MEPHISTO: Obra Prima de István Szabó Tem Muito de Auto Biografia

Um dos melhores filmes de 1981 foi MEPHISTO, do cineasta húngaro István Szabó, uma drama com mais de 2h24min propondo uma releitura da clássica história de Fausto e seu pacto com o Demônio.

Segundo a popular lenda alemã FAUSTO, um médico e alquimista alemão chamado Johannes Georg Fausto, desencantando com os conhecimentos médicos do seu tempo teria feito um pacto com o demônio Mefistófeles que lhe dá energia para ter paixão, sabedoria e progresso. Inúmeros textos literários exploram a lenda de FAUSTO, sendo o mais famoso do ao escritor alemão GOETHE, uma peça teatral publicada em 1806 (a primeira parte) e 1832 (a segunda parte).

O filme de Szabó narra a história de um destacado ator do teatro alemão que, nos anos trinta, às vésperas da Segunda Guerra Mundial, e já no regime nazista, se vê diante de um dilema: fazer valer suas convicções e valores pessoais ou renunciar a eles e usufruir as benesses do regime dominante?

O filme ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, o David di Donatello, 3 prêmios em Cannes (Roteiro, Diretor e FIPRESCI) e outros 14 prêmios internacionais.

Segundo o site IMDB, “Istvan Svabo foi o primeiro diretor húngaro a ganhar um Oscar (embora um diretor húngaro-americano, Michael Curtiz [Mihaly Kertesz], também tenha ganho um Oscar anteriormente por dirigir Casablanca). Ele recebeu o prêmio por seu filme de 1981, Mephisto. Em janeiro de 2006, tornou-se público que ele era um agente do departamento III / III, uma antiga agência comunista de inteligência interior. Após a revolução em 1956, ele foi chantageado e forçado a cooperar, embora mais tarde tenha sido considerado voluntariamente cooperativo. Alegadamente, ele escreveu relatos sobre colegas diretores, atores e atrizes húngaros, como Miklós Jancsó, Mari Töröcsik e Károly Mécs. Um conhecido jornalista húngaro, Zsolt Bayer, disse o seguinte: “Este é o momento de voltar a assistir Mephisto. Tornou-se óbvio que Szabo dirigiu sua própria vida no filme, com maestria”. Szabo nunca negou as acusações e considera seu agente um trabalho heróico e necessário, alegando que salvou a vida de um amigo condenado à morte por seu envolvimento na revolução de 1956.”

O lendário crítico de cinema Roger Ebert, ao dar 4 estrelas (de 4 possíveis) para MEPHISTO, escreveu: “Em “Mephisto”, um filme que ocorre na Alemanha durante a ascensão do nazismo, existem muitos insultos, mas o mais ofensivo é simplesmente a palavra “ator”! Ela é gritada para o herói do filme por seu patrocinador, um general nazista encarregado de assuntos culturais. Nós olhamos para o rosto do ator, mas somos incapazes de determinar o que ele está pensando ou o que ele está sentindo. Talvez seja isso que o torna um grande ator e um ser humano ignóbil. O ator é interpretado por Klaus Maria Brandauer, em uma performance de energia eletrizante; ele nos deixa intensamente fascinados por seu personagem enquanto nos mantém do lado de fora – até descobrirmos que não há interior. Ele interpreta um ator chamado Hendrik Hoefgen, mas mesmo isso não está certo; o nome verdadeiro dele é “Heinz” até que ele seja atualizado. (“Meu nome não é meu nome”, diz ele a si mesmo, “porque sou ator”.) Hoefgen revela amargamente desde cedo que o que mais odeia em si é que é um “ator provincial”. Eventualmente, ele se tornará o ator mais famoso e admirado da Alemanha, e o chefe de seu teatro estadual, mas essa progressão é de fato uma descida ao inferno… Como produção física, o filme é de tirar o fôlego. Szabo faz do escritório do general um trono cercado por um espaço vazio. Ele cria elegantes cenas de festa nas quais as pessoas conectadas fofocam umas sobre as outras; eles culminam com uma celebração espetacular no pavilhão de caça Grunewald. Enormes suásticas transformam edifícios comuns em temíveis. O mecanismo pelo qual algumas pessoas são exiladas e outras “desaparecem” é condensado em breves e temíveis caronas. Nenhum esforço é feito para retratar Hitler ou o militarismo alemão ou a perseguição em larga escala aos judeus; tudo isso acontece nos bastidores, considerando que o palco é a vida de Hoefgen. E Szabo termina o filme com um golpe de mestre visual, no qual Hoefgen é capaz de finalmente ter os holofotes para si mesmo.”

MEPHISTO, por tudo (a interpretação de Brandauer, o roteiro de Szabó baseado no livro de Klaus Mann, a fotografia, a direção de arte, a trilha sonora) é um filme inesquecível. Este tom autobiográfico lhe acrescenta ainda mais grandeza. Dos melhores filmes da década com certeza.

One of the best films of 1981 was MEPHISTO, by the Hungarian filmmaker István Szabó, a drama with more than 2h24min proposing a re-reading of the classic story of Faust and his pact with the Devil.

According to the popular German legend FAUSTO, a German physician and alchemist named Johannes Georg Fausto, disenchanted with the medical knowledge of his time, would have made a pact with Mephistopheles that gives him energy to have passion, wisdom and progress. Numerous literary texts explore the legend of FAUSTO, the most famous being the German writer GOETHE, a play published in 1806 (the first part) and 1832 (the second part).

Szabó’s film tells the story of a prominent German theater actor who, in the thirties, on the eve of the Second World War, and already in the Nazi government, faces a dilemma: to assert his personal beliefs and values ​​or to renounce them and enjoy the benefits of the dominant regime?

The film won the Oscar for Best Foreign Film, a David di Donatello, 3 awards in Cannes (Screenplay, Director and FIPRESCI) and 14 other international awards.

According to the IMDB website, “Istvan Svabo was the first Hungarian director to win an Oscar (Although a Hungarian-American director, Michael Curtiz [Mihaly Kertesz], also won an Oscar previously for directing Casablanca). He received the award for his 1981 movie Mephisto. In January 2006, it became public that he had been an agent of the III/III department, a former communist agency of interior intelligence. After the revolution in 1956, he was blackmailed and forced to cooperate, though later he was considered willingly cooperative. Allegedly, he wrote reports about fellow Hungarian directors, actors and actresses such as Miklós Jancsó, Mari Töröcsik, Károly Mécs. A well-known Hungarian journalist Zsolt Bayer has said the following about it: “This is the time to re-watch Mephisto. It has just become obvious that Szabo directed his own life in the movie, masterfully.” Szabo has never denied the charges and considers his agent work heroic and needful, claiming he saved the life of a friend sentenced to death for his involvement in the revolution of 1956. “

The legendary film critic Roger Ebert, when giving 4 stars (out of 4 possible) to MEPHISTO, wrote: “

In “Mephisto,” a movie that takes place in Germany during the rise of Nazism, there are many insults, but the most wounding is simply the word “actor”! It is screamed at the film’s hero by his sponsor, a Nazi general who is in charge of cultural affairs. We stare into the actor’s face, but are unable to determine what he is thinking, or what he is feeling. Maybe that is what makes him a great actor and an ignoble human being. The actor is played by Klaus Maria Brandauer, in a performance of electrifying power; he makes us intensely fascinated by his character while keeping us on the outside — until we discover there is no inside. He plays an actor named Hendrik Hoefgen, but even that’s not quite right; his real name is “Heinz” until he upgrades it. (“My name is not my name,” he says to himself, “because I am an actor.”) Hoefgen bitterly reveals early on that what he hates most about himself is that he is a “provincial actor.” Eventually he will become Germany’s most famous and admired actor, and the head of its State Theater, but that progression is in fact a descent into hell… As a physical production, the film is breathtaking. Szabo makes the General’s office a throne surrounded by empty space. He creates elegant party scenes at which the connected people gossip about one another; they climax with a spectacular celebration at the Grunewald hunting lodge. Huge swastikas turn ordinary buildings into fearful ones. The mechanism by which some people are exiled and others “disappear” is condensed into brief, fearful automobile rides. No effort is made to depict Hitler or German militarism or large-scale persecution of the Jews; all that takes place offstage, considering that the stage is Hoefgen’s life. And Szabo ends the film with a visual masterstroke in which Hoefgen is able at last to have the limelight all to himself.”

MEPHISTO, for everything (Brandauer‘s interpretation, Szabó‘s script based on Klaus Mann‘s book, photography, art direction, soundtrack) is an unforgettable film. This auto biographical level adds even more greatness to the film. Of the best of the decade for sure.

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