O INOCENTE: Visconti Fez um Filme Deslumbrante e Emocionante a Partir do Livro de D’Annunzio

Ontem eu postei no Facebook, um serviço de streaming chamado FILM MOVEMENT PLUS, especializado em filmes clássicos e obras premiadas em festivais ao redor do mundo. Entre as atrações deste mês está L’INNOCENTE, último filme do mestre italiano Luchino Visconti.

Vi O INOCENTE pela primeira vez em uma sessão do Clube de Cinema de Porto Alegre, no Cinema Um Sala Vogue, há uns quarenta e poucos anos atrás. Sigo impressionado com o filme, pela força de sua história, perfeição de sua realização e interpretações de seu elenco.

Baseado no livro clássico do escritor Gabrielle D’Annunzio e com roteiro de um dos melhores roteiristas italianos de todos os tempos, o lendário Suso Cecchi D’Amico e do próprio Luchino Visconti, L’INNOCENTE narra a história de um casal aristocrático em que o marido machista se apaixona por uma possessiva mulher que frequenta a corte. Seu comportamento reprovável com a esposa muda quando passa a desconfiar que ela também possa ter sido infiel.

Os filmes de Visconti se caracterizavam por histórias densas e profundas, cheias de conflitos pessoais e sociais, contadas em filmes plasticamente belíssimos, onde a música, os figurinos e a fotografia reforçavam a temática e faziam o espectador sem fôlego a cada nova cena. Os clássicos IL GATTOPARDO, ROCCO E I SUOI FRATELLI, VIOLÊNCIA E PAIXÃO e MORTE EM VENEZA estão entre os maiores filmes da história do cinema. Quando fez L’INNOCENTE, Visconti já estava doente e próximo da morte (morreu em 1976 e o filme foi lançado em 1979). Mas sua inconformidade e talento seguiam aguçados e intocados.

Giancarlo Giannini faz seu melhor trabalho como Tullio Hermil, o marido infiel e enciumado; Laura Antonelli, deslumbrantemente linda vive a esposa Giuliana Hermil; e Jennifer O’Neil faz a ameaçadora Teresa Raffo. As cenas entre os três parecem a encenação de uma ópera, tamanha a perfeição das imagens e diálogos.

Quatro outros nomes se destacam na equipe técnica do filme: o diretor de fotografia Pasqualino de Santis(trabalho magnífico), o montador famoso Ruggero Mastroianni, o músico Franco Nanino e o figurinista Piero Tosi. Pelas fotos do filme se vê quão espetacular era seu visual. Marcou época.

L’INNOCENTE não é citado normalmente entre os melhores filmes de Luchino Visconti. Mas se trata de uma obra poderosa e que mais de quarenta anos depois emociona e encanta como naquela manhã de domingo no Clube de Cinema.

Yesterday I posted on Facebook, a streaming service called FILM MOVEMENT PLUS, specialized in classic films and award-winning works at festivals around the world. Among the attractions of this month is L’INNOCENTE, the last film by the Italian master Luchino Visconti.

I saw THE INNOCENT for the first time in a screening at the Porto Alegre Film Club, at Cinema Um Sala Vogue, some forty years ago. I am still impressed by the film, due to the strength of its history, the perfection of its realization and the interpretations of its cast.

Based on the classic book by writer Gabrielle D’Annunzio and scripted by one of the best Italian screenwriters of all time, the legendary Suso Cecchi D’Amico and Luchino Visconti himself, L’INNOCENTE tells the story of an aristocratic couple in which chauvinist husband falls in love with a possessive woman who attends court. His disapproving behavior towards his wife changes when he begins to suspect that she, too, may have been unfaithful.

Visconti‘s films were characterized by dense and profound stories, full of personal and social conflicts, told in plastically beautiful films, where music, costumes and photography reinforced the theme and made the viewer breathless with each new scene. The classics IL GATTOPARDO, ROCCO E I SUOI ​​FRATELLI, VIOLENCE AND PASSION and DEATH IN VENICE are among the greatest films in the history of cinema. When he made L’INNOCENTE, Visconti was already sick and close to death (he died in 1976 and the film was released in 1979). But his non-conformity and talent remained sharp and untouched.

Giancarlo Giannini does his best work as Tullio Hermil, the unfaithful and jealous husband; Laura Antonelli, stunningly beautiful, lives his wife Giuliana Hermil; and Jennifer O’Neil plays the menacing Teresa Raffo. The scenes between the three seem to be the staging of an opera, such is the perfection of the images and dialogues.

Four other names stand out in the film’s technical team: cinematographer Pasqualino de Santis (magnificent work), famous editor Ruggero Mastroianni, musician Franco Nanino and costume designer Piero Tosi. From the pictures of the film you can see how spectacular it was.

L’INNOCENTE is not normally mentioned among Luchino Visconti‘s best films. But it is a powerful work that, more than forty years later, moves and delights as it did that Sunday morning at the Cinema Club.

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