Tem certos filmes em que tudo dá certo. Assim como há filmes em que tudo da errado. SILENCIO DOS INOCENTES esta fazendo 25 anos. Lembro perfeitamente da manha em que assisti, em uma sessão do Clube de Cinema, pela primeira vez, SILENCIO DOS INOCENTES. Se uma mosca ousasse voar na sala, faria um barulho enorme, tal era o silencio dos espectadores, nem tão inocentes assim.

O filme de Jonathan Demme sobre uma recruta do FBI, propositadamente escolhida pelo Diretor Jack Crawford (Scott Glenn) para extrair do perigosíssimo Dr. Hannibal Lecter (Anthony Hopkins) dicas sobre como capturar o serial killer Bufalo Bill gerou uma historia policial absolutamente assustadora e cinematograficamente impecável.

A Clarice Starling de Jodie Foster, por todas as suas nuances, sutilezas e complexidades, entrou para a galeria dos grandes personagens do cinema. Jodie Foster já era uma grande atriz antes deste filme, mas a partir daqui ganhou o status de superstar. E um Oscar de Melhor Atriz supermerecido.

Mas o ponto central do filme, claro foi o Canibal de Anthony Hopkins. Oscar de Melhor Ator foi pouco. Um trabalho de antologia. Digno de se ombrear com o Vito Corleone de Marlon Brando. Ou o Charles Forster Kane de Orson Welles. Daqueles que a gente vê um a cada dez ou vinte anos. O trabalho de uma vida. O personagem sai da tela e fica real. Aquele sujeito existe de verdade, tão perfeita foi a criação artística do ator. Anthony Hopkins chegou ao máximo da perfeição. Hannibal Lecter fez historia.

O filme ainda ganhou os Oscars de Melhor Filme, Diretor e Roteiro Adaptado (a  partir da novela de Thomas Harris), sendo o primeiro desde O ESTRANHO NO NINHO, de Milos Forman a ganhar os cinco Oscars principais.

Muito merecido. Trata-se de uma obra prima.

Cada vez que revejo O SILENCIO DOS INOCENTES (e foram muitas vezes), acho o filme melhor. Seus níveis de leitura sobre o ser humano e suas formas de comportamento, relacionamento, egoísmos e paixões, manipulações e sinceridades, tudo foi colocado de uma forma extremamente inteligente, embalado em um filme policial maravilhoso.

Jonathan Demme estava no melhor de seus dias.

25 anos depois, O SILENCIO DOS INOCENTES segue assustando e encantando.

Como a vida.

 

There are certain movies where everything goes right. Just as there are movies in which all the things goes wrong. SILENCE OF THE LAMBS is 25 years old. I remember perfectly the morning we watched SILENCE OF THE LAMBS, at a reunion of the Cinema Club for the first time. If a fly dared to fly in the room it would make a huge noise, such was the silence of the spectators, nor so innocent.

The film of Jonathan Demme about a rookie FBI agente purposely chosen by the Director Jack Crawford (Scott Glenn) to extract from the dangerous Dr. Hannibal Lecter (Anthony Hopkins) tips on how to catch the serial killer Buffalo Bill generated an absolutely frightening police history and cinematically impeccable.

Clarice Starling (Jodie Foster), for all its nuances, subtleties and complexities, joined the gallery of the great characters of the film. Jodie Foster was already a great actress before this film, but from here on, gained superstar status. And an Oscar for Best Actress well deserved.

But the central point of the film, of course, was the cannibal by Anthony Hopkins. Best Actor Oscar was a little prize for him. An anthologic work. Worthy to rub shoulders with the Vito Corleone by Marlon Brando. Or Charles Forster Kane by Orson Welles. Works that we see one every ten or twenty years. The work of a lifetime. The character comes out of the screen and becomes real. That guy is real, so perfect was the artistic creation of the actor. Anthony Hopkins reached the maximum perfection. Hannibal Lecter made history.

The film also won Oscars for Best Picture, Director and Adapted Screenplay (from the Thomas Harris novel), the first since ONE FLEW OVER THE CUCKOO’S NEST, by Milos Forman to win the top five Oscars.

Very well deserved. This is a masterpiece.

Each time I review The Silence of the Lambs (and I see it were often), I think the movie better. Their reading levels of the human being and forms of behavior, relationship, selfishness and passions, manipulations and sincerities, everything was put in an extremely cleverly way, also packaged in a wonderful film thriller.

Jonathan Demme was in the best of his days.

25 years later, The Silence of the Lambs follows startling and delighting.

Like the life.