EDUARDO E MÔNICA: Um Filme (Muito) Feliz

Desde 1986, a música EDUARDO E MÔNICA se tornou o maior sucesso de Renato Russo e sua Legião Urbana. A ideia de transformar a canção maravilhosa em um filme era tão desafiadora quanto brilhante. Isto já havia sido feito com outra canção icônica do Legião Urbana, FAROESTE CABOCLO, que em 2013 virou um filme dirigido por René Sampaio (com muito mais altos do que baixos mas que não atingiu o encantamento da música).

EDUARDO E MÓNICA, do mesmo René Sampaio, depois de uma muito exitosa carreira nos cinemas, chegou ao streaming ontem. Está disponível no Oi Play, Now e Vivo Play e poderá ser alugado no Looke, PingPlay, Apple TV+, iTunes e Google Play.

Acho que todas as pessoas que se apaixonaram pela canção de Renato Russo vão ficar absolutamente envolvidos pelo filme. A adaptação cinematográfica captou com uma perfeição incrível o espírito da letra mais do que inspirada da canção.

Dois jovens brasilienses se envolvem romanticamente na década de 80. Ela é uma médica de mente aberta e libertária, apaixonada por artes plásticas, com muitos problemas de relacionamento com a mãe (que força o “enquadramento” dela na medicina). Culta, ela frequenta a vanguarda cultural da juventude de Brasília, participa de protestos e movimentos progressistas, anda de moto e ama ver os filmes da Nouvelle Vague. Ele é um jovem órfão de 16 anos, às vésperas de fazer vestibular de engenharia, circula pela noite com seu melhor amigo por bares e lanchonetes, curte andar de bicicleta e jogar botão com o avô militar aposentado.

Duas pessoas tão diferentes entre si quanto iguais no olhar pelo outro e na vontade de se apaixonar perdidamente por alguém que lhe complete (como feijão com arroz).

O filme constrói esta história de amor de forma magnífica. Utiliza muito bem os personagens coadjuvantes (muito bem compostos por Otávio Augusto, Fabricio Boliveira, Juliana Carneiro da Cunha, Eli Ferreira, Ivan Mendes, Bruna Spínola, Victor Lamoglia, Digão Ribeiro e Luísa Viotti) para centrar seu foco nos dois jovens enamorados.

Gabriel Leone (DOM e VERDADES SECRETAS) faz um Eduardo impressionante. Seu “crescimento” dentro do filme, entre o menino com aparelho nos dentes e o universitário que cobra menos egoísmo da namorada é visível e notável. Proporciona até uma frase do roteiro (inside joke?), quando Mônica, próximo ao final do filme lhe diz “você está diferente”. Um ótimo trabalho.

Mas não há como deixar de reconhecer que a grande luz do filme é Alice Braga. A atriz paulista de 39 anos, que já conta com 44 filmes em sua carreira, entre os quais alguns títulos pesados como CIDADE DE DEUS, EU SOU A LENDA, ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA e ON THE ROAD, faz aqui, arrisco dizer, seu melhor trabalho. Sua Mônica é perfeita. Inteligente, irônica, sensual, agressiva, desaforada, provocativa, ela igualmente consegue expressar com muita arte os momentos de cansaço, fragilidade, dúvida e prostração. Alice magnetiza todas as cenas em que aparece.

Um grande filme também se faz com cenas memoráveis. Destaco ao menos duas que me tiraram o fôlego. Quando Eduardo assume o microfone em uma festa e canta a música “Total Eclipse of the Heart“, para perplexidade geral dos presentes e, em seguida, com um belo gesto do amigo, leva todos a uma alegria única cantando a canção a plenos pulmões é cinematograficamente brilhante. E contagiante. Exemplar.

A segunda é a chegada de Eduardo na exposição das obras de Mônica. “Quem um dia irá dizer” é o resumo de tudo que vai pela cabeça dos dois jovens apaixonados. Um verdadeiro delírio visual muito bem filmado. O espectador se sente dentro de cada obra exposta.

Por sinal, há que se fazer um destaque obrigatório para a trilha sonora do filme. A decisão de não vulgarizar a música EDUARDO E MÔNICA foi perfeita. Aqui e acolá, alguns acordes instrumentais sublinham cenas marcantes. Mas a canção fica “protegida” até a extasiante cena final, outro achado cinematográfico. Realmente dá vontade de levantar e cantar junto.

Não há dúvida de que EDUARDO E MÔNICA é um filme que volta e meia a gente vai querer rever. É daqueles raros filmes que quando a gente vê uma cena, esboça um sorriso de cumplicidade e reconhecimento. Como a imortal canção de Renato Russo, o filme é um ótimo antídoto contra qualquer forma de baixo astral. Escutar (e agora ver) a história do amor de Eduardo e Mônica levanta qualquer um. É um filme (muito) feliz.

Since 1986, the song EDUARDO AND MONICA has become the biggest hit of Renato Russo and his Legiao Urbana. The idea of ​​turning the wonderful song into a movie was as challenging as it was brilliant. This had already been done with another iconic song by Legiao Urbana, BRAZILIAN WESTERN (FAROESTE CABOCLO), which in 2013 became a film directed by René Sampaio (with much more ups than downs but that didn’t reach the enchantment of the song).

EDUARDO AND MONICA, by René Sampaio, after a very successful career in cinemas, arrived on streaming yesterday. It is available on Oi Play, Now and Vivo Play and can be rented on Looke, PingPlay, Apple TV+, iTunes and Google Play.

I think that all the people who fell in love with Renato Russo’s song will be absolutely involved by the film. The film adaptation captured with incredible perfection the spirit of the more than inspired lyrics of the song.

Two young people from Brasilia get romantically involved in the 1980s. She is an open-minded and libertarian physician, passionate about the visual arts, with many problems in her relationship with her mother (which forces her to “frame” her into medicine). Cultured, she frequents the cultural avant-garde of Brasília’s youth, participates in protests and progressive movements, rides a motorcycle and loves to watch Nouvelle Vague films. He is a 16-year-old orphan, on the eve of his engineering entrance exam, he walks through the night with his best friend through bars and cafeterias, enjoys riding his bicycle and playing soccer button games with his retired military grandfather.

Two people as different from each other as they are equal in looking at each other and in their desire to fall madly in love with someone who completes them (like beans and rice).

The film builds this love story magnificently. It uses the supporting characters very well (greatly composed by Otávio Augusto, Fabricio Boliveira, Juliana Carneiro da Cunha, Eli Ferreira, Ivan Mendes, Bruna Spínola, Victor Lamoglia, Digão Ribeiro and Luísa Viotti) to focus on the two young people in love.< /p>

Gabriel Leone (DOM and SECRET TRUTHS) makes an impressive Eduardo. His “growth” within the film, between the boy with braces on his teeth and the college student who demands less selfishness from his girlfriend is visible and remarkable. He even provides a line from the script (inside joke?), when Monica, near the end of the film, tells him “you look different”. A great job.

But there is no way to fail to recognize that the great light of the film is Alice Braga. The 39-year-old actress from Sao Paulo, who already has 44 films in her career, including some important titles such as CITY OF GOD, I AM A LEGEND, BLINDNESS and ON THE ROAD, does, I dare say, her best work here. Her Monica is perfect. Intelligent, ironic, sensual, aggressive, brazen, provocative, she also manages to express with great art the moments of fatigue, fragility, doubt and prostration. Alice magnetizes every scene she appears in.

A great film is also made with memorable scenes. I highlight at least two that took my breath away. When Eduardo takes the microphone at a party and sings the song “Total Eclipse of the Heart”, to the general perplexity of those present and then, with a beautiful gesture from his friend, he takes everyone to a unique joy singing the song at the top of their lungs is cinematically brilliant. It is contagious. 

The second is Eduardo’s arrival at the exhibition of Mônica’s works. “Who will one day say” is the summary of everything that goes through the minds of the two young people in love. A true visual delirium very well filmed. The spectator feels inside each exhibited work.

By the way, the film’s soundtrack must be highlighted. The decision not to expose the music EDUARDO AND MONICA was perfect. Here and there, some instrumental chords underline striking scenes. But the song is “protected” until the ecstatic final scene, another cinematic find. It really makes you want to get up and sing along.

There is no doubt that EDUARDO AND MONICA is a film that we will want to see again and again. It’s one of those rare films that when you see a scene, you get a smile of complicity and recognition. Like Renato Russo’s immortal song, the film is a great antidote to any form of low spirit. Hearing (and now seeing) the love story of Eduardo and Mônica lifts anyone up. It’s a (very) happy movie.

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