical about depression and suicide?

DEAR EVAN HANSEN is exactly that. With a script by Steve Levenson and music and lyrics by the duo Benj Passek and Justin Paul, it was on stage in New York from 2016 on. Now it was taken to the cinema by the American Steven Chbosky, director of the great WONDER and THE PERKS OF BEING A WALLFLOWER, two very good movies.

Evan Hansen is a lonely and depressed student at an American high school. His psychiatrist assigns him the task of writing letters to himself saying why he should admire the life he has. One day, while printing one of these letters, the sheet falls into the hands of another troubled student: Connor Murphy exchanges two words with Evan and takes the letter away.

The next day, Connor’s parents – understanding that Evan’s letter was the suicide note from their son who killed himself that night – look for Evan who would be their dead son’s best friend. Evan takes advantage of the situation to make himself best friends with Connor and acquire the popularity in school he never had.

The scammer theme is as interesting as the severity of depression in teenagers. They try to hold the viewer’s attention. They are joined by a great cast that includes Julianne Moore (as Evan’s absent mother), Amy Adams and Danny Pino (as Connor’s parents), rising Kaitlyn Dever (from BOOKSMART and UNBELIEVABLE), Amandla Stenberg (amazing as the student leader Alana) and a great Colton Ryan (as Connor Murphy).

One of the problems is the protagonist Ben Platt. His Evan Hansen is the wrong age. He must have been a teenager. Platt was 27 years old when he made the film. He never convinces like Evan. The producers tried to recreate his (Tony Award-nominated) success on the Broadway stage, dismissing that it was in 2017.

I like musicals. I’m not one of those people who worries that, out of nowhere, a character comes out singing a song in the middle of the movie. But in this particular movie, this situation didn’t work. It ended up being a dramatic break amid strong scenes about depression and suicide.

I’ve never seen the Broadway musical. For the success it was (9 Tony nominations and six statuettes) it was certainly better than the movie.

What could have been a beautiful film on such relevant topics ended up being almost a self-help musical. A beautiful missed opportunity.

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