MARÉ NEGRA: Vincent Cassel e Romain Duris Duelam como Policial e Suspeito em Thriller Atual

MARÉ NEGRA, do roteirista e diretor francês Erick Zonca (A VIDA SONHADA DOS ANJOS) é um recentíssimo thriller já lançado no NOW, Itunes e Amazon Prime Video.

É mais um título a navegar sobre a história de um adolescente desaparecido e as investigações conduzidas pela Polícia para tentar localizá-lo e/ou salvá-lo. O filme tem como notas distintivas que o principal investigador é um veterano detetive de polícia alcoólatra e desencantado (chegam a ser cômicas as cenas em que ele vai à casa dos investigados e, em meio a uma pergunta e outra, se diz com sede e pede um whisky ao interrogado).

O ótimo ator francês Vincent Cassel (Vencedor do Cesar por INIMIGO PÚBLICO no. 1 e visto em CISNE NEGRO e A HISTÓRIA DA MINHA VIDA, de Selron Mello) compõe um policial decadente, claramente inspirado no imortal Tenente Columbo, de Peter Falk (a gabardine permanentemente amassada é uma peça da pressão que ele faz nos suspeitos) mas com ares mais trágicos e patéticos, notadamente a relação abusiva com Felix Bach, que vive o filho adolescente (iniciando-se no tráfico de drogas) e o alcoolismo.

O personagem de Cassel, Commander François Visconti é autodestrutivo, deprimido, solitário e infeliz, mas não foge ao trabalho e persegue seus suspeitos com uma resiliência e uma obstinação impressionantes.

É neste contexto que Visconti elege como principal suspeito o Professor do adolescente desaparecido Yan Bellaille, belo trabalho do ascendente astro francês Romain Duris (visto em BONECAS RUSSAS e O ÚLTIMO SUSPIRO). Seu professor é enigmático, misterioso, ambíguo e disfarçado, criando o suspeito perfeito. O que estará por trás deste comportamento evasivo do Professor?

Os personagens das família do desparecido são igualmente interessantes e desencantados: a mãe é uma mulher extremamente solitária que vive apenas para cuidar da filha com problemas mentais. A atriz francesa Sandrine Kiberlain (dois Césars no currículo) atua maravilhosamente bem e seu desespero é um dos pontos altos do filme. O pai é o também evasivo Jerome Pouly. A filha excepcional é outro ótimo trabalho da jovem Laurena Tellier, que termina sendo essencial na trama.

Um dos recursos mais utilizados nos filmes policiais atuais é o twist do roteiro, levando o espectador a achar que o culpado é um personagem e, no final, contrariando a expectativa, criar uma versão completamente diferente para o desfecho do caso. MARÉ NEGRA se sai muito bem fazendo isto.

Mas o maior destaque do filme, além do duelo entre os dois ótimos atores centrais, é a abordagem de temas tão atuais como o alcoolismo, a depressão, a solidão, a homossexualidade oculta, o fascínio das drogas para os jovens e os abusos sexuais domésticos.

MARÉ NEGRA é pois um thiller bem realizado e atualíssimo. Sua visão se impõe.

BLACK TIDE (FLEUVE NOIR), by French writer and director Erick Zonca (The Dreamed Life of Angels) is a brand new thriller released on NOW, Itunes and Amazon Prime Video.

It is another title navigating the story of a missing teenager and police-led investigations into trying to locate and / or save him. The film’s distinctive note is that the principal investigator is a veteran alcoholic and disenchanted police detective (the scenes in which he goes to the house of the suspects are comical because amidst one question and another, he says he is thirsty and asks a whiskey).

Great French actor Vincent Cassel (Winner of Cesar for Public Enemy No. 1 and seen in BLACK SWAN and Selton Mello‘s STORY OF MY LIFE) makes up a decadent cop, clearly inspired by Peter Falk‘s immortal Lieutenant Columbo (the permanently wrinkled gabardine is a piece of the pressure he puts on the suspects) but with more tragic and pathetic airs, notably the abusive relationship with Felix Bach, who lives his teenage son (starting with the drug trade) and alcoholism.

Cassel’s character, Commander François Visconti is self-defeating, depressed, lonely, and unhappy, but he does not escape work and pursues his suspects with impressive resilience and stubbornness.

It is in this context that Visconti elects as the main suspect the Professor of the missing teenager, Yan Bellaille, beautiful work of the rising French star Romain Duris (seen in RUSSIAN DOLLS and THE LAST SIGH). His teacher is enigmatic, mysterious, ambiguous and disguised, creating the perfect suspect. What is behind this evasive behavior of the Professor?

The family characters are equally interesting and disenchanted: The mother is an extremely lonely woman who lives only to care for her mentally ill daughter. French actress Sandrine Kiberlain (two Césars in the resume) performs wonderfully well and her desperation is one of the highlights of the film. The father is also elusive Jerome Pouly. The sick daughter is another great job of young Laurena Tellier, who ends up being essential to the plot.

One of the most widely used features in today’s thrillers is the twist of the script, leading the viewer to think the culprit is a character and ultimately, contrary to expectation, to create a completely different version for the outcome of the case. BLACK TIDE does very well doing this.

But the biggest highlight of the movie, besides the duel between the two great central actors, is the approach of topics as current as alcoholism, depression, loneliness, hidden homosexuality, the fascination of drugs for young people and the domestic sexual abuse.

Black Tide is therefore a well-executed and very modern thiller. Its vision imposes itself.

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