NEVER HERE, da jovem cineasta Camille Thoman parte de um argumento policial bastante bom. Enquanto dois amantes estão em um encontro, o escritor Paul Stark (último papel do extraordinário ator e dramaturgo Sam Shepard, falecido logo após) vê pela janela do apartamento um homem batendo violentamente em uma mulher. Como ele não poderia estar ali, eles acertam que ela (a excelente Mireille Enos vivendo a fotógrafa e artista plástica Miranda Fall) chama a Polícia para denunciar o fato, como se ele fosse a testemunha.

A partir daí, os problemas começam a se acumular. As lacunas e contradições da narrativa dela (que não viu nada) passam a fazer os policiais desconfiarem dela. Além disto, o suspeito de ser o agressor passa a persegui-la com descrédito das autoridades.

O elenco ainda tem o grande ator croata Goran Visnjic, Vincent Piazza e Ana Nogueira, como o suspeito, o policial encarregado do caso e a assistente da artista. Fazem um ótimo elenco.

O argumento é excelente, embora já tenha gerado um filme coma mesma historia, JANELA SUSPEITA, de Curtis Hanson, com Elizabeth McGovern e Steve Guttemberg.

No caso de NEVER HERE, o espectador ainda é brindado com imagens de uma beleza estonteante, cuja repetição sem fim toma o papel de principal característica do filme, deixando o desenvolvimento da história e dos personagens para um relegado segundo plano.

Perde o filme e perde o espectador. O que poderia ser um excelente filme policial e de suspense, perde lugar para um exercício estético com momentos aborrecidos. Foi o filme que poderia ter sido e não foi.

NEVER HERE, by young filmmaker Camille Thoman begin with a pretty good police argument. While two lovers are in a meeting, writer Paul Stark (the late role of the extraordinary actor and playwright Sam Shepard, deceased shortly after) sees through the window of the apartment a man banging violently on a woman. As he could not be there, they agree that she (the excellent Mireille Enos living the photographer and plastic artist Miranda Fall) calls the police to denounce the fact, as if she were the witness.

From there on, the problems begin to accumulate. The gaps and contradictions of her narrative (which saw nothing) begin to make the police distrust her. In addition, the suspect of being the aggressor happens to persecute her with discredit of the authorities.

The cast still has the great Croatian actor Goran Visnjic, Vincent Piazza and Ana Nogueira, as the suspect, the police officer in charge of the case and the assistant of the artist. They make a great cast.

The plot is excellent, although it has already generated a movie with the same story, Curtis Hanson’s THE BEDROOM WINDOW, with Elizabeth McGovern and Steve Guttemberg.

In the case of NEVER HERE, the viewer is still gifted with images of stunning beauty, whose endless repetition plays the main character of the film, leaving the development of the story and the characters to a relegated background.

Loses the movie and loses the viewer. What could be an excellent thriller, loses room for an aesthetic exercise with boring moments. It was the movie that could have been and was not.