A DÁLIA NEGRA: Brian de Palma Errou o Alvo e Deixou de Fazer Outro Grande Filme

BATALHA NAVAL. Era um jogo da minha infância onde duas crianças desenhavam uma frota naval em uma folha quadriculada que tinha o alfabeto nas linhas horizontais e os números de 1 a 15 nas colunas verticais. Ficavam razoavelmente longe um do outro e cantavam três “tiros”. Quando naquela casa não havia nada, a gente respondia “água”.

Fui rever DÁLIA NEGRA, filme que Brian de Palma rodou em 2006, a partir do episódio histórico do assassinato e mutilação da jovem Elizabeth Short aspirante à atriz em Los Angeles nos anos 40. Brian de Palma (de quem gosto muito) errou feio o tiro e fez um filme frio e sem envolvimento.

E olha que tinha tudo para ser uma grande filme. Um elenco mais do que interessante: Scarlet Johansson (linda e maravilhosa como sempre), Aaron Eckhart, Hillary Schwank, Mia Kirschner (ótimo trabalho como a falecida Elizabeth Short, entrevistada nos testes pela voz do próprio Brian de Palma), a irlandesa Fiona Shaw (que faz a melhor cena do filme). Na minha opinião houve um erro grave na escolha do protagonista: o ator Josh Hartnett, que vive o policial Dwight ‘Bucky’ Bleichert (inclusive narrando o filme) é muito fraco e não tem estofo para conduzir a ação do filme. Há mesmo uma bela cena em que os três personagens principais vão ao cinema ver o filme mudo O HOMEM QUE RI, de 1928, com Conrad Veidt.

A história (da antologia do crime em Los Angeles) foi baseada no livro de James Elroy que recriou o episódio da morte da Dália Negra em todos os seus detalhes.A trilha sonora é do competente novaiorquino Mark Isham e a fotografia é do húngaro multipremiado Vilmos Szigmond.

A produção do filme foi para lá de difícil. O projeto iniciou em 1986, levando mais de vinte anos para chegar às telas. Brian de Palma queria fazer uma versão de três horas, com muito maior detalhamento, principalmente da obsessão de Lee pela assassinada. Realmente se nota que há alguns saltos na narrativa, deixando lacunas na história. David Fincher teria se interessado por dirigir o filme, mas pretenderia fazer tudo em preto e branco e mais dark. Terminou se desinteressando. Vários atores e atrizes foram cogitados e convidados mas saíram do projeto: Eva Green e Mark Wahlberg por exemplo.

O que se vê na tela é frio e cheio de problemas, o que desperdiça uma grande oportunidade. Comparando com um “primo ilustre” de temática próxima, o excepcional LOS ANGELES: CIDADE PROIBIDA, de Curtis Hanson se vê uma diferença abissal entre os dois filmes. No filme de Hanson há emoção, suspense, medo, conflito e paixão. Tudo o que falta no filme de Brian de Palma.

Brian de Palma tem alguns filmes maravilhosos em sua longa carreira (já dirigiu 43 filmes): TRÁGICA OBSESSÃO, OS INTOCÁVEIS, CARRIE A ESTRANHA, VESTIDA PARA MATAR, UM TIRO NA NOITE, SCARFACE, DUBLÊ DE CORPO, só para citar alguns títulos. Mas tem filmes indefensáveis, como MISSÃO MARTE, PAIXÃO, PECADOS DE GUERRA.

DÁLIA NEGRA, infelizmente, está mais para este segundo grupo que para os melhores momentos do diretor. Realmente uma pena.

BATTLESHIP. It was a game from my childhood where two children drew a naval fleet on a checkered sheet that had the alphabet on the horizontal lines and the numbers from 1 to 15 on the vertical columns. They were reasonably far from each other and sing three “shots”. When there was nothing in that house, we answered “water”.

I went to review THE BLACK DAHLIA, a film that Brian de Palma shot in 2006, based on the historical episode of the murder and mutilation of the young Elizabeth Short, an aspiring actress in Los Angeles in the 1940s. Brian de Palma (whom I really like) was very wrong. shot and made a cold and uninvolved film.

And look, it had everything to be a great movie. A more than interesting cast: Scarlet Johansson (beautiful and wonderful as always), Aaron Eckhart, Hillary Schwank, Mia Kirschner (great job like the late Elizabeth Short, interviewed in tests by Brian de Palma’s own voice), Irish Fiona Shaw (which makes the best scene in the film). In my opinion there was a serious mistake in the choice of the protagonist: the actor Josh Hartnett, who lives the policeman Dwight ‘Bucky’ Bleichert (including narrating the film) is very weak and has no padding to guide the action of the film. There is still a beautiful scene in the movie, where the three main carachters go to the theater to see THE MAN WHO LAUGHS (1928), with Conrad Veidt.

The story (from the anthology of crime in Los Angeles) was based on the book by James Elroy that recreated the episode of the death of the Black Dahlia in all its details. The soundtrack is by the competent New Yorker Mark Isham and the photograph is by the multi-award-winning Hungarian Vilmos Szigmond.

The production of the film was more than difficult. The project started in 1986, taking more than twenty years to reach the screens. Brian de Palma wanted to do a three-hour version, in much greater detail, mainly about Lee’s obsession with the murdered woman. It really does notice that there are some leaps in the narrative, leaving gaps in the story. David Fincher would have been interested in directing the film, but he intended to do everything in black and white and darker. He ended up losing interest. Several actors and actresses were considered and invited but left the project: Eva Green and Mark Wahlberg for example.

What you see on the screen is cold and full of problems, which wastes a great opportunity. Compared to a “illustrious cousin” with a close theme, the exceptional L.A.CONFIDENTIAL, by Curtis Hanson, sees an abysmal difference between the two films. In Hanson’s film there is emotion, suspense, fear, conflict and passion. Everything missing from Brian de Palma’s film.

Brian de Palma has some wonderful films in his long career (he has already directed 43 films): OBSESSION, THE UNTOCHABLES, CARRIE, DRESSED TO KILL, BLOWOUT, SCARFACE, BODY DOUBLE, just to name a few titles. But there are indefensible films, like MISSION MARTE, PASSION, CASUALTIES OF WAR.

THE BLACK DAHLIA, unfortunately, is more for this second group than for the best moments of the director. Really a pity.

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