SONHOS DE UM SEDUTOR: Woody Allen Já Era Genial na Homenagem a CASABLANCA

Dois dos melhores filmes com Woody Allen não foram dirigidos por ele. TESTA DE FERRO POR ACASO, de Martin Ritt (1976) talvez seja o melhor filme sobre o triste episódio da Lista Negra no entretenimento e política americanos. O outro é SONHOS DE UM SEDUTOR, baseado em uma peça de teatro escrita pelo próprio Woody Allen (encenada no Broadhusrt Theater, na Broadway em 1969, com 453 sessões, com o próprio Allen e Diane Keaton), que foi levado às telas em 1972, pelo cineasta novaiorquino Herbert Ross.

O filme é a mais explícita homenagem feita no cinema ao maior clássico romântico de todos os tempos, CASABLANCA, de Michael Curtis, com Humphrey Bogart e Ingrid Bergman.

O personagem principal (vivido extraordinariamente por Woody Allen) é Allan, um crítico de cinema abandonado pela esposa e que, com seu ego destruído, tenta por todas as formas encontrar um grande amor, como a personagem Ilsa de seu filme favorito.

Diane Keaton, Tony Roberts, a excelente Susan Anspach, Jennifer Salt, Joy Bang, Viva, Suzanne Zenor e Diana D’Avila compõem o elenco. Mas o grande destaque é o “amigo imaginário” Rick “Bogart” Blaine, vivido pelo ator Jerry Lace. As aparições do personagem (e seus diálogos com Allan) são simplesmente antológicos. Bogart dá conselhos e orientações amorosas ao estressado protagonista, em cenas cômicas nada menos que eternas.

Herbert Ross, ex-bailarino e coreógrafo caracterizou sua carreira por propiciar interpretações de atores e atrizes indicados ao Oscar. A lista é impressionante: Peter O’Toole, George Burns, Walter Matthau, Mikhail Baryshnikov, Anne Bancroft, Shirley McLane, Leslie Browne, Richard Dreyfuss, Marsha Mason, Quinn Cummings, Maggie Smith e Julia Roberts. Ross foi o único diretor a ter indicações ao Globo de Ouro de Drama e Comédia ou Musical no mesmo ano: MOMENTO DE DECISÃO e A GAROTA DO ADEUS.

Há inúmeros diálogos extraordinários no filme (e na peça), reafirmando Allen como um excepcional escritor. Para citar apenas dois: Na conversa de allan com uma garota no museu, trava-se o seguinte diálogo: “Este é um adorável Jackson Pollock, não é?” “Sim, é.” “O que ele diz para você?””Ele reestabelece a negatividade do universo. O obscuro solitário vazio da existência. O nada. A situação do homem forçado a viver em uma eternidade estéril e sem Deus, como uma pequena chama tremulando em um imenso vazio com nada além de desperdício, horror e degradação, formando uma camisa de força inútil e sombria em um cosmo preto e absurdo.” “O que você vai fazer no sábado à noite?” “Cometer suicídio.” “E na sexta à noite?”

Outro: “Se este avião deixar o solo e você não estiver nele com ele, você se arrependerá – talvez não hoje, não amanhã, mas logo, e pelo resto de sua vida.” “Que lindo!” “É de CASABLANCA. Eu esperei toda minha vida para dizer isto.”

Em 1969, Woody Allen já era genial.

Two of the best films with Woody Allen were not directed by him. Martin Ritt‘s (1976) THE FRONT is perhaps the best movie about the sad Black List episode in American entertainment and politics. The other is PLAY IT AGAIN, SAM, based on a play by Woody Allen himself (staged at the Broadhusrt Theater on Broadway in 1969 with 453 sessions with Allen and Diane Keaton tehmselves), which was made in 1972, by New York filmmaker Herbert Ross.

The film is the most explicit film tribute to Michael Curtis‘s greatest romantic classic ever, CASABLANCA, with Humphrey Bogart and Ingrid Bergman.

The main character (lived extraordinarily by Woody Allen) is Allan, a film critic abandoned by his wife who, with his ego destroyed, tries in every way to find great love, like the Ilsa character of his favorite movie.

Diane Keaton, Tony Roberts, the excellent Susan Anspach, Jennifer Salt, Joy Bang, Live, Suzanne Zenor and Diana D’Avila make up the cast. But the highlight is the “imaginary friend” Rick “Bogart” Blaine, lived by actor Jerry Lace. The character’s appearances (and his dialogues with Allan) are simply anthological. Bogart gives loving advice and guidance to the stressed protagonist, in comic scenes no less than eternal.

Herbert Ross, a former dancer and choreographer, characterized his career by providing interpretations of Oscar nominated actors and actresses. The list is impressive: Peter O’Toole, George Burns, Walter Matthau, Mikhail Baryshnikov, Anne Bancroft, Shirley McLane, Leslie Browne, Richard Dreyfuss, Marsha Mason, Quinn Cummings, Maggie Smith and Julia Roberts. Ross was the only director to have nominations for a Golden Globe for Drama and Comedy or Musical in the same year: THE TURNING POINT and GOODBYE GIRL.

There are countless extraordinary dialogues in the film (and in the play), reaffirming Allen as an exceptional writer. To name just two: In Allan’s conversation with a girl in the museum, there is the following dialogue: “That’s quite a lovely Jackson Pollock, isn’t it?” “Yes, it is.” “What does it say to you?” “It restates the negativeness of the universe. The hideous lonely emptiness of existence. Nothingness. The predicament of Man forced to live in a barren, Godless eternity like a tiny flame flickering in an immense void with nothing but waste, horror and degradation, forming a useless bleak straitjacket in a black absurd cosmos.” “What are you doing Saturday Night?” “Comitting suicide.” “What about Friday night?” 

Another: “If this plane leaves the ground and you are not on it with him, you will regret it – maybe not today, maybe not tomorrow, but soon, and for the rest of your life.” “That’s beautiful!” “It’s from CASABLANCA. I waited my whole life to say it.”

By 1969, Woody Allen was already a genius.

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