LOS ANGELES CIDADE PROIBIDA: As Mazelas da Cidade dos Anjos em Filme Noir Excepcional

Certa vez, um conhecido meu, olhando os DVDs que eu tenho, me perguntou se eu via os filmes mais de uma vez. A pergunta, que soa ofensiva ao cinéfilo convicto, revela um preconceito que incrivelmente algumas pessoas ainda têm. Você indica um filme e o sujeito rebate com um viciado “já vi,” Acho muito pretensioso achar que um única visão de um filme rico como THE GODFATHER você já percebeu toda complexidade do roteiro de Mario Puzzo ou da direção de Francis Coppola, ou mesmo da interpretação de astros como Marlon Brando ou Al Pacino. Já vi o filme umas 50 vezes e ainda há coisas a explorar nele.

Ontem revi, pela vigésima vez, o filme noir L.A. CONFIDENTIAL, que o cineasta Curtis Hanson fez em 1997. Fez meu domingo muito melhor. É um excelente filme. Degustei cada detalhe, do roteiro cheio de histórias, às interpretações de um elenco soberbo, passando por uma direção inspiradíssima. Que filme!

Na década de 50, Los Angeles vive uma guerra para a substituição de um chefão do crime organizado que, à semelhança de Al Capone, foi preso por fraudes fiscais. Seus capangas começam a morrer como moscas e a Polícia tenta, sem resultado, descobrir quem está por trás das mortes.

Neste momento, há um massacre no restaurante THE NIGHT OWL, onde são encontrados dezenas de mortos, inclusive um policial recém aposentado. Qual a realção dos fatos é algi que você somente vai descobrir no extraordinário final do filme.

A galeria de tipos criados por Hanson e Brian Helgeland, no oscarizado roteiro adaptado, baseado em um livro de James Ellroy é impressionante: das prostitutas que fazem cirurgia plástica para se tornarem sósias de atrizes famosas, ao jornalista dono da revista Hush-Hush, que vive de manchetes escandalosas normalmente associadas a sexo e violência, passando pela violência policial, em uma cidade de muito dinheiro, desigualdades, racismo, crime e tentações.

Neste cenário, três policiais vão se confrontar: o violento e idealista Bud White (Russell Crowe em um de seus primeiros trabalhos magníficos), Jack Vincennes (Kevin Spacey, maravilhoso e escorregadio) e Ed Exley (Guy Pearce, como o ambicioso recém saído da academia que mira os postos mais altos.

O elenco tem o melhor trabalho de Kim Basinger (merecidíssimo Oscar como Lynn Bracket), Danny de Vito (maravilhoso como o jornalista Sid Hudgens), James Cromwell, David Strathairn, Ron Rifkin, Matt McCoy, Paul Guilfoyle e Graham Beckel. Amber Smith e Simon Baker (THE MENTALIST) fazem seus primeiros trabalhos na tela.

O filme vai fundo nas mazelas da Cidade dos Anjos. Cada personagem tem seu passado e sua agenda própria. Raramente em favor da cidade.

A extrema violência da maioria das cenas convive com momentos de puro lirismo como quando Bud e Lynn vão ao cinema ver ROMAN HOLIDAY, com Audrey Hepburn e Gregory Peck. Maravilhoso.

O filme teve 9 indicações ao Oscar e mais de 89 prêmios internacionais, inclusive 2 BAFTAs e 1 Globo de Ouro. Parece pouco para a qualidade do filme.

Quem quiser passar duas horas e dezoito minutos vendo cinema da melhor qualidade, (re) veja LOS ANGELES CIDADE PROIBIDA. É um filmaço. Não importa quantas vezes você já tenha visto.

Once, an acquaintance of mine, looking at the DVDs I have, asked me if I watched the movies more than once. The question, which sounds offensive to the serious cinephile, reveals a prejudice that incredibly some people still have. You indicate a movie and the guy replies with an quick “I’ve seen it,” I find it very pretentious to think that a single vision of a rich movie like THE GODFATHER you’ve already realized all the complexity of Mario Puzzo’s script or Francis Coppola’s direction, or even of the interpretation of stars like Marlon Brando or Al Pacino. I’ve seen the movie about 50 times and there are still things to explore in it.

Yesterday I reviewed for the twentieth time, the film noir L.A. CONFIDENTIAL, which filmmaker Curtis Hanson made in 1997. It made my Sunday so much better. It’s an excellent movie. I tasted every detail, from the script full of stories, to the performances of a superb cast, going through an inspired direction. What a movie!

In the 1950s, Los Angeles is in a war to replace an organized crime boss who, like Al Capone, was arrested for tax fraud. His henchmen start to die like flies and the Police try, without result, to find out who is behind the deaths.

Right then, there is a massacre at THE NIGHT OWL restaurant, where dozens of dead are found, including a recently retired police officer. What the reality of the facts is is something you will only discover at the extraordinary end of the film.

The gallery of types created by Hanson and Brian Helgeland, in the Oscar-winning adapted screenplay, based on a book by James Ellroy is very impressive: from prostitutes who undergo plastic surgery to become lookalikes of famous actresses, to the journalist who owns the magazine Hush- Hush, who lives from scandalous headlines usually associated with sex and violence, through police violence, in a city of big money, inequalities, racism, crime and temptations.

In this scenario, three police officers will clash: the violent and idealistic Bud White (Russell Crowe in one of his magnificent early works), Jack Vincennes (Kevin Spacey, wonderful and slippery) and Ed Exley (Guy Pearce, as the ambitious fresh out of the academy aiming for the highest ranks.

The cast has the best work of Kim Basinger (a well-deserved Oscar as Lynn Bracket), Danny de Vito (a wonderful journalist Sid Hudgens), James Cromwell, David Strathairn, Ron Rifkin, Matt McCoy, Paul Guilfoyle and Graham Beckel. Amber Smith e Simon Baker did her first cameos.

The film goes deep into the ills of the City of Angels. Each character has their own past and their own agenda. Rarely in favor of the city.

The extreme violence of most scenes coexists with moments of pure lyricism like when Bud and Lynn go to the movies to see ROMAN HOLIDAY, with Audrey Hepburn and Gregory Peck. Wonderful.

The film had 9 Oscar nominations and over 89 international awards, including 2 BAFTAs and 1 Golden Globe. Seems little for the quality of the film.

If you want to spend two hours and eighteen minutes watching the best quality cinema, (re)see L.A.CONFIDENTIAL. It’s a film. It doesn’t matter how many times you’ve seen it.

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