UM OSCAR MUITO INTERESSANTE

Todo ano leio e escuto que a cerimônia na qual a Academia de Hollywood entrega os Oscars foi monótona. Acho que, por não ter distanciamento crítico, a cada ano eu gosto mais.

Essa de 2022, então, foi cheia de atrativos para um cinéfilo.

A seleção de filmes, ao contrário do que dizem os detratores, era excelente. Havia ótimos filmes para todos os gostos. O movimento de Hollywood rumo à internacionalização e à diversidade garante isto. Não caio neste papo de que todos os bons filmes já foram feitos. DRIVE MY CAR, filme japonês premiado é um trabalho maravilhoso de Ryusuke Hamaguchi.

O trio de atrizes que este foram ancorar a cerimônia foi um achado. Amy Schumer, Vanda Sykes e Regina Hall apareceram na medida certa, fizeram piadas muito boas (ao menos para quem sabe sobre o que elas estão falando), estiveram divertidas (sobretudo na cena em que imitaram cenas de King Richard, Os Olhos de Tammy Faye e Spider Man) e ainda souberam descontrair após o incrível episódio do tapa de Will Smith em Chris Rock.

Houve vários momentos emocionantes.

A premiação de CODA, em especial a do ator coadjuvante Troy Kotsur e a de melhor filme foram muito tocantes. Eu chorei bastante. Ver a luta daquelas pessoas surdo mudas para se integrar na profissão artística é realmente a consagração de CODA. Na minha opinião CODA é um grande filme. Pouco importa que seja de pequeno orçamento e produzido de forma independente. Sua história é muito linda. Tem cenas brilhantes, como a que o pai toca a garganta da filha para “sentir” ela cantando. Acho que vai sim marcar época.

Ver Francis Ford Coppola, Robert de Niro e Al Pacino juntos no palco, marcando os 50 anos de O PODEROSO CHEFÃO foi outro momento inesquecível. O reconhecimento de Hollywood às suas lendas é sempre muito bonito. O Aplauso de pé que os três mereceram foi demais. Como não se emocionar?

Da mesma forma, achei a presença de Liza Minelli, de cadeira de rodas, ao lado de uma reconhecida Lady Gaga, outro momento sublime. Cinquenta anos atrás Liza, fulgurante subia ao palco do Oscar para receber os prêmios por CABARET. A vida e o envelhecimento são realidades duras. Mas o reconhecimento (outro aplauso de pé de toda a plateia) é um dos mais raros e humanos sentimentos. Estava ali, frágil, limitada e doente, uma artista monstruosa, um ícone do cinema. Hollywood sabe, como ninguém, fazer estas homenagens.

Também achei excelente a fala de Kevin Costner, ao entregar o Oscar de Melhor Diretor. O ator contou que sessenta anos atrás, ali perto, viu A CONQUISTA DO OESTE e que aquela sessão, longa e mágica, mudou sua vida. Quem já teve sua vida tocada pelo cinema, sabe da magia inigualável da tela e da sala escura. O testemunho de Costner foi memorável.

O Oscar segue aumentando sua tendência inclusiva e de consagração à diversidade. Em um mundo cheio de violência, censura e moralismos, o cinema cada vez mais funciona como um meio de ampliação do humanismo.

Por isto, o episódio do tapa ficou tão chocante e deslocado. Pouco importa que Chris Rock tenha ultrapassado o limite do bom senso na piada sobre Jada Pinket Smith. Nada justifica o gesto de violência de Will Smith. Quando recebeu seu merecido Oscar de Melhor ator, Smith estava visivelmente constrangido e balbuciou um pedido de desculpa a seus colegas e à Academia. Foi o momento infeliz da premiação. Outra cena que ficará marcada. Vai virar piada na festa do ano que vem.

De modo geral achei a premiação muito boa. Eu preferia Kristen Stewart (achei a Lady Di dela maravilhosamente interpretada) a Tammy Faye de Jessica Chastain. Mas Chastain é uma excelente atriz e está incrível no filme. Podia perfeitamente ser a escolhida.

Jane Campion ganhar o Oscar de Melhor Diretor foi outro momento histórico. Trata-se de uma cineasta excepcional. Depois de O PIANO, fez outro filme incrível, O ATAQUE DOS CÃES. Pouco importa que somente tenha ganho um prêmio: foi um dos cinco principais. Vai ficar marcado.

WEST SIDE STORY deixou sua marca. O prêmio para Arina de Bose e a presença de Rita Moreno foram uma homenagem ao personagem de Anita, um símbolo para todo latino nos Estados Unidos e para os imigrantes em todo o mundo.

DUNA ganhou todos os chamados prêmios técnicos. Fiz questão de ver o filme em uma tela IMAX gigante. É um prodígio da tecnologia. Sua fotografia, som, montagem são primorosos e se tornaram parte essencial do filme. Villeneuve vai seguir sua visão da saga de Frank Herbert. Vem mais DUNA por aí.

ENCANTO mereceu muito o Oscar de animação. Meus dois netinhos (Samuka e Caio) já viram o filme várias vezes e sabem todas as canções. Mas o fato da protagonista ser gordinha e de óculos é outro marco histórico de Hollywood.

Esta foi a 50ª. Cerimônia do Oscar que eu vi. A primeira foi justamente a de Cabaret, em 1972.

Espero ver muitas mais.

Hollywood sempre me encanta.

OS: Fiquei louco para ir ao Museu da Academia. Deve ser demais.  

Every year I read and hear that the ceremony at which the Academy of Hollywood hands out the Oscars was dull. I think that because I don’t have critical distance, every year I like it more.


This one from 2022, then, was full of attractions for a cinephile.


The selection of films, contrary to what detractors say, was excellent. There were great movies for all tastes. Hollywood’s move towards internationalization and diversity guarantees this. I don’t fall for this talk that all good movies have already been made. DRIVE MY CAR, by Ryusuke Hamaguchi is a wonderful Japanese movie and deserved a lot the prize for international picture of the year.


The trio of actresses that this was anchored the ceremony was a find. Amy Schumer, Vanda Sykes and Regina Hall appeared in just the right amount, made very good jokes (at least for those who know what they are talking about), were fun (especially in the scene where they imitated scenes from King Richard, The Eyes of Tammy Faye and Spider Man) and they still knew how to relax after the incredible episode of Will Smith slapping Chris Rock.


There were several touching moments.


The CODA awards, especially supporting actor Troy Kotsur and best picture, were very emotive. I cried a lot. Seeing the struggle of those deaf and dumb people to integrate into the artistic profession is truly the consecration of CODA. In my opinion CODA is a great movie. It doesn’t matter that it’s low-budget and independently produced. Its story is very beautiful. There are brilliant scenes, like the one when the father touches his daughter’s throat to “feel” her singing. I think it will mark a time.


Seeing Francis Ford Coppola, Robert de Niro and Al Pacino together on stage, marking the 50th anniversary of THE GODFATHER was another unforgettable moment. Hollywood’s recognition of its legends is always beautiful. The standing ovation that the three deserved was too much. How not to get emotional?


Likewise, I found the presence of Liza Minelli, in a wheelchair, next to a recognized Lady Gaga, another sublime moment. Fifty years ago Liza, dazzlingly, took the Oscars stage to receive the awards for CABARET. Life and aging are harsh realities. But recognition (another standing ovation from the entire audience) is one of the rarest and most human feelings. She was there, fragile, limited and sick, a monstrous artist, a movie icon. Hollywood knows, like no one else, how to make these tributes.


I also thought Kevin Costner’s speech was excellent, when he delivered the Oscar for Best Director. The actor said that sixty years ago, nearby, he saw HOW THE WEST WAS WON and that that long and magical session changed his life. Anyone who has had their life touched by cinema knows the unparalleled magic of the screen and the dark room. Costner’s testimony was memorable.


The Oscars continue to increase their inclusive trend and dedication to diversity. In a world full of violence, censorship and moralism, cinema increasingly functions as a means of expanding humanism.


That’s why the slap episode was so shocking and out of place. Never mind that Chris Rock crossed the line with common sense in the Jada Pinket Smith joke. Nothing justifies Will Smith’s gesture of violence. When he received his well-deserved Oscar for Best Actor, Smith was visibly embarrassed and mumbled an apology to his colleagues and the Academy. It was the unfortunate moment of the awards. Another scene that will be marked. It’s going to be a joke at next year’s party.


In general, I thought the awards were very good. I preferred Kristen Stewart (I thought her Lady Di was wonderfully played) over Jessica Chastain’s Tammy Faye. But Chastain is a great actress and she looks amazing in the movie. She could very well be the chosen one.


Jane Campion winning the Oscar for Best Director was another historic moment. She is an exceptional filmmaker. After THE PIANO, she made another amazing movie, POWER OF THE DOG. It doesn’t matter that she only won one award: it was one of the top five. It will be marked.

WEST SIDE STORY made its mark. The award for Ariana de Bose and the presence of Rita Moreno are a wonderful eulogy for Anita, the latin people in USA and the immigrants all over the world.


DUNA has won all the so-called technical awards. I insisted on seeing the movie on a giant IMAX screen. It’s a technology prodigy. Its cinematography, sound, editing are exquisite and have become an essential part of the film. Villeneuve will follow his take on the Frank Herbert saga. More DUNE comes around.


ENCANTO deserved the Oscar for animation. My two grandchildren (Samuka and Caio) have seen the movie several times and know all the songs by heart. And the fact that the protagonist is chubby and wears glasses is another historic landmark in Hollywood.

This was the 50th. Oscar ceremony I saw. The first was precisely that of Cabaret, in 1972.

Hope to see many more.

Hollywood always delights me.

OS: I am very anxious to go to the Academy Museum. It must be a fantastic place.

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