O IRLANDÊS: Um Longo, Dolorido, Violento e Melancólico Testamento

O IRLANDÊS, de Martin Scorsese é um filme poderoso por inúmeras razões. Marca uma revolução no cinema moderno ao ser uma mega produção de um cineasta top, encomendada e produzida por uma gigantesca empresa de streaming especialmente para ser veiculado por ela própria, embora tenha tido um polêmico (e quase clandestino) lançamento em poucas salas de cinema. A NETFLIX aumentou sua visibilidade (ainda mais?) com este lance ousado e repleto de perplexidades do mundo que está chegando no entretenimento.

O segundo motivo é a excelência da produção: um filme que reúne Scorsese, Robert de Niro, Al Pacino e Joe Pesci, desde o início se mostrava um tsunami cultural. Por baixo, são 21 indicações ao Oscar e 5 Estatuetas douradas entre os quatro. É muita história no cinema. E tem o roteiro do Oscarizado Steve Zaillian (A LISTA DE SCHINDLER), a montagem maravilhosa da argelina Thelma Schoonmaker (3 Oscars, por TOURO INDOMÁVEL, O AVIADOR e OS INFILTRADOS) e a fotografia incrível do mexicano Rodrigo Prieto (SILÊNCIO). Uma verdadeira superprodução.

O filme tem 3h29 min. Trata-se de um longo, dolorido e doloroso filme testamento de Martin Scorsese sobre personagens que lhe são tão caros: os italianos, judeus, irlandeses que durante décadas comandaram uma boa parte da vida americana, dominando sindicatos, justiça, polícia, negócios, empresas, cassinos e muitos outros campos de atividades.

Durante todo o filme, há uma melancolia evidente. O filme é triste, desde a primeira cena. O personagem Frank Sheeran, que narra a história, paralisado em uma cadeira de rodas, em um asilo, completamente sozinho no mundo (porque todos os seus amigos e inimigos já morreram e suas filhas não falam mais com ele) é um retrato desolado de um final de vida deprimente. Nada diferente da pomposa festa de homanagem que ele recebeu anos antes, uma balada ao som de AL DI LÁ, em que seus amigos e conhecidos destilavam ódios, ressentimentos e planejavam execuções sumárias.

Aliás, a violência extrema da história é outro ponto de reflexão. O mundo dos personagens não tem lugar para afagos e carinhos. O número de assassinatos vistos e mencionados (os letreiros descrevendo os brutais assassinatos de muitos personagens são particularmente chocantes) é a medida da brutalidade do círculo de vida deles. A violência é acompanhada da dor e do silêncio de seus familiares, como as filhas de Frank. Não há espaço nem mesmo para alguma cena lírica, como o casamento no início de O PODEROSO CHEFÃO ou a cena final de Vito Corleone brincando com seu netinho.

Os dois personagens em torno dos quais Frank orbita são o lendário Presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Jimmy Hoffa (impressionante criação de Al Pacino) e o gângster Russel Bufalino (mais um trabalho monumental de Joe Pesci). Ambos são duros, violentos, inflexíveis e direcionados para a morte.

O IRLANDÊS é um épico, um retrato minucioso e impressionate sobre décadas da vida americana. Entre tantas reflexões que deixa, estão as perguntas sobre se aquela época efetivamente passou e se todos os países tem este tipo de personagens. Com ou sem armas na mão.

Trata-se de um filme obrigatório.

Martin Scorsese‘s THE IRISHMAN is a powerful movie for a great number of reasons. It marks a revolution in modern cinema by being a mega production of a top filmmaker, commissioned and produced by a gigantic streaming company especially to be aired by itself, although it has had a controversial (and almost clandestine) release in a few movie theaters. NETFLIX has increased its visibility (even more?) with this bold and perplexing move in the entertainment world.

The second reason is the excellence of the production: a film that brings together Scorsese, Robert de Niro, Al Pacino and Joe Pesci, from the beginning was a cultural tsunami. We have 21 Oscar nominations and 5 golden statues among the four. It’s a lot of history in the cinema. And there’s the Oscar-winning screenplay Steve Zaillian (SCHINDLER’S LIST), the wonderful montage of algerian Thelma Schoonmaker (3 Oscars, for RAGING BULL, THE AVIATOR and THE DEPARTED) and the amazing photograph of Mexican Rodrigo Prieto (SILENCE). A true superproduction.

The movie is 3h29 min. It is a long, aching, painful testament film by Martin Scorsese about characters so dear to him: the Italians, Jews and Irish who for decades ruled much of American life, dominating unions, justice, police, business, casinos and many other fields of activity.

Throughout the movie, there is an obvious melancholy. The movie is sad from the first scene. The Frank Sheeran character, who tells the story, paralyzed in a wheelchair, in an asylum, completely alone in the world (because all his friends and enemies are dead and his daughters no longer talk to him) is a desolate portrait of a depressing end of life. Not unlike the pompous homage party he hosted years earlier, a ballad to the sound of AL DI LA, where his friends and acquaintances distilled hatred, resentment, and plotted summary exceptions.

Incidentally, the extreme violence of history is another point of reflection. The world of characters has no place for cuddling. The number of killings seen and mentioned (the letterings describing the brutal murders of many characters are particularly shocking) is a measure of the brutality of their life circle. Violence is accompanied by the pain and silence of their families, like Frank’s daughters. There is no room even for some lyrical scene, such as the wedding at the beginning of THE GODFATHER or the final scene of Vito Corleone playing with his little grandson.

The two characters Frank orbits around are the legendary Trucker Union President Jimmy Hoffa (Al Pacino‘s impressive creation) and gangster Russel Bufalino (another monumental work by Joe Pesci). Both are hard, violent, unyielding and death-driven. In the cast we also have Harvey Keitel, Ray Romano, Bob Cannavale and Anna Paquin (virtually mute),

THE IRISHMAN is an epic, minudent and impressive portrait about decades of American life. Among the many thoughts it leaves, are the questions as to whether that era has indeed passed and whether all countries have such characters. With or without weapons in hand.

This is a must see movie.

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