JOJO RABBIT: Ousado, Criativo, Sensível e Contundente Filme do Neozelandês Taika Waititi Merece Ser Visto e Discutido

É possível fazer uma comédia que tem como pano de fundo o nazismo? O cinema já fez isto várias vezes. O GRANDE DITADOR (1940), de Charles Chaplin é uma obra prima reconhecida universalmente. Houve uma série de TV clássica que tornou o campo de prisioneiros da Segunda Guerra Mundial um palco de trapalhadas e risadas: GUERRA, SOMBRA E ÁGUA FRESCA, que teve seis temporadas no final da década de 60. O genial Mel Brooks investiu forte na comédia em seu PRIMAVERA PARA HITLER em 1967, criando situações cômicas impagáveis sobre o nazismo e seus seguidores. O roteiro de Brooks foi retomado na Broadway e no cinema em THE PRODUCERS, com Matthew Broderick, Nathan Lane e Uma Thurmann, em 2005. O italiano Roberto Benigni ganhou dois Oscars com seu A VIDA É BELA, uma comédia dramática de 1997. Quentin Tarantino, em sua tarefa de recontar a história, arrasou com o nazismo no soberbo BASTARDOS INGLÓRIOS, com o típico humor Tarantiano.

Por isto, JOJO RABBIT, do cineasta neozelandês Taika Waititi (THOR: RAGARNOK) não tem um enfoque inédito, embora sejamos obrigados a reconhecer sua originalidade. O roteiro de Waititi – justificadamente premiado com o Oscar (o filme teve outras cinco indicações) – é realmente muito bem escrito e cheio de ousadias narrativas de excelente nível. O ótimo crítico de cinema Owen Gleiberman, do VARIETY definiu como a primeira comédia “hipster” sobre o nazismo. O filme é baseado no livro CAGING SKIES, da escritora  neozelandesa-belga Christine Leunens, ao que se diz de um tom bem mais sério.

Um menino alemão, no final da Guerra, sonha em se inserir na juventude nazista (o sonho dele é ser da guarda pessoal de Hitler) mas não consegue pelo sua impossibilidade moral de aderir às barbáries que lhe são propostas. Ele entra em crise ao se deparar com uma menina judia que a mãe esconde e protege em sua casa. Para complicar as coisas, o amigo imaginário dele é nada mais nada menos que o próprio Führer.

JOJO RABBIT me pareceu um filme fascinante. Em primeiro lugar pelo desafio dificílimo que o jovem cineasta Waititi se propôs a enfrentar. Acho que se saiu muito bem. Segundo, pelo excelente elenco reunido: Scarlett Johansson, sempre linda, dá um show (merecidíssima indicação ao Oscar) como a mãe ousada, sensível, educadora e que mantém a paixão pela vida, os valores humanos e a esperança naquele cenário caótico; o próprio cineasta Waititi como um aloprado Hitler que grita slogans “nonsense” o tempo inteiro criando situações cômicas maravilhosas; o sempre ótimo ator californiano Sam Rockwell, como o Coronel Klenzendorf, um soldado nazista tão maluco quanto escanteado pelos seus questionamentos sobre as ordens que recebe; a australiana Rebel Wilson (BRIDESMAIDS), como uma Valquíria obesa completamente alucinada e bélica; e a excelente atriz neozelandesa Thomasin McKenzie (vista em SEM RASTROS, O REI e O HOBBIT), como a corajosa jovem judia (impossível não relacionar com Anne Frank) encarregada de ensinar a Jojo a realidade sobre as pessoas, os valores e a vida.

Claro que o filme investe muito nos dois meninos atores: o inglês Roman Grifin Davis, um achado como o jovem Jojo que ganha o apelido de “Jojo Rabbit” porque não consegue matar um coelhinho com as próprias mãos em uma das aulas da juventude nazista. O protagonista do filme atua maravilhosamente bem, em um papel extremamente difícil, quase o tempo todo em cena, alternando humor, drama, tragédia e aprendizado. Brilhante. Seu melhor amigo é o amado Archie Yates, como o gordinho nazista totalmente desastrado e perdido naquele caos geral.

O filme de Taika Waititi tem inúmeros e inquestionáveis méritos. É sensível, emocionante, lindo, bem escrito, bem dirigido e prende como poucos a atenção do espectador. Poderia ter ido mais longe, sem dúvida, mas se trata de um belo trabalho de um cineasta inconformado e criativo, como mostra a brilhante primeira cena ao som de I WANNA HOLD YOUR HAND, dos Beatles, cantada em alemão. É um filme que deve ser visto.

Is it possible to make a comedy that has Nazism as a backdrop? The cinema has done this several times. THE GREAT DICTATOR (1940), by Charles Chaplin is a universally recognized masterpiece. There was a classic TV series that made the World War II prison camp a scene of confusion and laughter: HOGAN’S HEROES, which had six seasons in the late 1960s. The brilliant Mel Brooks invested heavily in comedy in his THE PRODUCERS in 1967, creating priceless comic situations about Nazism and its followers. Brooks’ script was resumed on Broadway and at the cinema in THE PRODUCERS, with Matthew Broderick, Nathan Lane and Uma Thurman, in 2005. Italian Roberto Benigni won two Oscars for his LIFE IS BEAUTIFUL (1977), a dramatic comedy. Quentin Tarantino, in his task of retelling the story, razed the superb INGLORIOUS BASTERDS with Nazism, with the typical Tarantian humor.

For this reason, JOJO RABBIT, from New Zealand filmmaker Taika Waititi (THOR: RAGARNOK) does not have an unprecedented focus, although we are obliged to recognize its originality. Waititi’s script – justifiably awarded with the Oscar (the film had five other nominations) – is really well written and full of bold narratives of excellent level. VARIETY‘s great film critic Owen Gleiberman defined it as the first “hipster” comedy about Nazism. The film is based on the book CAGING SKIES, by New Zealand-Belgian writer Christine Leunens, which is said to be much more serious.

A German boy, at the end of the war, dreams of being part of the Nazi youth (his dream is to be Hitler’s personal guard) but he cannot because of his moral impossibility to adhere to the barbarities that are proposed to him. He goes into crisis when he comes across a Jewish girl that his mother hides and protects in their home. To complicate matters, his imaginary friend is none other than Führer himself.

JOJO RABBIT struck me as a fascinating film. Firstly, due to the extremely difficult challenge that the young filmmaker Waititi set out to face. I think it did very well. Second, for the excellent cast assembled: Scarlett Johansson, always beautiful, gives a show (a very deserved Oscar nomination) as the daring, sensitive, educating mother who maintains the passion for life, human values ​​and hope in that chaotic scenario; filmmaker Waititi himself as a nutty Hitler who screams “nonsense” slogans all the time creating wonderful comic situations; the always great Californian actor Sam Rockwell, like Colonel Klenzendorf, a Nazi soldier as crazy as he is scared by his questions about the orders he receives; Australian Rebel Wilson (BRIDESMAIDS), as an obese Valkyrie completely hallucinated and warlike; and the excellent New Zealand actress Thomasin McKenzie (seen in LEAVE NO TRACE, THE KING and THE HOBBIT), as the courageous young Jewish woman (impossible not to relate to Anne Frank) in charge of teaching Jojo the reality about people, values ​​and life.

Of course, the film invests a lot in the two boy actors: the Englishman Roman Grifin Davis, a big hit like the young Jojo who gets the nickname “Jojo Rabbit” because he can’t kill a bunny with his bare hands in one of the Nazi youth classes. The protagonist of the film plays wonderfully well, in an extremely difficult role, almost all the time on the scene, alternating humor, drama, tragedy and learning. Bright. His best friend is the beloved Archie Yates, as the fat little Nazi who was totally clumsy and lost in that general chaos.

Taika Waititi‘s film has countless and unquestionable merits. It is sensitive, exciting, beautiful, well written, well directed and captures the attention of the viewer like few others. It could have gone further, no doubt, but it is a beautiful work by a nonconformist and creative filmmaker, as shown in the brilliant first scene to the sound of the Beatles’ I WANNA HOLD YOUR HAND, sung in German. It is a film that must be seen.

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