O PREÇO DA VERDADE: Rumoroso Caso Judicial Contra a Dupont Gera Filme Frio

O PREÇO DA VERDADE, que o cineasta Todd Haynes rodou em 2019, estrelado (e produzido) por Mark Ruffalo, Anne Hathaway e Tim Robbins traz a história de uma das maiores ações civis públicas contra grandes corporações nos Estados Unidos. Trata-se do caso que o advogado corporativo Rob Bilot ajuizou contra a Dupont pelo envenenamento de milhares de pessoas através de elementos químicos (PFOA) utilizados na fabricação do TEFLON, aquele anti-aderente que existe em todas as suas panelas e frigideiras.

Bilot é um advogado de Cincinatti, Ohio que durante vinte anos litiga com a Dupont. Em 2019, houve um acordo no processo pelo qual a Dupont pagou US$ 671 milhões aos autores da class action patrocinada por Bilot.

O filme traz a história desde o início, quando Bilot foi procurador em seu mega escritório por um fazendeiro da West Virginia levando várias fitas VHS mostrando os danos em seu gado e fazenda. O fazendeiro tinha sido encaminhado pela avó de Bilot, residente de West Virginia.

São muitos os filmes semelhantes a O PREÇO DA VERDADE. ERIN BROCKOVICH, JULGAMENTO FINAL, CONDUTA DE RISCO, TERRA FRIA, e muitos outros. Tenho há bastante tempo como certo que a grande dificuldade destes filmes é evitar o “juridiquês” que afasta os espectadores leigos e conseguir criar o clima emocional essencial ao envolvimento de quem assiste.

Estas tarefas são bem complexas. Na minha opinião, O PREÇO DA VERDADE não conseguiu se sair bem na tentativa de manter a emoção. Achei o roteiro, o filme e as interpretações frias. Olha que sou fã de carteirinha da Anne Hathaway, mas achei seu trabalho bem padrão. Igualmente considero Tim Robbins um excelente ator (soberbo, por exemplo em O JOGADOR, de Robert Altman); aqui ele está burocrático e quase desinteressado. Mark Ruffalo, o protagonista, nunca foi um expoente da arte de atuar. Acho seu melhor trabalho o do jornalista Mike Rezendes, no excelente SPOTLIGHT: SEGREDOS REVELADOS, de Tom Mc Carthy. Aqui, na minha visão, ele caiu na mesma armadilha que sugou John Travolta no confuso e gelado A QUALQUER PREÇO. Muita informação, maniqueísmo (os vilões são demasiadamente ruins) e pouca emoção.

Também gosto muito do cinema de Todd Haynes, o que aumenta minha decepção. CAROL é um filmaço. DISTANTE DO PARAÍSO é um filme impressionante. Acho que ele não soube – como nestes trabalhos anteriores de altíssimo nível – contar a história e emocionar a plateia.

O caso enfocado em O PREÇO DA VERDADE é tão impressionante que advogados e profissionais do Direito vão conseguir ver o filme com interesse. Acho que fica por aí. Os espectadores leigos vão achar o filme arrastado, frio e chato.

DARK WATERS, which filmmaker Todd Haynes shot in 2019, starring (and produced) by Mark Ruffalo, Anne Hathaway and Tim Robbins brings the story of one of the largest public civil actions against large corporations in the United States. This is the case that corporate lawyer Rob Bilot filed against Dupont for the poisoning of thousands of people through chemical elements (PFOA) used in the manufacture of TEFLON, that non-stick that exists in all its pots and pans.

Bilot is a lawyer from Cincinatti, Ohio who has been with Dupont for twenty years. In 2019, there was an agreement in the process for which Dupont paid $ 671 million to the authors of the class action sponsored by Bilot.

The film brings the story from the beginning, when Bilot was a prosecutor in his mega office by a West Virginia farmer carrying several VHS tapes showing the damage to his cattle and farm. The farmer had been referred by Bilot’s grandmother, a West Virginia resident.

There are many films similar to DARK WATERS. ERIN BROCKOVICH, CLASS ACTION, MICHAEL CLAYTON, NORTH COUNTRY, and many others. I have for a long time taken for granted that the great difficulty of these films is to avoid the “legalism” that keeps lay viewers away and to manage to create the emotional climate essential to the involvement of those who watch.

These tasks are quite complex. In my opinion, DARK WATERS did not succeed in trying to maintain the emotion. I found the script, the film and the interpretations cold. Look, I’m a fan of Anne Hathaway‘s card, but I found her work very standard. I also consider Tim Robbins to be an excellent actor (superb, for example in THE PLAYER, by Robert Altman); here he is bureaucratic and almost uninterested. Mark Ruffalo, the protagonist, was never an exponent of the art of acting. I think your best work is that of journalist Mike Rezendes, in the excellent SPOTLIGHT, by Tom Mc Carthy. Here, in my view, he fell into the same trap that sucked John Travolta into the confused and cold CIVIL ACTION. Too much information, manichaeism (villains are too bad) and too little emotion.

I also like a lot the movies made by Todd Haynes. CAROL is an outstanding picture. FAR FROM HEAVEN is also a great movie. Here, I think he could not get the task of tell the story and maintain the emotion.

The case focused on DARK WATERS is so impressive that lawyers and legal professionals will be able to see the film with interest. I think it ends there. Lay viewers will find the film dragged, cold and boring.

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