IMPULSO DE VINGANÇA: Violência Contra a Mulher Gera Telefilme com Vários Elementos Criativos

IMPULSO DE VINGANÇA (BIG DRIVER) é um telefilme do Canal LIFETIME (disponível na Amazon Prime Video), dirigido pelo cineasta sueco Mikael Salomon (diretor de TV conhecido pela série SIX), em 2014, a partir de uma história curta do escritor Stephen King.  O filme narra um episódio de violência sexual sofrido por uma escritora de livros de mistério quando se perde em uma estrada remota. A forma que ela encontra de se reerguer é usar seus conhecimentos investigativos para chegar aos culpados e efetuar sua vingança.

A primeira nota distintiva do filme é que normalmente os telefilmes do Canal LIFETIME são pasteurizados e em clima familiar. BIG DRIVER, ao contrário é extremamente violento e com cenas muito gráficas tanto no episódio do estupro da protagonista quanto na vingança que se segue, algo inteiramente fora do usual em um telefilme.

Filmes sobre vinganças de mulheres violentadas normalmente caem no estereótipo do “olho por olho”, contendo julgamentos morais sem sentido. A VIOLENTADA (LIPSTICK, 1976), com Margaux Heminghway e Chris Sarandon é um exemplar filme ruim feito a partir deste tipo de episódio. Na minha opinião, THE BRAVE ONE, com Jodie Foster é uma exceção que confirma a regra. É um filme forte, contundente, pesado, mas muito bem escrito e dirigido.

BIG DRIVER consegue encontrar vários elementos de real interesse, atenuando este impacto negativo da trama de vingança pelas próprias mãos. O primeiro são as personagens ficcionais da escritora, as velhinhas do “Clube do tricot”, cujas aparições (imaginárias é claro) são divertidas e plenas de humor negro. O segundo são os delírios emocionais que a personagem traumatizada sofre, igualmente criativos ao extremo, como os diálogos com o sistema de GPS de navegação de seu carro, sempre com frases de grande significado no momento experimentado pela motorista.

A trama da vingança em si mesma nada acresce ao filme. É fácil de se prever (o suposto twist do roteiro não impressiona) e arrasta a narrativa para um final padrão. Maria Bello (a atriz de COYOTE UGLY, HISTÓRIA DE VIOLÊNCIA e da ótima série original da Amazon, GOLIATH), como sempre, consegue transmitir grande credibilidade, mesmo nas desafiadoras cenas das alucinações da protagonista.

Ao lado dela estão a sempre ótima Olimpia Dukakis, duas surpreendentes atuações da atriz e cantora Joan Jett (como uma dona de restaurante igualmente traumatizada pela violência contra a mulher) e da atriz Ann Dowd (que vai de boazinha à vilã com igual categoria). O “bad boy” da vez é muito bem feito pelo ator Will Harris (O PREÇO DO AMANHÃ).

BIG DRIVER tem outro item de interesse que é o fato de uma história de Stephen King, apesar de ter a violência habitual, nada ter de sobrenatural, o que não deixa de ser curioso embora não inédito (a excelente MISERY é assim).

Para um telefilme (especialmente do LIFETIME), BIG DRIVER é bom de se assistir, consegue criar o clima de suspense pretendido, traz novidades e é bastante bem produzido e realizado. Passou no teste.

BIG DRIVER is a telefilm from the LIFETIME Channel (available on Amazon Prime Video), directed by Swedish filmmaker Mikael Salomon (TV director known for the SIX series), in 2014, from a short story by writer Stephen King . The film narrates an episode of sexual violence suffered by a mystery book writer when she gets lost on a remote road. The way she finds herself standing up is to use her investigative knowledge to reach out to the culprits and carry out her revenge.

The first distinguishing note of the film is that normally the LIFETIME Channel films are pasteurized and in a family atmosphere. BIG DRIVER, on the contrary, is extremely violent and with very graphic scenes both in the episode of the rape of the protagonist and in the revenge that follows, something entirely unusual in a telefilm.

Films about the revenge of abused women usually fall under the “eye for an eye” stereotype, containing meaningless moral judgments. LIPSTICK (1976), with Margaux Heminghway and Chris Sarandon is an exemplary bad film made from this type of episode. In my opinion, THE BRAVE ONE, with Jodie Foster is an exception that confirms the rule. It is a strong, blunt, heavy film, but very well written and directed.

BIG DRIVER manages to find several elements of real interest, mitigating this negative impact of the revenge plot by her own hands. The first are the fictional characters of the writer, the old ladies of the “Knit Club”, whose appearances (imaginary of course) are fun and full of dark humor. The second is the emotional delusions that the traumatized character suffers, equally creative in the extreme, such as dialogues with the GPS navigation system of her car, always with phrases of great significance at the moment experienced by the driver.

The plot of vengeance in itself adds nothing to the film. It’s easy to predict (the supposed twist of the script doesn’t impress) and drags the narrative to a standard ending. Maria Bello (the actress from COYOTE UGLY, A HISTORY OF VIOLENCE and the great original series from Amazon, GOLIATH), as always, manages to convey great credibility, even in the challenging scenes of the protagonist’s hallucinations.

Beside her are the always great Olimpia Dukakis, two surprising performances by actress and singer Joan Jett (as a restaurant owner equally traumatized by violence against women) and actress Ann Dowd (who goes from good to bad with a similar category). The “bad boy” of the time is very well done by the actor Will Harris.

BIG DRIVER has another item of interest that is the fact that a Stephen King story, despite having the usual violence, has nothing supernatural, which is curious though not unheard of (the excellent MISERY is like that).

For a telefilm (especially from LIFETIME), BIG DRIVER is good to watch, manages to create the desired suspense atmosphere, brings news and is quite well produced and realized. It passed the test.

Anúncios

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.