O CONVITE: Qual o Motivo Deste Jantar com a Ex-Esposa?

A NETFLIX apresenta o filme O CONVITE. É um thriller dirigido pela cineasta novaiorquina Karyn Kusama (justamente incensada pela crítica depois do interessante O PESO DO PASSADO, com Nicole Kidman).

O ponto de partida do roteiro é primoroso: um casal que mora em uma mansão nas colinas de Los Angeles perde um filho em uma tragédia. Eles se separam em face do trauma e a mulher desaparece por dois anos. Ao voltar, ela (e o novo marido) convidam o ex, sua nova esposa e os amigos próximos para um jantar de reencontro exatamente na casa cenário da tragédia. O protagonista tem a forte sensação de que sua ex-esposa e amigos têm uma agenda secreta para aquela noite.

O filme investe forte no suspense sobre o que teria acontecido no passado e o que pode acontecer no presente. Tem uma batida de terror moderno (algo na linha de CORRA!) e um tom levemente onírico que lhe dá um interesse permanente. Vários personagens parecem saídos dos filmes de David Lynch.

No elenco, o ascendente Logan Marshall-Green, Emayatzy Corinealdi, Tammy Blanchard (ótima como a anfitriã meio mística meio serial killer), Michiel Huisman, John Caroll Lynch, Aiden Lovekamp, Michelle Krusiec e Mike Doyle.

O melhor do filme é a atmosfera que a diretora consegue criar. A gente vai avançando na narrativa sem saber no que vai dar. Olhares dúbios, cenas ambíguas, insinuações e afagos duvidosos vão antevendo o que pode ser trágico, mas pode ser apenas paranoia do protagonista traumatizado e ressentido.

Qual o propósito do convite? Este é o mote de um filme bem feito, competente e que consegue por vezes ser assustador.

Manohla Dargis, no THE NEW YORK TIMES, escreveu: “Jantares nos filmes tendem a ser assuntos superdeterminados, cenários ideais para a inteligência, a sabedoria e o colapso da civilização. No início, não há muita coisa errada sobre a festa no filme de baixo orçamento “The Invitation”. A maioria dos convidados parece tão confortável quanto o cenário, um covil modernista preso em uma encosta de Los Angeles. Ainda assim, há algo de errado com a anfitriã, que está andando descalça com um sorriso vago e um longo vestido branco. É o tipo de situação que Joan Didion poderia ter explorado para mais uma noite bonita de anomia e bebida.
Alguém disse que a família Manson? Eu me lembro que alguém fez. Os cineastas – o diretor é Karyn Kusama , os roteiristas são Phil Hay e Matt Manfredi – colocam-no no espesso e assustador desde o início, iniciando com um acidente na estrada que deixa um coiote mortalmente ferido e Will (Logan Marshall-Green) empunhando uma chave de rodas. Will e sua namorada, Kira (Emayatzy Corinealdi), estão a caminho de um jantar sendo oferecido por sua ex, Eden (Tammy Blanchard), e seu marido, David (Michiel Huisman). Eden é a garota de vestido branco que, à medida que a escuridão se aproxima e as más vibrações fluem, parece nada mais que uma tela que clama por um belo toque de vermelho.

“O Convite” flerta com idéias que não se desenvolvem, incluindo a natureza do trauma e o fascínio da salvação, particularmente quando se trata do tipo de hokum espiritual que pode enviar pessoas razoáveis ​​ao redor da curva e não apenas Sul da Califórnia. Se o filme funciona tão bem quanto é porque Kusama consegue persuadir os sustos das sombras, silêncios e olhares ricocheteando. Para isso, ela torna o isolamento de Will não apenas palpável, mas também visual através do uso de profundidade de campo rasa que transforma a casa e seus amigos em borrões, literalizando sua condição existencial. Ele parece um homem sozinho, o que pode não ser tão ruim assim, dada a companhia que ele tem.”

O CONVITE não é um filme fácil de se ver ou recomendado para todo público. Mas é uma obra cinematográfica cheia de ideias, climas e sutilezas.

NETFLIX presents the film THE INVITATION. It is a thriller directed by the New York filmmaker Karyn Kusama (praised after the interesting DESTROYER, with Nicole Kidman).

The script’s starting point is exquisite: a couple who live in a mansion in the hills of Los Angeles lose a child in a tragedy. They separate in the face of trauma and the woman disappears for two years. Upon her return, she (and her new husband) invite the ex, his new wife and close friends to a reunion dinner right at the scene of the tragedy. The protagonist has a strong feeling that his ex-wife and friends have a secret agenda for that night.

The film invests heavily in suspense about what would have happened in the past and what can happen in the present. It has a modern horror beat (something along the lines of RUN!) And a slightly dreamlike tone that gives it a permanent interest. Several characters seem to come out of the David Lynch films.

In the cast, the ascendant Logan Marshall-Green, Emayatzy Corinealdi, Tammy Blanchard (great as the mystical hostess with tones of serial killer), Michiel Huisman, John Caroll Lynch, Aiden Lovekamp, ​​Michelle Krusiec and Mike Doyle.

The best thing about the film is the atmosphere that the director can create. We move forward in the narrative without knowing what will happen. Doubtful looks, ambiguous scenes, insinuations and doubtful caresses are foreseeing what can be tragic, but it can only be paranoia of the traumatized and resentful protagonist.

What is the purpose of the invitation? This is the motto of a well-made, competent and sometimes scary movie.

Manohla Dargis, at THE NEW YORK TIMES, wrote: “Dinner parties in movies tend to be overdetermined affairs, ideal settings for wit, wisdom and the breakdown of civilization. There’s nothing much amiss at first about the soiree in the low-budget chiller “The Invitation.” Most of the guests look as comfortable as the setting, a modernist lair wedged into a Los Angeles hillside. Still, there’s something off about the hostess, who’s slinking around barefoot wearing a vacant smile and a long white dress. It’s the kind of number that Joan Didion might once have slipped on for another beautiful-people night of anomie and booze.

Did somebody say the Manson Family? I seem to remember that someone does. The filmmakers — the director is Karyn Kusama, the writers are Phil Hay and Matt Manfredi — lay it on thick and creepy right from the start, opening with a road accident that leaves a coyote mortally wounded and Will (Logan Marshall-Green) wielding a tire iron. Will and his girlfriend, Kira (Emayatzy Corinealdi), are en route to a dinner party being thrown by his ex, Eden (Tammy Blanchard), and her husband, David (Michiel Huisman). Eden is the chick in the white dress that, as the darkness gathers and bad vibes flow, looks like nothing so much as a canvas that’s crying out for a nice splash of red.

“The Invitation” flirts with ideas that it doesn’t develop, including the nature of trauma and the allure of salvation, particularly when it comes to the kind of spiritual hokum that can send reasonable people around the bend and not just in Southern California. If the movie works as well as it does, it’s because Ms. Kusama can coax scares from shadows, silences and ricocheting looks. To that end, she makes Will’s isolation not just palpable, but also visual through the use of shallow depth of field that renders the house and his friends into blurs, literalizing his existential condition. He looks like a man alone, which might not be all that bad given the company he keeps.

THE INVITATION is not an easy movie to watch or recommended for all audiences. But it is a cinematographic work full of ideas, climates and subtleties.

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