A LIVRARIA: Um pequeno Filme que é quase uma Obra Prima

A LIVRARIA (2017), da cineasta Catalã Isabel Coixet – disponível na NETFLIX e AMAZON PRIME – é uma pequena produção hispano-britânica que, pelo seu humanismo, excelência do elenco, temas que aborda e modo de realização se torna uma pequena obra prima.

Uma viúva apaixonada por literatura resolve abrir uma livraria em uma pequena cidade litorânea no interior da Inglaterra. Só que a ideia dela – por razões óbvias – desagrada a poderosa da cidade, que diz pretender no local um centro cultural.

A coragem e a obstinação da livreira granjeia a violenta reação da influente dama e a covardia generalizada dos habitantes da cidade. Uma perseguição sem fim vai tornar inviável a livraria e a vida de todos que ousam apoiar o projeto.

A cineasta Coixet já tem 36 filmes em sua biografia, destacando-se A VIDA SECRETA DAS PALAVRAS e o contundente MINHA VIDA SEM MIM, que causou polêmica anos atrás.

Emily Mortimer, maravilhosa atriz Londrina (ganhadora do SPIRIT AWARDS por LOVELY & AMAZING) faz a apaixonante protagonista Florence Green, uma livreira sensível, introspectiva, corajosa e idealista. Em outro papel excepcional está o veterano ator inglês Bill Nighy (GLOBO DE OURO DE MELHOR ATOR por GIDEON’S DAUGHTER), como um antológico e recluso leitor obssessivo Edmund Brunish. Não menos espetacular está a odiosa vilã Violet Gamart, criação soberba da ótima Patricia Clarkson.

As cenas do filme vão se sucedendo de uma forma tão espetacular que o espectador não sabe se o melhor são os brilhantes diálogos do roteiro, as interpretações ou as filmagens belíssimas da costa irlandesa.

Apenas para transcrever dois trechos do roteiro:

“Idade não é a mesma coisa que interesse histórico. Caso contrário, você e eu seríamos muito mais interessantes do que somos.”

“Nos próximos anos, vou lembrar como ela tentou sorrir olhando para o livro que eu tinha em minhas mãos. Então, ela percebeu o que eu tinha feito. Ela havia cumprido o sonho e eles o haviam arrancado dela. Mas o que ela possuía no fundo era algo que ninguém poderia tirar dela: sua coragem. E foi essa coragem e paixão por livros que ela legou para mim, junto com a bandeja laqueada chinesa. Como ela estava certa quando disse que ninguém se sente sozinho em uma livraria.”

Memorável.

THE BOOKSHOP, by Catalan Filmmaker Isabel Coixet is a small Spanish-British production that, due to its humanism, excellence of the cast, themes it deals with and mode of realization becomes a small masterpiece.

A literature-loving widow decides to open a bookstore in a small seaside town in the interior of England. But her idea – for obvious reasons – displeases the powerful lady of the city, which claims to open a cultural center there.

The courage and stubbornness of the bookseller earn the violent reaction of the influential lady and the widespread cowardice of the townspeople. Endless pursuit will make the bookstore and the lives of everyone who dares to support the project unfeasible.

Filmmaker Coixet already has 36 films in her biography, highlighting THE SECRET LIFE OF WORDS and the blunt MY LIFE WITHOUT ME, which caused controversy years ago.

Emily Mortimer, wonderful London actress (SPIRIT AWARDS winner for LOVELY & AMAZING) plays the passionate protagonist Florence Green, a sensitive, introspective, brave and idealistic bookseller. In another outstanding role is veteran English actor Bill Nighy (GOLDEN GLOBE BEST ACTOR by GIDEON’S DAUGHTER) as an anthological and reclusive obsessive reader Edmund Brunish. No less spectacular is the hated villain Violet Gamart, anthological creation of the great Patricia Clarkson.

The scenes of the film are succeeding so spectacularly that the viewer doesn’t know if the script’s brilliant dialogues, interpretations or beautiful footage from the Irish coast are best.

Just to transcribe two excerpts from the script:

“Old age is not the same thing as historical interest. Otherwise you and I would be far more interesting than we are.”

Narrator: “For years to come, I will remember how she tried to smile looking at the book I had in my hands. Then, she realized what I had done. She had fulfilled the dream and they’d snatched it away from her. But what she possessed deep down was something no one could ever take away from her: her courage. And it was that courage and her passion for books that she bequeathed to me, along with the Chinese lacquerd tray. How right she was when she said that no one ever feels alone in a bookshop.”

Unforgetable.

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