David Strathairn é um excelente ator. Mas faz sua carreira raramente sendo o protagonista do filme. Tem trabalhos excepcionais, como em BOA NOITE E BOA SORTE, SOMOS MARSHALL, TEMPLE GRANDIN e UM CRIME DE MESTRE. Hoje ele tem um papel importante na ótima série BILLIONS. Em 2013, ele foi o ator principal do filme NO GOD, NO MASTER, um drama sobre o início das atividades do FBI (então apenas Bureau of Investigation), vivendo o agente William Flynn, encarregado de investigar uma série de explosões que assombram Nova Iorque.

Era um tempo de muita convulsão social, com os iniciantes sindicatos de trabalhadores imigrantes questionando fortemente o capitalismo de pessoas como John D. Rockefller e seus direitos trabalhistas. Foi a época da prisão dos imigrantes italianos Sacco e Vanzetti, acusados de matar dois policiais para roubar um pagamento em crime que marcou a história judicial americana, como um erro grave que os levou à pena de morte, sendo os dois posteriormente reconhecidos como inocentes. Foi a época do in;icio de carreira de J.Edgar Hoover, depois Chefe do FBI por mais de 40 anos.

O agente Flynn busca resolver o caso – com todas as carências investigatórias da época – sem se deixar contaminar pelos radicalismos políticos de lado a lado.

Strathairn consegue criar um personagem fascinante que tem um misto do Elliot Ness de Kevin Costner e Brian de Palma em OS INTOCÁVEIS (pelo seu idealismo e obstinação em resolver as coisas) com a desilusão de quem se vê impotente para enfrentar poderosos e suas influências no governo.

NO GOD, NO MASTER também acerta em focar uma questão crucial no mundo de hoje. Como fazer o balanço entre a liberdade e as regras que necessariamente tem que ser estabelecidas com relação à entrada de imigrantes estrangeiros no país? O filme, inclusive, cresce muito em traçar um paraleo entre aquilo que aconteceu e a atual guerra frente ao terror e a violação de direitos individuais.

Emocionante, inteligente, histórico e atual, NO GOD, NO MASTER é um belo drama político a ser visto por quem se interessa nestas reflexões.

David Strathairn is an excellent actor. But it makes his career rarely being the protagonist of the film. He has exceptional works, as in GOOD NIGHT AND GOOD LUCK, WE ARE MARSHALL, TEMPLE GRANDIN and FRACTURE. Nowadays he is one of the main characters in BILLIONS. In 2013, he was the lead actor in the film NO GOD, NO MASTER, a drama about the beginning of FBI activities (then only the Bureau of Investigation), living with agent William Flynn, charged with investigating a series of explosions that haunt New York .

It was a time of much social claims, with the beginnings of immigrant labor unions strongly questioning the capitalism of people like John D. Rockefller about their labor rights. It was the time of the arrest of the Italian immigrants Sacco and Vanzetti, wrongfully accused of killing two police officers that marked American judicial history, as a great error that led to the death penalty, both of which were later recognized as innocent. It was the time of J. Edgar Hoover‘s career, then Head of the FBI for over 40 years.

Agent Flynn seeks to resolve the case without being contaminated by political radicalisms side by side.

Strathairn manages to create a fascinating character that has a mix of Kevin Costner‘s (and Brian de Palma) Elliot Ness in THE UNTOUCHABLES (for their idealism and stubbornness in solving things) with the disillusionment of those who find themselves powerless to face powerful people and their influences on government.

NO GOD, NO MASTER also strives to focus on a crucial issue in today’s world. How do we balance freedom and the rules that necessarily have to be established regarding the entry of foreign immigrants into the country? The film, too, grows a lot in tracing a parallel between what happened and the current war on terror and the violation of individual civil rights.

Exciting, intelligent, historical and profound, NO GOD, NO MASTER is a beautiful political drama to be seen by those who are interested in these reflections.