STAR WARS IX: A ASCENSÃO SKYWALKER – Dê uma Chance a Ray e Seus Brancaleones. Vale Muito a Pena.

Vi STAR WARS IX – A ASCENSÃO SKYWALKER. Gostei muito. Chorei, ri, me emocionei, revivi grandes momentos da minha memória cinematográfica nesta saga que iniciou em 1977, curiosamente com o EPISÓDIO IV. Em 1977, quando o filme original estreou, um ótimo colunista que escrevia em ZERO HORA, ARMANDO COELHO BORGES fez uma bela crônica (era mais que uma crítica) sobre o filme cuja primeira frase (nunca me esqueci) era: “Antes de discutir a Aventura da Força, quero falar da Força da Aventura.”

Lendo todas estas críticas ácidas e contundentes ao filme atual, penso que (óbvio que todos tem direito a sua opinião), estamos vivendo uma época de muita amargura, ódios, ressentimentos e crítica pela crítica.  Um filme com este impacto não passaria incólume.

É óbvio que A ASCENSÃO SKYWALKER não é (e nunca se pretendeu) ser um grande filme. Mas pensar (e dizer) que J.J.Abrams não sabe fazer filmes, me parece algo muito próximo do descabido. O sujeito fez LOST (um fenômeno mundial por oito temporadas), a nova franquia STAR TREK, os melhores filmes da renovada MISSÃO IMPOSSÍVEL. Ele sabe o que faz.  Não tenho dúvida em afirmar que ele nunca foi (e talvez nunca será) capaz de fazer uma obra prima. Mas competência ele tem de sobra.

Dito isto, há muita coisa boa em A ASCENSÃO SKYWALKER. Há, por exemplo, valores humanos que estão em baixa absoluta nos tempos em que vivemos: ligações familiares (entre Leia e Luke; entre Ben e Solo); há gratidão e reconhecimento (coisas em desuso para dizer o mínimo); há lealdade às pessoas; há coragem para se colocar em segundo lugar (em uma época de vaidades exacerbadas e egos inflados ISSO chega a ser ofensivo); e há muita emoção no encerramento de uma saga.

Ray é uma personagem fascinante. Porque é humana, ela tem dúvidas, recaídas, hesitações, problemas (muitos), medos e fracassos. Será que se trata de um personagem tão longe da realidade?

O filme ousa bastante (uma produção da Disney colocar um mulher jovem e bonita como protagonista), tem fracos e desvalidos como heróis improváveis, ex-vilões como heróis redimidos (olha aí o tema da segunda chance tão caro ao cinema) , valoriza inclusão e diversidade evidentes nos personagens da Resistência a mais não poder.

Claro que vale aqui – depois de oito filmes da saga – aquela frase segundo a qual “o que é novo não é interessante e o que é interessante não é novo”. Mas, ao menos na minha opinião, há muita coisa nova e muita coisa interessante. Há erros de lógica na história (já saíram matérias e mais matérias relacionado estas incoerências), há efeitos especiais demais (uma outra praga moderna), podia ser mais curto (outra coisa que se repete), mas vale muito a pena ver.

Acho o EPISÓDIO IV, de George Lucas, um baita filme, dos melhores que eu já vi. Para mim, depois daquele nenhum outro episódio da saga chegou perto. Há coisas indefensáveis nos filmes, como Jar Jar Binks, os Ewoks e o Anakin de Hayden Christensen. Mas poucas franquias geraram tantos sentimentos.

Episódio IX por óbvio fica longe do original. Mas talvez como em nenhum outro fora o quatro, eu tenha sentido tanta emoção. Pela despedida (até quando?), pelas lembranças (“Luke, I am your Father.”), pelas cenas de lutas (talvez demasiadas), pelas vozes de figuras antológicas como o Ben de Alec Guiness e pelo respeito aos antepassados (outra coisa em baixa nestes tempos raivosos). A cena final pode ser tudo (óbvia, previsível, deslocada, ilógica), mas que criou uma “quote” antológica e emocionante, isto é acima de dúvida.

Dispa-se de quaisquer preconceitos e vá ver A ASCENSÃO SKYWALKER. Se você tem alguma identificação com a saga STAR WARS, tenho certeza que emoção não vai faltar.

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