O OFICIAL E O ESPIÃO (J’ACCUSE): Polanski Faz um Excepcional Filme Sobre o Caso Dreyfuss (e Sobre a Desumanidade, Antissemitismo, Hipocrisia…)

O maior erro judiciário da história é o julgamento de culpado por traição imposto por uma corte militar francesa ao Capitão Alfred Dreyfuss, condenado à expulsão desonrosa do exército francês e à prisão na Ilha do Diabo, na Guiana Francesa. Depois de 11 anos, foi perdoado pelo Governo Francês e posteriormente absolvido de todas as acusações e reintegrado ao Exército.

Há vários filmes sobre o caso. Roman Polanski, cineasta polonês cujo talento e propensão à polêmica se igualam fez este O OFICIAL E O ESPIÃO (J’ACCUSE ou AN OFFICER AND A SPY), um magnífico filme sobre o caso, ganhador de 3 Césars e 4 prêmios no Festival de Veneza. Está na Amazon prime Video e na Apple TV+.

O título original J ‘ACCUSE é uma referência à clássica carta do escritor Emile Zola ao Presidente da França, quando tomou conhecimento dos fatos da conspiração para condenar injustamente Dreyfuss.

O filme de Polanski acompanha as investigações que o Coronel de Inteligência Georges Piccard faz do caso, desde que lhe surgem as primeiras dúvidas sobre a culpabilidade de Dreyfuss até a perseguição que o investigador sofre de parte do Estado Maior do Exército Francês para abandonar, abafar ou encerrar o caso, sem se importar com a condenação injusta.

Jean Dujardin (Oscar de Melhor Ator por O ARTISTA) faz um trabalho memorável como Piccard. Emmanuelle Seigner (esposa de Polanski) vive sua amante, Pauline Moniier (igualmente vítima de perseguição qaundo o escândalo Dreyfuss vem à tona). Louis Garrel é perfeito como um Dreyfuss indignado mas sofrendo em silêncio às injustas humilhações que lhe impõem.Mathieu Amalric e Vincent Peres também compõem o elenco.

Polanski – que faz uma aparição a la Hitchcock no filme – não está entre meus cineastas favoritos, embora reconheça seu talento cinematográfico superior. Na minha opinião, seus melhores filmes ainda são CHINATOWN e A DANÇA DOS VAMPIROS, uma sátira brilhante estrelada por Sharon Tate no longínquo 1968. AN OFFICER AND A SPY me balançou muito. É um filme espetacular, de realização difícil e sofisticada, brilhantemente escrito, dirigido e interpretado e que, como raros títulos, consegue expressar um conteúdo universal e humano.

O antissemitismo que vitimou Dreyfuss, a hipocrisia das instituições (especialmente as que se vangloriam da honra e da ilibada reputação), a corrupção moral de pessoas em altas posições de poder, a manipulação popular dão ao filme de Polanski não somente uma excelência rara como uma perenidade como obra de arte. A cena da expulsão e degradação de Dreyfuss é antológica, violenta e perturbadora.

J’ACCUSE é um filme excepcional. Deve ser visto por todos.

The biggest judicial error in history is the conviction of a culprit for treason imposed by a French military court on Captain Alfred Dreyfuss, sentenced to dishonorable expulsion from the French army and imprisonment on the Isle of the Devil in French Guiana. After 11 years, he was pardoned by the French Government and later acquitted of all charges and reinstated to the army.

There are several films about the case. Roman Polanski, Polish filmmaker whose telent and propensity for controversy are the same, made this AN OFFICER AND THE SPY (J’ACCUSE), a magnificent film about the case, winner of 3 Cesars and 4 awards at the Venice Film Festival .

The original title J ‘ACCUSE is a reference to the classic letter by writer Emile Zola to the President of France, when he learned of the conspiracy facts to unjustly condemn Dreyfuss.

Polanski’s film follows the investigations that the Colonel of Intelligence Georges Piccard makes of the case, since the first doubts about Dreyfuss’ culpability arise until the persecution that the investigator suffers from part of the General Staff of the French Army to abandon, stifle or close the case, regardless of unfair conviction.

Jean Dujardin (Oscar for Best Actor for THE ARTIST) does a memorable job as Piccard. Emmanuelle Seigner (Polanski’s wife) lives his lover, Pauline Monnier (also a victim of persecution when the Dreyfuss scandal comes to the fore). Louis Garrel is perfect as an indignant Dreyfuss but silently suffering from the unfair humiliations that they impose on him. Mathueu Amalric and Vincent Peres also make up the cast.

Polanski – that makes a cameo in the filme a la Hitchcock – is not among my favorite filmmakers, although I recognize his superior cinematic talent. In my opinion, his best films are CHINATOWN and THE FEARLESS VAMPIRE KILLERS, a brilliant satire starring Sharon Tate in the distant 1968. AN OFFICER AND A SPY rocked me a lot. It is a spectacular film, of difficult and sophisticated realization, brilliantly written, directed and interpreted and, like rare titles, it manages to express a universal and human content.

The anti-Semitism that victimized Dreyfuss, the hypocrisy of institutions (especially those that boast honor and unblemished reputation), the moral corruption of people in high positions of power, popular manipulation give Polanski’s film not only a rare excellence as a perenniality as a work of art. The scene of the expulsion and degradation of Dreyfuss is anthologic, violent and deeply disturbing.

J’ACCUSE is an exceptional film. It must be seen by everyone.

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