A Volta à Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, Trinta Anos Depois: O Último Amor de Casanova

Nos anos oitenta vim várias vezes a São Paulo especialmente para acompanhar a Mostra Internacional de Cinema de SP. Hoje iniciou a 43a. Edição deste que é o maior evento de cinema da América do Sul. São centenas de filmes de dezenas de países, divididos em várias seções da Mostra. O público apaixonado é visto correndo de uma sala para a outra, na tentativa de acompanhar o maior número de títulos.

Tive a chance nesta quinta-feira, de voltar a uma sessão de cinema da Mostra, depois de mais de trinta anos. Claro que foi um desfile de memórias inesquecíveis que ajudaram a fomentar minha paixão de cinéfilo.

Tudo segue muito parecido. As sessões atrasam, as filas são desorganizadas e nunca falta aquele “entendido” em cinema que fica discursando na fila um monte de bobagens (lembram da cena inesquecível de Woody Allen com Marshal McLuhan em ANNIE HALL?)

O filme que tive oportunidade de ver foi o novíssimo O ÚLTIMO AMOR DE CASANOVA, do francês Benoît Jacquot (diretor de ADEUS, MINHA RAINHA e 3 CORAÇÕES). Ele traz um envelhecido Casanova narrando para uma linda jovem, de forma absolutamente nostálgica e melancólica a sua história com a única mulher que não sucumbiu ao seu charme.

Vincent Lindon é Casanova. A lindíssima Stacy Martin (NINFOMANÍACA e VOX LUX) faz a difícil Marianne de Charpillon, a deusa inatingível. Julia Roy é Cécile, a ouvinte interessada. E uma veterana Valeria Golino (RAIN MAN) aparece como uma dama falida.

O filme tem diálogos muito bem construídos e personagens fascinantes, garantindo um interesse permanente do espectador. A figura de Casanova já tece dezenas de representações no cinema. Donald Sutherland (em CASANOVA DE FELLINI) e Marcello Mastroiani (CASANOVA E A REVOLUÇÃO, de Ettore Scola) são os mais notáveis.

Jacquot é muito engenhoso em optar por trazer uma Casanova infeliz e deprimido. Não que o filme não oportunize que ele relembre suas conquistas fulminantes de belas damas ou affairs rápidos com mulheres de reputação duvidosa. Mas a ênfase no relacionamento irrealizado dá ao filme uma grandeza triste muito boa.

Não tenho ideia se e quando o filme chegará aos cinemas brasileiros. Mas vale a pena anotar e aguardar. Por enquanto, só na Mostra de SP.

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