OSCAR 2025: Brasil Finalmente Ganha o Oscar que Merece Há Muitos Anos

Como faço habitualmente, eis meus pitacos sobre o Oscar 2025.

Certamente, nada vai se comparar à vitória de AINDA ESTOU AQUI, de Walter Salles, como Melhor Filme Internacional. Prêmio mais do que merecido, para um grandíssimo filme.

O cinema brasileiro namora este Oscar há muitos anos. O próprio Walter, 25 anos atrás bateu na trave como excepcional CENTRAL DO BRASIL. O que dizer do recém falecido Cacá Diegues (omissão imperdoável da seção IN MEMORIAM do Oscar) com CHUVAS DE VERÃO. Ou Hector Babenco, com PIXOTE. Ou muitos outros mais antigos (O PAGADOR DE PROMESSAS, VIDAS SECAS, CIDADE DE DEUS e por aí vai) que marcaram época nos festivais pelo mundo e não ganharam a estatueta dourada? Finalmente o Cinema Brasileiro ganha um Oscar.

Penelope Cruz anunciou o prêmio, recebido com a elegância de sempre por um emocionado Walter Salles. Com ele e Fernandinha, estávamos muito bem representados.

A cerimônia foi muito legal. Conan O’Brien foi discreto (salvo no longo monólogo inicial) e ancorou a festa sem querer ser o principal destaque.

Os números musicais foram ótimos. Amei a homenagem a Michael Wilson e Barbara Broccoli, pelos filmes de 007, introduzida por uma linda Hale Berry. Montagem impecável e músicas em releituras excelentes. James Bond está pronto para a próxima fase.

ANORA foi um merecido vencedor. Sean Baker – ícone do cinema independente americano – fez um filme ao mesmo tempo divertido e dramático. Vamos lembrar que Baker iniciou fazendo filmes com seu celular. Ganhar 5 Oscars foi uma declaração a favor do filme e dos cineastas que trabalham fora dos grandes estúdios. O filme custou 6 milhões de dólares. A média do custo de um filme americano é de 100 milhões de dólares, incluindo os 30 milhões de marketing. ANORA é um ar de novidade e ousadia que merece o reconhecimento.

Ainda sobre Baker. Em um ano que a NETFLIX foi citada tantas vezes por suas produções, a homilia de Baker para as pessoas verem os filmes nas salas de cinema foi emocionante. A nova geração de cinéfilos merece ser formada vendo os filmes nas salas escuras com telas gigantes e som imersivo.

Mikey Madison se saiu muito bem. Acho o Oscar de Melhor Atriz estaria bem melhor com Fernanda Torres, mas neste espírito de alteridades, ficou bem com Madison. Gostei do elogio dela à comunidade das trabalhadoras da indústria do sexo. A profissão mais antiga do mundo continua viva no Oscar.

Melhor ator para Adam Brody foi legal. Não morro de amores por ele, mas é ótimo ator. Especialmente em papeis sofridos. Zoe Saldanha (a evolução dela é impressionante) e Kieran Culkin também foram prêmios óbvios e justos. Kieran já é o irmão mais famoso do Macauley (ESQUECERAM DE MIM).

O BRUTALISTA venceu 3 estatuetas. DUNA 2, WICKED e EMILIA PEREZ ganharam 2 Oscars cada. CONCLAVE (meu favorito) ganhou somente 1 Oscar. A SUBSTÂNCIA pagou por sua ousadia demasiada.

Ainda não vi FLOW, mas uma animação da Letônia, sem diálogos sobre um gatinho preto ganhar é um acontecimento.

Ano após ano, a Cerimônia do Oscar se repete em virtudes e defeitos.

Mas a gente sempre vai ver. Desta vez, o Oscar de AINDA ESTOU AQUI garantiu uma emoção para lá de especial. Vai ficar na memória.

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