WEST SIDE STORY: O Olhar Terno e Respeitoso de um Cineasta Genial Sobre uma Obra Prima

Desde que li a primeira notícia de que Steven Spielberg iria refilmar WEST SIDE STORY, passei a me perguntar porque o genial criador de TUBARÃO, INDIANA JONES, E.T., A LISTA DE SCHINDLER tinha resolvido refazer um filme que já era perfeito? O musical feito para o cinema em 1961, pelos cineastas Jerome Robbins e Robert Wise era certamente um dos filmes que menos reclamava uma refilmagem, tamanha sua perfeição.

A história de Romeu e Julieta (escrita por William Shakespeare em 1597, mostrando o amor entre dois jovens que vira tragédia pela intolerância de suas famílias, os Capuletos e os Montagues, inquestionavelmente está entre os textos mais encenados, citados e filmados de todos os tempos. Um clássico que definiu o gênero.

O musical da Broadway baseado na tragédia de Romeu e Julieta estreou em 1957, concebido por Jerome Robbins, com música de Leonard Bernstein e letras de Stephen Sondheim, para o roteiro de Arthur Laurents. Revolucionou os musicais e virou um marco histórico da Broadway. Foi indicado a 6 Prêmios Tony e venceu dois.

O filme de 1961, roteirizado por Ernest Lehman, a partir do livro de Arthur Laurents, com música de Leonard Bernstein, contava a história do amor do jovem americano branco Tony (Richard Beymer) pela porto riquenha Maria (Natalie Wood), em meio às brigas de duas gangs do West Side, os brancos Jets e os latinos Sharks. O líder dos Sharks, Bernardo (George Chakiris), irmão de Maria jamais aceitaria que ela se apaixonasse por um Jet, apesar dos apelos da amada Anita (Rita Moreno), uma fulgurante mulher que vive fazendo costuras para realizar seu sonho de viver na América. O filme foi indicado a 11 Oscars e ganhou 10 estatuetas: Filme, Diretor, Ator Coadjuvante, Atriz Coadjuvante, Fotografia, Direção de Arte, Figurino, Som, Montagem e Trilha Sonora.

Na primeira cena do making of que acompanha o filme na Disney+, Steven Spielberg me respondeu. “Eu queria que os jovens de hoje conhecessem WEST SIDE STORY.” Simples assim. Um cineasta e produtor cultural genial mostrava para os milhões de jovens de hoje (que dificilmente veriam a versão de 1961) uma obra prima do cinema, do teatro e dos musicais.

Fiquei em paz com a nova versão e fui ver o filme de Spielberg.

Há que se tirar da cabeça o filme de 1961. O atual é, ao mesmo tempo, uma homenagem terna e emotiva de um fã apaixonado, e uma atualização incrível da história clássica para os tempos modernos. Não como a delirante versão de Romeo and Juliet, de Baz Luhrmann, de 1996. Spielberg manteve a ação no final dos anos 50, em um bairro marcado pela especulação imobiliária, pelo preconceito racial e pelas brigas de Jets e Sharks.

Entre os talentos que Spielberg trouxe para seu filme estão o roteirista Tony Kushner (do maravilhoso ANGELS IN AMERICA), o diretor de fotografia Janusz Kaminski, o editor Michael Kahn, liderando uma equipe maravilhosa da nata cinematográfica da Hollywood de hoje. Como resultado, o filme é luminoso, colorido, visualmente extasiante, com coreografias e releituras das cenas clássicas de tirar o fôlego. A nova versão foi indicada a 7 Oscars.

O elenco tem seu ponto forte nas atrizes. Ariana DeBose faz uma Anita espetacular, valorizando a personagem. A Maria de Rachel Ziegler sofre com a comparação com a deusa Natalie Wood, mas consegue dar vida à um ícone do amor romântico. A oscarizada Anita de 1961, a atriz Rita Moreno ganhou um papel especialmente escrito para ela por Kushner, Valentina, outro tributo a um elemento essencial do filme clássico. Para mim os protagonistas Tony (Ansel Egort) e Bernardo (David Alvarez) ficaram atrás das meninas. Mas a vida é assim mesmo, não?

Acho que todo mundo deve ver o WEST SIDE STORY de Steven Spielberg. para quem ama o original de Robbins e Wise, tenho certeza de que o novo filme vai trazer memórias afetivas lindas e lágrimas nos olhos pelo tempo decorrido. Para quem não viu o original, recomenda-se ainda mais ver o novo filme. Como você pode não ter conhecido um filme musical perfeito, uma obra clássica do cinema, as músicas geniais de Sondheim e Bernstein? É a chance de suprir esta falha cultural grave.

E, com sua genialidade, Spielberg, além de homenagear todos os responsáveis pelo filme de 1961, propõe reflexões que não podem ser mais atuais. Como alguém pode se julgar superior aos outros, ainda mais pelo tom de sua pele? Como pode o dinheiro ditar a vida das pessoas e seus destinos? Como alguém pode achar que a violência seja solução para algum problema? Por que dois jovens não podem se amar apenas por que suas famílias se acham adversárias ou diferentes?

Incrível, mas Shakespeare, Sondheim/Bernstein/Robbins e Spielberg ainda têm muito a nos ensinar.

Ever since I first read the news that Steven Spielberg was going to remake WEST SIDE STORY, I started asking me why the genius creator of JAWS, INDIANA JONES, E.T., SCHINDLER’S LIST had decided to remake an already perfect movie? The musical made for the cinema in 1961, by filmmakers Jerome Robbins and Robert Wise was certainly one of the films that least demanded a remake, due to its perfection.

The story of Romeo and Juliet (written by William Shakespeare in 1597, showing the love between two young people turned to tragedy by the intolerance of their families, the Capulets and the Montagues, is unquestionably among the most staged, quoted and filmed texts of all time. A classic that defined the genre.

The Broadway musical based on the tragedy of Romeo and Juliet opened in 1957, conceived by Jerome Robbins, with music by Leonard Bernstein and lyrics by Stephen Sondheim, based on a book by Arthur Laurents. It revolutionised musicals and became a Broadway landmark. It was nominated for 6 Tony Awards and won two.

The 1961 film, scripted by Ernest Lehman, based on the book by Arthur Laurents, with music by Leonard Bernstein, the picture told the story of the love story of the young white American, Tony (Richard Beymer) for the Puerto Rican Maria (Natalie Wood), in amid the fights of two West Side gangs, the white Jets and the Latin Sharks. The leader of the Sharks, Bernardo (George Chakiris), Maria’s brother, would never accept her falling in love with a Jet, despite the appeals of his beloved Anita (Rita Moreno), a brilliant woman who lives sewing to fulfill her dream of living in America. The film was nominated for 11 Oscars and won 10 statuettes: Film, Director, Supporting Actor, Supporting Actress, Cinematography, Art Direction, Costumes, Sound, Editing and Soundtrack.

In the first scene of the making of that accompanies the film on Disney+, Steven Spielberg answered me. “I wanted the today youth to know WEST SIDE STORY.” That simple. A brilliant filmmaker and cultural producer wants to show for millions of young people today (who would hardly see the 1961 version) a masterpiece of cinema, stage and musicals.

I was at peace with the new version and went to see Spielberg’s film.

The 1961 film has to be put out of your mind. The current one is both a tender and emotional tribute from a passionate fan, and an incredible update of the classic story for modern times. Not like Baz Luhrmann‘s delirious 1996 version of Romeo and Juliet. Spielberg kept the action going into the late 1950s, in a neighbourhood marked by real estate speculation, racial prejudice, and Jets and Sharks feuds.

Among the talents that Spielberg brought to his film are screenwriter Tony Kushner (of the wonderful ANGELS IN AMERICA), cinematographer Janusz Kaminski, editor Michael Kahn, leading a wonderful team of the cinematographic cream of today’s Hollywood. As a result, the film is luminous, colourful, visually breathtaking, with dynamic and innovative choreographies and reinterpretations of classic scenes. This new version has 7 Academy Awards nominations.

The cast has its strong point in the actresses. Ariana DeBose makes a spectacular Anita, valuing the character. Rachel Ziegler‘s Maria suffers from being compared to the goddess Natalie Wood, but manages to bring an icon of romantic love to life. Oscar-winning 1961 actress Rita Moreno won a role specially written for her by Kushner, Valentina, another tribute to an essential element of the classic film. For me, the protagonists Tony (Ansel Egort) and Bernardo (David Alvarez) were behind the girls. But that’s life, isn’t it?

I think everyone should see Steven Spielberg’s WEST SIDE STORY. For those who love the original by Robbins and Wise, I’m sure the new movie will bring back beautiful affective memories and tears in the eyes for the time that has passed. For those who have not seen the original, it is even more recommended to see the new film. How can you not have known a perfect musical film, a classic work of cinema, the brilliant music of Sondheim and Bernstein? It is the chance to fill this serious cultural gap.

And, with his genius, Spielberg, in addition to paying tribute to all those responsible for the 1961 masterpiece film, proposes reflections that cannot be more current. How can anyone judge themselves superior to others, even more so because of their skin tone? How can money dictate people’s lives and their destinies? How can anyone think that violence is the solution to a problem? Why can’t two young people love each other just because their families think they are adversarial or different?

Amazing, but Shakespeare, Sondheim/Bernstein/Robbins and Spielberg still have a lot to teach us.

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