TRÁGICA OBSSESSÃO: Em 1976, Brian de Palma (Muito Jovem) Fez um Thriller Hitchcockiano Brilhante que Resiste ao Tempo

TRÁGICA OBSSESSÃO é o terceiro filme de sucesso que o então jovem Brian de Palma fez. Data de 1976. Na carreira do cineasta vem logo depois de IRMÃS DIABÓLICAS e do ótimo FANTASMA DO PARAÍSO (uma brilhante e delirante adaptação lisérgica de O FANTASMA DA ÓPERA).

OBSSESSION narra a história de um empresário do ramo de imóveis que sofre o pesadelo de ter sua esposa e filha sequestradas e, quando se recusa a pagar o resgate, chamando a Polícia, ver as duas mortas em uma perseguição aos criminosos.

Muitos anos depois, ao ir com o sócio a Europa, se depara com uma mulher absolutamente idêntica à falecida esposa, fato que tem um impacto gigantesco sobre sua vida. Seria um delírio dele? Haveria a chance dela ter sobrevivido? Isto representaria uma chance de redenção para a vida dele desgraçada pela tragédia?

Brian de Palma contou com uma equipe extraordinária para fazer o filme. A trilha sonora do mestre Bernard Herrman é parte essencial da narrativa e de todo o suspense (incrível) que o filme tem. As entradas dos acordes da música de Herrman são momentos inesquecíveis do cinema. Mereceu sua indicação ao Oscar. O roteiro de Paul Schraeder (diretor de A MARCA DA PANTERA e MISHIMA e roteirista de TAXI DRIVER) é inspiradíssimo. O clima onírico do filme (o tempo todo parece que estamos vendo um sonho) se deve muito à belíssima fotografia do húngaro Vilmos Zsigmond, brilhantemente concebida e executada.

E o diretor, então muito jovem (então tinha 36 anos) mergulha no universo de Alfred Hitchcock criando um thriller inteligente, criativo, ousado e provocativo, em que entram elementos próprios do universo do mestre inglês, como traição, lealdade, desejos sexuais inconfessáveis, incesto, segunda chance e muitos mais. Seus ângulos de filmagem, travellings e planos pouco ortodoxos (especialmente à época) marcaram o filme e sua carreira.

O trio central de atores é impecável. Cliff Robertson, ator californianao morto em 2011 faz um Michael Courtland perfeito, consumido pelo arrependimento de ter chamado a Polícia e supostamente causado a morte das duas pessoas que mais amava. A canadense Genevieve Bujold tem seu melhor trabalho no cinema, fazendo um personagem de uma ambiguidade total que lhe dá um mistério essencial ao desenvolvimento do filme. E John Lithgow, sempre um ator muito interessante, aqui bem jovem, já mostrava seu talento diferenciado.

OBSSESSION catapultou a carreira de Brian de Palma, reunindo apaixonados fãs de seu cinema (e ao mesmo tempo detratores que o viam como um vulgar imitador do cinema de Hitchcock). O tempo – e vários ótimos filmes depois (OS INTOCÁVEIS, CARRIE A ESTRANHA, UM TIRO NA NOITE, VESTIDA PARA MATAR, DUBLÊ DE CORPO) – mostraram que TRÁGICA OBSSESSÃO era muito mais que um excelente filme, era o despertar de um cineasta de muita qualidade.

OBSESSION is the third hit movie that then young Brian de Palma made. It dates from 1976. In the filmmaker’s career comes shortly after SISTERS and the great PHANTOM OF PARADISE (a lysergic adaptation of PHANTOM OF THE OPERA).

OBSSESSION tells the story of a real estate entrepreneur suffering the nightmare of having his wife and daughter kidnapped and, when refusing to pay the ransom by calling the police, seeing the two dead in a persecution of the criminals.

Many years later, when he goes with his partner to Europe, he encounters a woman who is absolutely identical to his late wife, a fact that has a huge impact on his life. Was it a delusion of his? Was there a chance she had survived? Would this represent a chance of redemption for his life disgraced by the tragedy?

Brian de Palma had an extraordinary team to make the film. Master Bernard Herrman‘s soundtrack is an essential part of the narrative and all the (incredible) suspense the movie has. The chord entries of Herrman’s music are unforgettable moments of cinema. He earned his Oscar nomination. Paul Schraeder‘s script (director of CAT PEOPLE and MISHIMA and screenwriter of TAXI DRIVER) is very inspirational. The dreamlike mood of the movie (all the time we seem to be seeing a dream) is largely due to the beautiful photography brilliantly conceived and executed by Vilmos Zsigmond.

And the director, then very young (36 years old) plunges into Alfred Hitchcock‘s universe creating a clever, creative, bold and provocative thriller, which enters elements of the English master such as betrayal, loyalty, desires, sex fantasies, incest, second chance and many more. Its filming angles, travellings and unorthodox plans (especially at the time) marked the film and its career.

The central trio of actors is impeccable. California actor Cliff Robertson dead in 2011 makes a perfect Michael Courtland, consumed by the regret of calling the police and allegedly causing the deaths of the two people he loved the most. Canadian Genevieve Bujold has her best film work, making a character of total ambiguity that gives her an essential mystery in the development of the film. And John Lithgow, always a very interesting actor, very young here, already showed his unique talent.

OBSSESSION catapulted Brian de Palma‘s career, gathering passionate fans of his cinema (and at the same time detractors who saw him as a vulgar imitator of Hitchcock’s cinema). Time – and a lot of great movies later (The Untouchables, CARRIE, BLOW OUT, DRESSED TO KILL, BODY DOUBLE) – showed that OBSESSION was so much more than a great movie, it was the awakening of a very good filmmaker.

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