O ano era 1970. Porto Alegre tinha muitos cinemas de rua. O Cine Baltimore, na Avenida Osvaldo Aranha era enorme, com cerca de 800 ou 1000 poltronas. Sua tela era gigantesca e curva. Passava filmes no sistema Cinerama, um processo que estendia a imagem horizontalmente, de forma que ela ficava de um tamanho absurdo.

O grande lançamento do ano foi o filme AEROPORTO, de George Seaton, um pioneiro do que seria o género filme desastre. O género, consagrado nesta década reunia uma dezena de atores famosos e colocava os personagens frente a uma catástrofe natural ou um acidente terrível.

Claro que os maus eram punidos e os bons sobreviviam. Com algumas exceções. Para arrancar lagrimas da plateia. Ate os cartazes dos filmes desastre eram iguais com as fotinhos do elenco embaixo.

AEROPORTO era baseado em um best seller do escritor Arthur Hailey que tinha vendido milhões de copias no mundo inteiro e contava a historia de um avião onde um desempregado alcoólatra faz um seguro e resolve detonar uma bomba a bordo.

O elenco tinha Burt Lancaster, Dean Martin, Jean Seberg, Jacqueline Bisset (linda e deslumbrante), Helen Hayes (Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante), Mauren Stapleton, e muitos outros.

Um dos melhores personagens era o técnico de manutenção Joe Patroni, vivido por um veterano George Kennedy. Ele salvava todo mundo com sua inteligência, conhecimento e, principalmente capacidade de nunca desistir.

Vi AEROPORTO mais de vinte vezes.

Ontem o ator George Kennedy morreu.

R.I.P. Mr. Kennedy.