Dos westerns que são obras primas, um sobre o qual me falta escrever é RASTROS DE ODIO (THE SEARCHERS – 1956), de John Ford, considerado por muitos o maior de todos.

Um veterano da Guerra Civil Americana retorna para ficar no rancho com sua família e descobre que sua sobrinha foi raptada por índios Comanches. Parte, então, para uma jornada de resgate com seu sobrinho.

O sobrinho tem 1/8 de sangue indígena e aos poucos vai percebendo todo ódio que o tio tem de índios e seus descendentes, o que torna a cruzada com final cada vez mais incerto.

John Wayne tem um dos papeis de sua vida, como o ressentido Ethan. Jeffrey Hunter faz um Martin espetacular. E Natalie Wood, então uma jovem adolescente encante a cada cena.

RASTROS DE ODIO, por seu tema e seu protagonista polemico, sempre dividiu opiniões e críticos, mas figurou em muitas listas dos melhores filmes de todos os tempos.

O critico e historiador Glenn Frankell, em seu livro RASTROS DE ODIO: A REALIZAÇÃO DE UMA LENDA AMERICANA, disse que “RASTROS DE ODIO talvez seja o maior filme de Hollywood que pouca gente tenha visto.”

Mas o melhor ensaio que li sobre RASTROS DE ODIO é do cineasta Martin Scorsese, onde ele diz: “Mas a ultima vez que vi RASTROS DE ODIO, o filme me pareceu ainda maior; Em filmes verdadeiramente grandes – aqueles em que as pessoas tem que fazer, aqueles que começam a falar através deles, aqueles que seguem se movendo através de terrenos mais e mais desconfortáveis e incompreensíveis – nada é simples ou facilmente solucionado. Você é deixado com um mistério. Neste caso, o mistério de um homem que gasta 10 anos de sua vida procurando por alguém, atinge seu objetivo, traz ela de volta e então vai embora. Somente um grande artista como John Ford ousaria terminar um filme assim. No seu momento final, RASTROS DE ODIO, subitamente, se torna uma historia de fantasmas. O senso de proposito de Ethan foi preenchido, e como o homem em cujos olhos ele atirou, ele esta destinado a vagar para sempre entre os ventos.”

Vou rever RASTROS DE ODIO pela centésima vez…

 

In the list of Westerns that are masterpieces, one on which I still do not write about is THE SEARCHERS (1956), by John Ford, considered by many the greatest of all.

An American Civil War veteran returns to stay at his family ranch with and discovers that Comanche Indians kidnapped his niece. Then, he goes away to a rescue journey with his nephew.

The nephew has 1/8 Indian blood and is slowly realizes all the hate that the uncle has about Indians and their descendants, which makes the end increasingly uncertain.

John Wayne has one of the roles of his life, as the resentful Ethan. Jeffrey Hunter makes a spectacular Martin. And Natalie Wood, then a young teenager, has each scene better.

THE SEARCHERS for his subject and his controversial protagonist, always divided opinion and critics, but figured in many lists of the best films of all time.

The critic and historian Glenn Frankell in his book The Searchers: conducting AN AMERICAN LEGEND said, “The Searchers is perhaps the greatest Hollywood film that few people have seen.”

But the best essay that I read about THE SEARCHERS is the one written by the filmmaker Martin Scorsese, where he says, “But the last time I saw The Searchers, the picture seemed even greater than ever, and it’s not that the scene had stopped troubling me; in fact, it troubled me on an even deeper level. In truly great films — the ones that people need to make, the ones that start speaking through them, the ones that keep moving into territory that is more and more unfathomable and uncomfortable — nothing’s ever simple or neatly resolved. You’re left with a mystery. In this case, the mystery of a man who spends 10 years of his life searching for someone, realizes his goal, brings her back and then walks away. Only an artist as great as John Ford would dare to end a film on such a note. In its final moment, The Searchers suddenly becomes a ghost story. Ethan’s sense of purpose has been fulfilled, and like the man whose eyes he’s shot out, he’s destined to wander forever between the winds.”

 

I will review The Searchers for the hundredth time …