ANATOMIA DE UM ESCÂNDALO: Nova Série de David E Kelley Para a NETFLIX Inicia Bem Mas Desanda Com Erros Sucessivos do Roteiro

David E, Kelley, um dos mais exitosos produtores de Hollywood, vinha de duas séries excelentes : BIG LITTLE LIES e THE UNDOING. Por isto, as notícias sobre ANATOMIA DE UM ESCÂNDALO geraram tanta expectativa. A decepção ao final da série é absolutamente proporcional.

A trama inicia muito bem. Na Londres da Rainha e dos governos e mídia permanentemente à caça de escândalos (preferencialmente sexuais) dos adversários políticos, um jovem ministro é objeto de manchetes sensacionalistas por ter tido um “affair” com uma funcionária de seu gabinete. O PR do Primeiro Ministro imediatamente entra em ação para diminuir as consequências do desastre.

O foco é a esposa traída, as manifestações públicas do político, o inferno que se torna a vida deles depois do caso vir a público. Para agravar muito o problema, a ex-amante protocola uma acusação de estupro, que teria ocorrido 15 dias depois do término do relacionamento.

O caso é rumoroso e todos se preparam para um julgamento público que pode ter consequências devastadoras.

Até aí, tudo ia bem, ANATOMY OF A SCANDAL seguia direitinho a cartilha e conseguia atrair muito a atenção do espectador. Prometia ser mais um bom drama de tribunal.

Neste ponto dos oito capítulos, o roteirista resolveu que tinha pouco material nas mãos (ou na cabeça) e resolveu inventar. Acrescentou mais duas sub tramas (subplots) fracos, superficiais, cheios de inverossimilhanças que acabaram com a coerência da série.

Não sei dizer qual dos dois foi pior. Ambos foram acréscimos muito ruins a uma história que vinha sendo muito bem narrada. Há frases e diálogos francamente constrangedores (“reconheci você por ser canhota e usar post its coloridos.”).

A série tem um elenco bem interessante: Rupert Friend vive o pomposo e arrogante acusado James Whitehouse. Sienna Miller faz a esposa ultrajada, Sophie Whitehouse. Michelle Dockery interpreta a Promotora kate Woodcroft. Josette Simon é a advogada de defesa Angela Regan. E a atriz Naomi Scott (a Jasmine do live action ALADDIN) faz a vítima acusadora Olivia Litton.

O que, até o capítulo 4 era um bom filme sobre a arrogância da classe dominante inglesa, o frenesi da mídia por escândalos, a fraqueza de convicções dos políticos nesta era de influência das redes sociais, tudo bem desenvolvido, vira um folhetim com ar de novela, abrindo um fosso entre os bons e os ruins.

Curioso que até mesmo o cinismo do PR – que é um dos pontos altos da primeira metade – desaparece na segunda parte, com o personagem ficando sem falas no resto da série.

Uma pena. Poderia ter sido mais um triunfo do mega produtor marido da atriz Michelle Pfeiffer. Virou um fracasso raro em seu currículo. Um escândalo mal feito.

David E, Kelley, one of Hollywood’s most successful producers, came from two excellent series: BIG LITTLE LIES and THE UNDOING. That’s why the news about ANATOMY OF A SCANDAL generated so much anticipation. The disappointment at the end of the series is absolutely proportionate.

The plot starts very well. In the Queen’s London and the governments and media permanently on the hunt for scandals (preferably sexual) from political opponents, a young minister is the subject of a scandal for having had an “affair” with an employee of his cabinet. The Prime Minister’s PR immediately springs into action to lessen the aftermath of the disaster.

The focus is on the betrayed wife, the politician’s public demonstrations, the hell that becomes their lives after the affair goes public. To make the problem much worse, the ex-lover files an accusation of rape, which would have occurred 15 days after the relationship ended.

The case is rumored and everyone is preparing for a public trial that could have devastating consequences.

So far, everything was going well, ANATOMY OF A SCANDAL followed the recipe exactly and managed to attract the viewer’s attention. It promised to be another good courtroom drama.

At this point in the eight chapters, the screenwriter decided that he had little material in his hands (or in his head) and decided to invent it. He added two more weak, superficial subplots full of improbability that ruined the series’ coherence.

I can’t say which one was worse. Both were very bad additions to a story that had been very well told. There are frankly embarrassing phrases and dialogues (“I recognized you for being left-handed and use colored post-its.”).

The series has a very interesting cast: Rupert Friend plays the pompous and arrogant accused James Whitehouse. Sienna Miller plays outraged wife Sophie Whitehouse. Michelle Dockery plays District Attorney Kate Woodcroft. Josette Simon is defense attorney Angela Regan. And actress Naomi Scott (Jasmine from the live action ALADDIN) plays the accusing victim Olivia Litton.

What, until Chapter 4 was a good film about the arrogance of the English ruling class, the media frenzy for scandals, the weakness of politicians’ convictions in this era of social media influence, all well developed, becomes a feuilleton with the air of a soap opera, opening a gap between the good and the bad.

Curious that even the PR cynicism – which is one of the high points of the first half – disappears in the second part, with the character being left speechless for the rest of the series.

A pity. It could have been another triumph for the mega producer husband of actress Michelle Pfeiffer. It became a rare failure on his resume. A poorly scandal.

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