INSTINTO SELVAGEM foi um dos filmes que vi mais vezes na minha vida, embora certamente não esteja, nem de longe, entre os melhores.

Mas em 1992, ano em que foi lançado, a polêmica gerada pela sua história cheia de lacunas e o fascinante personagem de Catherine Tramell, uma escritora bissexual, drogada, rica e com QI muito acima da média, motivaram a multiplicidade de idas ao cinema.

Sharon Stone já tinha feito três ou quarto aparições na tela grande, todas em filmes quase insignificantes, quando o holandês Paul Verhoeven a catapultou para o estrelato, entre outras cenas, na famosa cruzada de pernas em seu interrogatório.

Sexo, drogas e violência, em doses nada homeopáticas em um roteiro muito dinâmico escrito por Joe Eszterhas (o mesmo de FLASHDANCE e O FIO DA SUSPEITA e do ainda mais polêmico SHOWGIRLS).

Já Verhoeven tinha no seu currículo desde filmes arrasadoramente contestadores como O QUARTO HOMEM e LOUCA PAIXAO ate blockbusters como ROBOCOP e O VINGADOR DO FUTURO.

Com INSTINTO SELVAGEM, ele chutou o pau da barraca.

Fez um filme policial dinâmico, erótico, com cenas de sexo ousadíssimas para os padrões de Hollywood, drogas a valer, lesbianismo, crimes bárbaros mostrados em close, personagens psicopatas em profusão mesmo entre os ditos mocinhos, em resumo, tudo que não se vê normalmente em um filme policial padrão.

E, para provocar ainda mais, deixou o final em aberto, ensejando a duvida sobre quem seria o serial killer, espalhando pistas em um e outro sentido, durante todo o filme.

O filme faturou 352 milhões de dólares mundialmente e foi indicado para dois Oscars: montagem e a bela trilha sonora de Jerry Goldsmith.

Depois de INSTINTO SELVAGEM, Sharon Stone ficou para sempre uma estrela e fez alguns ótimos filmes como CASSINO, de Martin Scorsese, RAPIDA E MORTAL, de Sam Raimi e AMANTE A DOMICILIO, de John Turturro e outras bombas, como O ESPECIALISTA, de Luis Llosa e MULHER GATO, de Pitof.

O certo é que em qualquer antologia de cenas dos filmes da década de 90, a cena do interrogatório aparece. Marcou época.

 

 

BASIC INSTINCT was one of the movies I’ve seen more times in my life, although certainly by far it is not among the best.

But in 1992, the year it was released, the controversy generated by his story full of loopholes and the fascinating character of Catherine Tramell, a bisexual writer, drugged, rich and with an IQ well above average, led to a multitude of trips to the cinema.

Sharon Stone had already done three or four appearances on the big screen, all in almost insignificant films, when the Dutch Moviemaker Paul Verhoeven catapulted her to stardom, with among other, the famous cross-legged scene in her interrogation.

Sex, drugs and violence, nothing in homeopathic doses, in a very dynamic script written by Joe Eszterhas (the same of FLASHDANCE and THE JAGGED EDGE and the even more controversial SHOWGIRLS).

Verhoeven had already on his resume devastatingly polemic films like THE FOURTH MAN and TURKISH DELIGTHS and blockbusters like ROBOCOP and TOTAL RECALL.

With BASIC INSTINCT, he broke all the barriers.

Made a dynamic thriller, erotic, with very strong sex scenes for Hollywood standards, drugs, lesbianism, barbaric crimes shown in closeups, psychopathic characters in profusion even among the so-called good guys, everything that you does not normally see in a standard thriller.

And to even further, Verhoeven left the end open, giving rise to doubts about who is the serial killer, spreading clues in either direction throughout the film.

The film grossed 352 million worldwide and was nominated for two Oscars: editing and the beautiful soundtrack by Jerry Goldsmith.

After BASIC INSTINCT, Sharon Stone was forever a star and made some great films like CASINO, by Martin Scorsese, THE QUINCK AND THE DEAD, by Sam Raimi and FADING GIGOLO, by John Turturro and other bombs like THE SPECIALIST, by Luis Llosa and CATWOMAN by Pitof.

The fact is that in any anthology of scenes from the films of the decade of 90, the interrogation scene appears. Remarkable.