Motivado por um artigo que escrevi para a Revista VOTO sobre filmes com jornalistas, resolvi rever ZODÍACO, de David Fincher. Quando vi pela primeira vez, me pareceu longo demais (2h37min), arrastado e meio sem propósito.

E olha que David Fincher é um cineasta que tenho em alata estima, porque fez filmes excelentes, como SE7EN – OS SETE PECADOS CAPITAIS, ALIEN 3 e OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES. CLUBE DA LUTA, outro filme dele que é super elogiado, também me pareceu meio torto da primeira vez que vi.

Mais uma vez comprovando que filmes devem ser revistos, desta vez gostei demais de ZODÍACO. Visto em 4K no Itunes, me soou como uma fascinante narrativa em torno da busca – a qualquer custo – de jornalistas e policiais pela identidade do serial killer que assombrou São Francisco na década de 70 e que nunca foi pego. Algo no estilo Jack, o estripador.

Os policiais envolvidos na caçada, em especial o Inspetor David Toschi lutaram anos contra a burocracia, tentando chegar ao culpado. Segundo o filme, tiveram o Zodíaco na mão e não conseguiram prende-lo por dificuldades técnicas da época.

Mais comovente ainda, foi a busca dos jornalistas do San Francisco Chronicle, Paul Avery (Robert Downey Jr.) e Robert Greysmith (Jack Gyllenhall), que virtualmente destruíram suas vidas pela causa de encontra o assassino. Particularmente fascinante são as reações dos interlocutores a cada vez que Greysmith dizia que era o cartunista do jornal, como se fosse um sub-emprego. E o elenco de apoio tem quatro ou cinco trabalhos diferenciados por atores de primeira linha.

Os três atores, a seu modo, estão ótimos em seus papeis. Downey Jr. perfeito como sempre como o cínico desiludido; Gyllaenhall, maravilhoso como o ingênuo rookie que vai se apaixonando desmedidamente pela causa; e Mark Ruffalo, o policial lutador que se desilude diante de tantos obstáculos da burocracia imperante.

Verdadeiro libelo a favor do idealismo (sem deixar de questionar a vaidade e o narcisismo), ZODÍACO, além de interessante ao extremo como thriller tem este lado humano incrível.

Também tinha achado, em minha primeira visão, o filme inconclusivo. Não é. O final deixa bem claro que nem o policial, nem os jornalistas tem a menor dúvida de que o assassino era Arthur Leigh Allen. Mas as dezenas de provas circunstanciais jamais levaram a uma prisão dele.

ZODÍACO passou a constar da minha lista dos grandes filmes de David Fincher. Só os tolos não mudam de ideia.

Motivated by an article I wrote for VOTO Magazine, about films with journalists, I decided to review ZODIAC, by David Fincher. When I first saw it, it seemed to me too long (2h37min), dragged and purposeless.

And David Fincher is a filmmaker that I have in high esteem, because he made great films like SE7EN, ALIEN 3, and THE GIRL WITH THE DRAGON TATTOO. FIGHT CLUB, another os his main films (that is super praised), also seemed to me half crooked in the first time that I saw it.

Again proving that movies should be reviewed, this time I really liked ZODIAC. Seen in 4K on Itunes, it sounded like a fascinating narrative around the search – at any cost – of journalists and cops for the identity of the serial killer that haunted San Francisco in the 1970s and was never caught. Something like Jack the Ripper.

The police involved in the hunt, especially Inspector David Toschi fought years against the bureaucracy, trying to reach the culprit. According to the film, they had the Zodiac in their hands and could not hold him because of technical difficulties at the time.


More poignantly, it was the pursuit of San Francisco Chronicle journalists, Paul Avery (Robert Downey Jr.) and Robert Greysmith (Jack Gyllenhall), who virtually destroyed their lives for the cause of the killer. Particularly fascinating are the reactions of the interlocutors every time Greysmith said that he was the paper’s cartoonist, as if it were a sub-job.

The three main actors, in their way, look great in their roles. Downey Jr. perfect as always as the disillusioned cynic; Gyllenhall, wonderful as the naive rookie who falls in love with the cause; and Mark Ruffalo, the fighter cop who is disillusioned by so many obstacles in the prevailing bureaucracy. And the supporting cast has three or four great actor works, by first level actors and actresses.

True libel in favor of idealism (while not questioning vanity and narcissism), ZODIAC, as well as interesting to the extreme as a thriller has this incredible human side.

I had also found, in my first vision, the film inconclusive. It is not. The ending makes it clear that neither the cop nor the journalists have the slightest doubt that the killer was Arthur Leigh Allen. But the dozens of circumstantial evidences have never led to his arrest.

ZODIAC is now on my list of David Fincher’s great films. Only fools do not change their minds.