Desde o seu trailer, EXTRAORDINÁRIO, de Stephen Chbosky (um americano de 30 anos, roteirista de A BELA E A FERA e diretor do ótimo AS VANTAGENS DE SER INVISÍVEL) parecia ser um drama bem padrão sobre um menino com a Sindrome Treacher Collins (que lhe deixou com o rosto deformado) e as dificuldades que ele e a família vão enfrentar quando ele passa a frequentar a escola.

Acho que o cineasta Chbosky e sua equipe venceram o desafio de fazer algo fora do padrão, ao dotar o filme de uma criatividade narrativa absolutamente surpreendente. A escolha dos pontos de vista de vários personagens para narrar a história de Auggie foi um achado supremo.

A opção de tirar peso da narrativa, com um tom fantástico e bem humorado (quase onírico e infantil) foi outra tirada de extrema inteligência.

E a grande sensibilidade em rechear o filme com cenas emocionantes sem qualquer pieguice foi a cereja do bolo.

Tudo isto nas mãos de um elenco para lá de bem escolhido, iniciando por Julia Roberts, impecável como Isabel, uma mãe com  qualidades e defeitos visíveis e compreensíveis, principalmente ao lidar com uma situação como a do filme. Owen Wilson(que nunca foi mais do que um bom comediante) fica na dele sem comprometer. O menino Jacob Trembley(protagonista em O QUARTO DE JACK) mostra mais uma vez que terá uma longa e brilhante carreira, mesmo debaixo de pesada maquiagem. E um grupo encantador de coadjuvantes, liderado pela irmã Via(Isabela Vidovic ótima), o Diretor da Escola sempre maravilhoso Mandy Patinkin, e os amigos Millie Davis (Summer), Noah Juppe (Jack Will), Danielle Rose Russell(Miranda) e Nadji Jetter(o namoradinho de Via).

O filme passa por temas como o lirismo da infância, a dificuldade de se lidar com o diferente, a dor da perda, a chegada do amor, as dificuldades de um casamento, a carência do filho deixado em segundo plano, a arrogância das pessoas que gostam de dizer “sabe com quem está falando” e por aí vai, sempre com um tom de humanismo fora de série e um humor (sem abdicar da profundidade) capaz de encantar o espectador.

O roteiro do filme é pleno de grandes frases: “Bons trabalhos vêm em muitas formas. Grandeza reside Não em ser forte, mas no uso correto da força. Ele ou ela é o maior porque sua força eleva mais corações pela atração que tem.”

Ou “quando tiver escolha entre estar certo e ser gentil, escolha a gentileza.”

Ou ainda: “Eu acho que deveria haver uma regra pela qual todos no mundo deveriam ser aplaudidos de pé ao menos uma vez na vida.”

Definitivo.

 

Since his trailer WONDER, by Stephen Chbosky (a 30-year-old American, screenwriter of BEAUTY AND THE BEAST and director of the great THE PERKS OF BEING A WALLFLOWER) seemed to be a pretty standard drama about a boy with the Treacher Collins Syndrome (who left him with his face deformed) and the difficulties that he and his family will face when he starts attending school.

I think the filmmaker Chbosky and his team have overcome the challenge of doing something non-standard by endowing the film with absolutely amazing narrative creativity. The choice of the various characters’ points of view to tell the story of Auggie was a supreme finding.

The option of taking off the weight the narrative, with a fantastic and humorous tone (almost dreamy and childlike) was another extreme intelligence.

And the great sensitivity in stuffing the film with thrilling scenes without any false sadness was the icing on the cake.

All this at the hands of a well-chosen cast, starting with Julia Roberts, impeccable as Isabel, a mother with visible and understandable qualities and defects, especially when dealing with a situation like that of the film. Owen Wilson (who was never more than a good comedian) stays in his without compromising. The boy Jacob Trembley (protagonist in ROOM) shows once again that he will have a long and brilliant career, even under heavy makeup. And a charming band of co-stars, led by sister Via (Isabela Vidovic great), the always wonderful School Principal Mandy Patinkin, and friends Millie Davis (Summer), Noah Juppe (Jack Will), Danielle Rose Russell (Miranda) and Nadji Jetter (Via’s boyfriend).

The film goes through themes such as the lyricism of childhood, the difficulty of dealing with the different, the pain of loss, the arrival of love, the difficulties of a marriage, the lack of the child left in the background, the arrogance of the people who like to say “know who you’re talking to” and so on, always with a tone of outstanding humanism and a humor (without abdicating depth) that can delight the viewer.

The script of the film is full of great phrases: “Good works come in many forms.” Greatness lies not in being strong, but in the correct use of force, he or she is the greatest because his strength raises more hearts by the attraction he has.

Or, “When you have a choice between being right and being kind, choose kind.”

Or, “I think there should be a rule that everyone in the world should receive a standing ovation at least once in their lives.”

Definitive.