RUAS DE FOGO: Walter Hill Fez uma Ópera Rock Maravilhosa e Inesquecível

Um dia destes li um post no Facebook sobre o filme RUAS DE FOGO, que o cineasta americano Walter Hill fez em 1984. Foi uma verdadeira viagem no tempo. Assisti RUAS DE FOGO a primeira vez no Cine Comodoro, em São Paulo, um cinema de rua gigantesco e com a maior tela em Cinerama que eu já vi. Inaugurado em 1958, o Comodoro ficava na Avenida São João, no centro da cidade. Durante muitos anos não exibia as cópias comuns de 35mm dos filmes, mas apenas as cópias especiais (e raras) de 70mm. Operava com três projetores simultâneos.

RUAS DE FOGO é uma ópera rock maravilhosa que se passa em um universo paralelo, em um tempo propositadamente não identificado pelo roteiro, também de autoria de Walter Hill e Larry Gross. A história conta o rapto de uma cantora de rock chamada Ellen Aim (a então jovem e sempre maravilhosa Diane Lane) pelo marginal Raven Shaddock (Willem Dafoe ótimo como sempre) e seu bando. O namorado e empresário de Ellen, Billy Fish (Rick Moranis, depois famoso pelos filmes da franquia QUERIDA ENCOLHI AS CRIANÇAS) contrata um outsider pistoleiro chamado Tom Cody (Michael Paré, um péssimo ator em seu único papel decente) para resgatá-la. A irmã do protagonista e dona de um Dinner Reva Cody, a ótima novaiorquina Deborah Van Valkenburgh, a pistoleira avulsa McCoy (Amy Madigan em um de seus primeiros papeis no cinema) e a musa dos vilões, Marine Jahan, uma atriz e dançarina francesa que havia dublado Jennifer Beals na famosíssima cena de FLASHDANCE são personagens coadjuvantes absolutamente perfeitos e maravilhosos. 

O cineasta Walter Hill poderia ter tido uma carreira muito mais reconhecida. Fez excelentes filmes. WARRIORS, OS SELVAGENS DA NOITE (outro filme alternativo excepcional), 48 HORASENCRUZILHADAO LIMITE DA TRAIÇÃO e GERÔNIMO: UMA LENDA AMERICANA mostraram o talento invulgar deste cineasta sempre preocupado com roteiros sólidos, personagens complexos e valores humanos extraordinários.

RUAS DE FOGO tem uma trilha sonora excepcional de Ry Cooder, onde pontifica a extraordinária canção Tonight Is What It Means to Be Young (Esta Noite é o Que Significa Ser Jovem), um rock altamente inspirado criado pelo talento de Jim Steinman cantado pela própria Diane Lane na cena chave do filme. O filme também conta com uma fotografia antológica do húngaro Andrew Laszlo.

RUAS DE FOGO é um dos filmes icônicos da minha adolescência. Vê-lo ainda hoje é maravilhoso, nostálgico e emocionante.

One of these days I read a post on Facebook about the movie STREETS OF FIRE, a movie that American filmmaker Walter Hill made in 1984. It was a real time travel. I watched STREETS OF FIRE the first time at Cine Comodoro, in São Paulo, a gigantic street cinema with the biggest screen in Cinerama that I have ever seen. Inaugurated in 1958, the Commodore was on São João Avenue, downtow. For many years, it did not display ordinary 35mm copies of films, but only special (and rare) 70mm copies. It operated with three simultaneous projectors.

STREETS OF FIRE is a wonderful rock opera that takes place in a parallel universe, at a time purposely not identified by the script, also authored by Walter Hill and Larry Gross. The story tells the abduction of a rock singer named Ellen Aim (the then young and always wonderful Diane Lane) by the marginal Raven Shaddock (Willem Dafoe perfect as ever) and his band. Ellen’s boyfriend and manager, Billy Fish (Rick Moranis, later famous for the films in the HONEY, I SHRUNKED THE KIDS franchise) hires a gunslinger outsider named Tom Cody (Michael Paré, a lousy actor in his only decent role) to rescue her. The protagonist’s sister and owner of a Dinner Reva Cody, the great New Yorker Deborah Van Valkenburgh, the loose gunman McCoy (Amy Madigan in one of her first film roles) and the muse of the villains, Marine Jahan, a French actress and dancer who had dance for Jennifer Beals in the very famous scene of FLASHDANCE are supporting characters absolutely perfect and wonderful.

Filmmaker Walter Hill could have had a much more recognized career. He made excellent films. WARRIORS (another exceptional alternative film), 48 HOURSCROSSROADSEXTREME PREJUDICE and GERONIMO: AN AMERICAN LEGEND showed the great talent of this filmmaker always concerned with solid scripts, complex characters and extraordinary human values.

STREETS OF FIRE has an exceptional soundtrack by Ry Cooder, where he punctuates the extraordinary song Tonight Is What It Means to Be Young, a highly inspired rock created by the talent of Jim Steinman sung by Diane Lane herself in the key scene of the film. The film also features an anthological photograph by the Hungarian Andrew Laszlo.

STREETS OF FIRE is one of the iconic films of my teenager age. Seeing it today is still wonderful, nostalgic and exciting.

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