Trecho da crítica de A.O.Scott, para o THE NEW YORK TIMES, sobre O RETORNO DE BEN:

Mas e se ela não puder? “O Retorno de Ben” é realmente a história de Holly, e apesar da excelência geral do elenco, é muito do filme de Roberts. Isso não é uma questão de ego ou de ostentação. Pelo contrário, o que é tão comovente e efetivo sobre o trabalho de Roberts aqui é sua subversão perspicaz de sua personalidade há muito estabelecida.

Holly emana a autoconfiança dura e elegante que faz parte da marca Julia Roberts. Ela parece uma mulher acostumada a conseguir o que quer, não porque seja complacente ou excessivamente autorizada, mas porque espera que o mundo reconheça a autoridade moral da maternidade. Ela fez sacrifícios, trabalhou duro, criou bons filhos e, como resultado, ganhou uma certa dose de deferência. Pessoas e instituições – médicos, policiais e farmacêuticos, bem como seus filhos – deveriam ouvir e aceitar seus desejos.

Uma medida de privilégio é incorporada a essa suposição, e “O Retorno de Ben” é em parte a forma como o atual flagelo do vício em opióides e heroína contribuiu para a desmoralização da classe média americana. Enquanto ela segue Ben em um dia e noite cada vez mais angustiante, Holly faz um tour por um submundo que existe nas sombras de sua realidade ensolarada e estável.

Excerpt of A.O.Scott review of BEN IS BACK, for THE NEW YORK TIMES:

But what if she can’t? “Ben Is Back” is really Holly’s story, and notwithstanding the all-around excellence of the cast, it’s very much Roberts’s movie. This isn’t a matter of ego or showboating. On the contrary, what is so moving and effective about Roberts’s work here is her shrewd subversion of her long-established persona.

Holly exudes the tough, elegant self-confidence that has long been part of the Julia Roberts brand. She seems like a woman accustomed to getting her way, not because she is complacent or overly entitled but because she expects the world to recognize the moral authority of motherhood. She has made sacrifices, worked hard, raised good kids and as a result has earned a certain amount of deference. People and institutions — doctors, police officers and pharmacists, as well as her kids — are supposed to listen, and to accede to her wishes.

A measure of privilege is baked into this assumption, and “Ben Is Back” is partly about the way the current scourge of opioid and heroin addiction has contributed to the demoralization of the American middle class. As she follows Ben through an increasingly harrowing day and night, Holly gets a tour of an underworld that exists in the shadows of her sunny, stable reality.