HUNTERS: Nova Série da Amazon Tem Al Pacino Caçando Nazistas e Influências Claras de Spielberg, Tarantino e Spike Lee

HUNTERS, nova série original da AMAZON PRIME VIDEO é um prato cheio para discussões das mais diversas origens. Em primeiro lugar, acho que é obrigatório referir que existem muito talento e competência envolvidos neste projeto ambicioso de contar a história de um “comando” de pessoas recrutadas por um milionário judeu sobrevivente dos campos de concentração da Segunda Guerra Mundial, para caçar os nazistas refugiados nos Estados Unidos na década de setenta. O produtor Jordan Peele (Diretor de CORRA e US) salienta que a HBO, a EPIX e a STARZ se interessaram pela série, mas depois não confirmaram, o que reforça a importância da multiplicidade de empresas de streaming fazendo produções originais.

Uma série cujo elenco é liderado por Al Pacino é um acontecimento. Sou fã de carteirinha de Al Pacino desde (claro) O PODEROSO CHEFÃO 1 e 2 em que seu Michael Corleone é um dos personagens definitivos do cinema. Mas teve SERPICO, UM DIA DE CÃO, O ESPANTALHO, PERFUME DE MULHER, O ADVOGADO DO DIABO, O INFORMANTE, O IRLANDÊS, muitos trabalhos superiores em filmes maravilhosos. Não que ele tenha chegado aos 80 anos de idade sem alguns escorregões feios, como SIMONE, DICK TRACY, 88 MINUTOS e HANGMAN, filmes fraquíssimos muito aquém do seu talento. Parafraseando o que o Tuio Becker (grande crítico de cinema gaúcho falecido) dizia sobre Hitchcock, posso dizer que “os filmes ruins do Al Pacino são muito bons.”

Aqui, apesar das injustas críticas de que a produção escalou um ator de ascendência italiana para fazer o personagem de um judeu, acho que ele se sai muito bem ao viver o complexo Meyer Offerman, o líder da operação de caça aos nazistas na Nova Iorque dos anos 70, traumatizada pelos crimes do serial killer chamado “O Filho de Sam”. Sempre é ótimo ver um ator superlativo exibir seu talento. Al Pacino alterna momento de força, raiva, indignação e desejo de vingança com momentos sublimes de fragilidade e depressão pelos entes queridos assassinados no Holocausto.

O elenco é espetacular: a ótima Lena Olin, como a chefe do grupo nazista que pretender reinstalar o Quarto Reich, Dylan Baker (perfeito como sempre) como um senador que na realidade é um nazista sádico, o jovem Logan Lehman de PERCY JACKSON), Saul Rubineck e Carol Kane como o casal de vingadores, Tiffany Boone como uma espécie de Jackie Brown assassina, Louis Ozawa, Kate Mulvany, Jeannie Berlin, Annie Hägg, Jerrika Hilton (como Millie a agente do FBI que investiga as mortes). Muito talento e capacidade de interpretação no cast escolhido também pela sua diversidade racial que tem muito a ver com a história narrada.

HUNTERS tem múltiplas influências cinematográficas evidentes em sua construção. A série traz cenas quase explícitas de filmes como MUNICH e A LISTA DE SCHINDLER, ambos de Steven Spielberg (as cenas de flashbacks dos campos de concentração em preto e branco são fortíssimas e difíceis de serem assistidas pelas crueldades que exibem sem filtros), PULP FICTION e BASTARDOS INGLÓRIOS, de Quentin Tarantino, FAÇA A COISA CERTA e O VERÃO DE SAM, de Spike Lee, formando um painel multicolorido riquíssimo para contar sua trama principal.     

Outro ponto de forte discussão sobre os enfoques de HUNTERS é se pode se fazer humor sobre o nazismo, seus traumas e seus seguidores. Está questão veio a tona recentemente em JOJO RABBIT, ótimo filme feito por Taika Waititi. Como referi ali, acho um expediente muito válido (embora no fio da navalha), como já fizeram Quentin Tarantino em BASTARDOS INGLÓRIOS e Mel Brooks em PRIMAVERA PARA HITLER, dois filmes indiscutíveis. HUNTERS, apesar de ser forte, contundente e muitas vezes violento, como adota a narrativa em tom de pulp fiction em muitas oportunidades, não abre mão de ridicularizar mitos como a superioridade ariana. Acho que funciona muito bem.

A imensa maioria das críticas que li desta série afirmaram que ela poderia ter ido mais longe. Isto sempre é possível. Acho que a produção atingiu seus objetivos ao trazer para o palco das discussões (nestes tempos de ressurgimento de um neo nazismo especialmente na Europa) os horrores do Holocausto e a necessidade de se seguir atento às ameaças de renascimento deste tipo de ideologia. De quebra, aborda outros temas essenciais como o racismo, a omissão da Justiça e das autoridades, o bullying, a inclusão e a diversidade em todos os aspectos. Somente por isto (e ainda é uma série muito atraente, bem narrada e emocionante), HUNTERS já merece ser vista e principalmente comentada.

HUNTERS, new original series from AMAZON PRIME VIDEO is a full plate for discussions from the most diverse origins. First of all, I think it is mandatory to mention that there is a lot of talent and competence involved in this ambitious project to tell the story of a “command” of people recruited by a Jewish millionaire survivor from World War II concentration camps, to hunt the Nazi refugees in the United States in the seventies. Producer Jordan Peele (Director of RUN and US) points out that HBO, EPIX and STARZ were interested in the series, but later did not confirm it, which reinforces the importance of the multiplicity of streaming companies making original productions.

A series whose cast is led by Al Pacino is an event. I’ve been a big fan of Al Pacino since (of course) THE GODFATHER 1 and 2 in which his Michael Corleone is one of the definitive characters in cinema. But there was SERPICO, DOG DAY AFTERNOON, THE SCARECROW, SCENT OF A WOMAN, THE DEVIL’S ADVOCATE, THE INFORMER, THE IRISHMAN, many superior works in wonderful films. Not that he reached 80 years old without some ugly slips, like SIMONE, DICK TRACY, 88 MINUTES and HANGMAN, very bad films that are far from his talent. To paraphrase what Tuio Becker (a great late film critic from RS) said about Hitchcock, I can say that “the bad films of Al Pacino are very good.”

Here, despite the unfair criticism that the production cast an actor of Italian descent to play the character of a Jew, I think he does very well in living the very cpomplex role of Meyer Offerman, the leader of the Nazi hunting operation in New York City 70s, ( a city traumatized by the crimes of the serial killer called “The Son of Sam”). It’s always great to see a superlative actor show off his talent. Al Pacino alternates moments of strength, anger, indignation and desire for revenge with sublime moments of fragility and depression for loved ones murdered in the Holocaust.

The cast is spectacular: the great Lena Olin, as the head of the Nazi group that wants to reinstall the Fourth Reich, Dylan Baker (perfect as always) as a senator who is actually a sadistic Nazi, young Logan Lehman from PERCY JACKSON ), Saul Rubineck and Carol Kane as the avengers couple, Tiffany Boone as a kind of murderous Jackie Brown, Louis Ozawa, Kate Mulvany, Jeannie Berlin, Annie Hägg, Jerrika Hilton (as Millie the FBI agent investigating the deaths). A lot of talent and ability to interpret in the cast chosen also for its racial diversity that has a lot to do with the story told.

HUNTERS has multiple cinematographic influences evident in its construction. The series features almost explicit scenes from films such as MUNICH and SCHINDLER’S LIST, both by Steven Spielberg (the black and white concentration camp flashback scenes are very strong and difficult to be watched by the cruelties they display without filters), PULP FICTION and INGLORIOUS BASTERDS, by Quentin Tarantino, DO THE RIGHT THING and SUMMER OF SAM, by Spike Lee, forming a rich multicolored panel to tell your main story.

Another point of strong discussion about HUNTERS ‘approaches is whether humor can be made about Nazism, its traumas and its followers. This issue came up recently in JOJO RABBIT, a great film made by Taika Waititi. As I mentioned there, I think it is a very valid expedient (albeit on a razor’s edge), as Quentin Tarantino did in INGLORIOUS BASTERDS and Mel Brooks in THE PRODUCERS, two indisputable films. HUNTERS, despite being strong, forceful and often violent, as the pulp fiction narrative adopts on many occasions, does not give up on ridiculing myths such as Aryan superiority. I think it works very well.

The vast majority of the reviews I read in this series stated that it could have gone further. This is always possible. I think that the production achieved its objectives by bringing to the stage of discussions (in these times of a resurgence of neo-Nazism especially in Europe) the horrors of the Holocaust and the need to keep an eye on the threats of rebirth of this type of ideology. In addition, it addresses other essential topics such as racism, the omission of justice and authorities, bullying, inclusion and diversity in all aspects. For this reason alone (and it is still a very attractive series, well narrated and exciting), HUNTERS deserves to be seen and mainly commented. Although I thaught that the end of the series was conservative and with lack of creativity.

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