MEMÓRIAS DE UM ASSASSINO, de John-ho Bong, escritor e cineasta coreano foi apontado por quentin Tarantino como um dos melhores filmes que ele viu nos últimos 20 anos. Meu amigo Felippe Gomes me recomendou viamente este cultmovie coreano que narra a história de três policiais caçando um serial killer – durante a ditadura militar na Coréia do Sul – que mata e estupra jovens vestidas de vermelho em noites chuvosas, numa pequena cidade do interior.

Evidentemente, a gente tem que esquecer completamente a narrativa ocidental e curtir um ritmo absolutamente diferenciado neste drama policial em que tudo é muito lento e discutido em detalhes, nos muitos anos em que o trio central buscou solucionar os crimes.

MEMÓRIAS DE UM ASSASSINO se inspira em muitos filmes policiais clássicos, seja nas técnicas de investigação, seja nas cenas das mortes, seja nos momentos chaves da narrativa.

Quando o filme estreou em Nova Iorque, Manohla Dargis, do NEW YORK TIMES escreveu: “Apesar de suas peculiaridades e tiques pessoais próprios, os dois principais detetives de Bong continuam apoiando os agentes para a investigação, mesmo que o trabalho se esgote inutilmente durante anos. Há vislumbres da vida doméstica de Park (incluindo algumas limpezas profundas na orelha que são tão inquietantes quanto uma autópsia) e a sugestão de que Seo, solteiro e emprestado por Seul a esse departamento policial, está perdendo o rumo aos poucos. Finalmente e sem fanfarra, torna-se impossível não ver esses servidores públicos impotentes e oprimidos como um tipo de vítimas. A imagem desses homens infelizes, que pertencem a uma geração do pós-guerra nascida sob as garras do autoritarismo, permanecendo impotente enquanto uma após a outra mulher brutalmente morre tem um poder de força bruta que não precisa de explicação.”

MEMÓRIAS DE UM ASSASSINO é relamente um ótimo filme e deve ser visto.


MEMORIES OF MURDER (Salinui chueok), by John-ho Bong, Korean writer and filmmaker was quoted by Quentin Tarantino as one of the best films he has seen in the last 20 years. My friend Felippe Gomes has recently recommended to me this Korean cultmovie that tells the story of three policemen hunting a serial killer – during the military dictatorship in South Korea – that kills and rapes young girls dressed in red on rainy nights in a small inland city.

Obviously, we have to completely forget the Western narrative and enjoy an absolutely different pace in this police drama where everything is very slow and discussed in detail in the many years that the central trio sought to solve the crimes.

MEMORIES OF MURDER draws inspiration from many classic detective films, whether in investigative techniques, scenes of death, or key moments in the narrative.

When the film debuted in New York, Manohla Dargis of NEW YORK TIMES wrote: “Despite their likable, personable quirks and tics, Mr. Bong’s two lead detectives remain supporting players to the investigation, even as the work fruitlessly drags on for years. There are glimpses of Park’s home life (including some deep ear-cleaning that’s as squirmingly unsettling as an autopsy) and the suggestion that Seo, who’s single and on loan from Seoul to this bumpkin police department, is slowly losing his bearings. Finally and without fanfare, though, it becomes impossible not to see these impotent and crushingly overwhelmed public servants as victims of a kind. The image of these hapless men, who belong to a postwar generation born in the grip of authoritarianism, standing helplessly by as one after another woman brutally dies has a blunt-force power that needs no explanation.”


MEMORIES OF MURDER is really a great movie and should be seen.