CREPÚSCULO DOS DEUSES: “Tudo bem, Sr. DeMille, estou pronta para o meu close.”

Há muitos anos atrás, me deparei com o anúncio de que a sessão CORUJÃO da TV iria apresentar O CREPÚSCULO DOS DEUSES, a partir das 2h da manhã. Como nunca tinha visto o filme, coloquei o VCR programado para ligar as duas horas e gravar o filme. Por via das dúvidas, fiquei acordado até o filme iniciar para ver se a gravação iria funcionar. Na primeira cena do filme, há um cadáver dentro de uma piscina em uma mansão e o narrador inicia um texto que finaliza com a frase : “Engraçado, como as pessoas são gentis com você quando está morto.” Vi o filme até o final, tipo quatro da manhã.

O CREPÚSCULO DOS DEUSES conta a história de um roteirista de cinema que acidentalmente vai parar em uma velha mansão em Hollywood e lá encontra apenas uma veterana atriz do cinema mudo, a diva Norma Desmond e seu misterioso e soturno mordomo. Ele passa a morar lá e como amante da atriz, escrever um novo roteiro para ela.

Trata-se do melhor filme já realizado sobre a passagem do cinema mudo para o cinema falado e as vidas e carreiras destruídas neste processo. Como em todo progresso disruptivo, muitos astros e estrelas do cinema mudo (deuses da tela), simplesmente desapareceram.

Gloria Swanson, em desempenho superlativo, faz Norma Desmond. William Holden é o jovem e ambicioso roteirista Joe Gillis. O cineasta austríaco Erich von Stroheim faz o mordomo Max von Mayerling em outro trabalho de ator memorável.

O filme dirigido por Billy Wilder foi indicado a 11 Oscars, dos quais ganhou três (Roteiro, Música e Direção de Arte). Ganhou 4 Globos de Ouro (Filme, Diretor, Atriz e Música). Aliás, música (Franz Waxman) e Fotografia (John F. Seitz) estão entre os melhores trabalhos em suas categorias de todos os tempos.

Sem dúvida, o roteiro é uma obra prima. Charles Brackett, Billy Wilder e D.M.Marshman Jr. escreveram uma história impressionante que aborda vaidade, ciúmes, ambição, decadência, egoísmo, paixão, obssessão e tantas outras características humanas, todas enfocadas de modo profundo e emocionante.

Entre as frases inesquecíveis do roteiro:

“Joe Gillis (como narrador) : Bem, aqui é onde você entrou, de volta àquela piscina de novo, a que eu sempre quis. É madrugada agora e eles devem ter me fotografado mil vezes. Então eles pegaram dois ganchos de poda do jardim e me pescaram … muito gentilmente. Engraçado, como as pessoas gentis ficam com você quando você morre.”

Joe Gillis : Espere um minuto, não tenho? já te viu antes? Eu conheço seu rosto. Norma Desmond : Saia daqui! Ou devo chamar meu criado? Joe Gillis : Você é Norma Desmond. Você costumava estar em imagens silenciosas. Você costumava ser grande. Norma Desmond : Eu sou “grande”. São os “filmes” que ficaram pequenos.”

Norma Desmond: Tudo bem, Sr. DeMille, estou pronta para o meu close.

O THE NEW YORK TIMES, na época do lançamento do filme escreveu: “No papel de Joe Gillis, o roteirista, William Holden faz a melhor atuação de sua carreira. Seu alcance e controle das emoções nunca vacilam e ele gera uma certa medida de compaixão por um personagem que é um pouco menos que admirável. Caçada por colecionadores da empresa de financiamento de automóveis, o escritor desiludido e em dificuldades aproveita a oportunidade para ganhar algum dinheiro, ajudando Norma Desmond a criar uma peça de teatro sobre Salome, com a qual a desesperada egomaníaca acredita que fará um “retorno aos milhões de pessoas” que nunca me perdoaram por abandonar a tela.” Joe Gillis fica indignado quando Norma insiste que ele more na casa dela, mas gradualmente seu respeito próprio é corroído pelos confortos fáceis e ele não faz nada extenuante para impedir seus sentimentos românticos e sutis. Antes que um apego a uma garota da sua idade o tire desse abismo sombrio e reavive sua faísca na escrita, Joe se torna irremediavelmente envolvido na vida da estrela psicótica que o prende com presentes luxuosos e uma tentativa de suicídio. Com uma habilidade incomum, Brackett e Wilder, que também produziram e dirigiram esse esplêndido drama para a Paramount Pictures, mantiveram um romance essencialmente tedioso de se tornar desagradável e embaraçoso. Além do tom natural e consciente do diálogo, o realismo da imagem é intensificado por cenas ambientadas dentro dos verdadeiros portões de ferro do Paramount Studio, onde Norma Desmond faz uma visita ao set com seu antigo camarada, o próprio Cecil B. DeMille. E a fantástica atmosfera babilônica de um passado incrível reflete-se nitidamente na elegância berrante da mansão decadente em que Norma Desmond vive. A esperança que leva os jovens a tentar a sorte em Hollywood é exemplificada por Betty Schaefer, uma ajudante de estúdio com ambições de escrever e lindamente interpretada por Nancy Olson. Fred Clark causa uma forte impressão como produtor trabalhando para sua segunda úlcera, e há um desgosto na cena simples de jogos de cartas em que “a cera funciona”, como Gillis se refere cinicamente aos amigos de Norma, incluindo Buster Keaton, Anna Q. Nisson e HB Warner. Erich von Stroheim passa por “Sunset Boulevard” com uma atitude prussiana rígida que se encaixa em um papel de mordomo dedicado, que, em sua época como diretor, descobriu Norma quando jovem e se tornou o primeiro de seus três maridos. Mas enquanto toda a atuação é memorável, sempre se pensa primeiro e principalmente na srta. Swanson, em sua manifestação de orgulho consumista, em seu desespero e em uma personificação verdadeiramente magnífica de Charlie Chaplin.”

CREPÚSCULO DOS DEUSES é um dos maiores filmes da história do cinema.

Many years ago, I came across the announcement that the CORUJÃO session in TV would present SUNSET BOULEVARD, starting at 2 am. As I had never seen the film, I put the VCR programmed to turn on and record the film. Just in case, I was awake until the movie started to see if the recording would work. In the first scene of the film, there is a corpse inside a swimming pool in a mansion and the narrator begins a text that ends with the phrase: “Funny, how nice people are when you are dead. “I saw the film until the end, like four in the morning.

SUNSET BOULEVARD tells the story of a screenwriter who accidentally ends up in an old Hollywood mansion and there only meets a veteran silent film actress, diva Norma Desmond and her mysterious and sullen butler. The young writter stays there and as a lover of the actress, write a new script for her.

This is the best film ever made about the transition from silent to sound cinema and the lives and careers destroyed in this process. As with all disruptive progress, many silent movie stars (screen gods) have simply disappeared.

Gloria Swanson, in superlative performance, plays Norma Desmond. William Holden is young and ambitious screenwriter Joe Gillis. Austrian filmmaker Erich von Stroheim plays butler Max von Mayerling in another memorable actor job.

The film directed by Billy Wilder was nominated for 11 Oscars, of which he won three (Screenplay, Music and Art Direction). He won 4 Golden Globes (Film, Director, Actress and Music). In fact, music (Franz Waxman) and Photography (John F. Seitz) are among the best works in their categories of all time.

Without a doubt, the script is a masterpiece. Charles Brackett, Billy Wilder and D.M.Marshman Jr. wrote an impressive story that addresses vanity, jealousy, ambition, decay, selfishness, passion, obsession and so many other human characteristics, all of which are deeply and emotionally focused.

Among the unforgettable phrases in the script:

Joe Gillis (as narrator): Well, this is where you came in, back at that pool again, the one I always wanted. It’s dawn now and they must have photographed me a thousand times. Then they got a couple of pruning hooks from the garden and fished me out… ever so gently. Funny, how gentle people get with you once you’re dead.

Joe Gillis: Wait a minute, haven’t I seen you before? I know your face. Norma Desmond: Get out! Or, shall I call my servant? Joe Gillis: You’re Norma Desmond. You used to be in silent pictures. You used to be big. Norma Desmond: I *am* big. It’s the *pictures* that got small.

Norma Desmond: All right, Mr. DeMille, I’m ready for my close-up. 

THE NEW YORK TIMES, at the time of the film’s release, wrote: “Playing the part of Joe Gillis, the script writer, William Holden is doing the finest acting of his career. His range and control of emotions never falters and he engenders a full measure of compassion for a character who is somewhat less than admirable. Hounded by collectors from the auto-finance company, the struggling, disillusioned writer grabs an opportunity to make some money by helping Norma Desmond to fashion a screen play about Salome with which the hopeless egomaniac believes she will make a “return to the millions of people who have never forgiven me for deserting the screen. Joe Gillis is indignant when Norma insists that he live in her house, but gradually his self respect is corroded by the easy comforts and he does nothing strenuous to thwart her unsubtle romantic blandishments. Before an attachment to a girl his own age jolts him out of this dark abyss and rekindles his writing spark, Joe has become hopelessly entangled in the life of the psychotic star who holds him down with lavish gifts and an attempted suicide. With uncommon skill Brackett and Wilder, who also produced and directed this splendid drama for Paramount Pictures, have kept an essentially tawdry romance from becoming distasteful and embarrassing. Aside from the natural, knowing tone of the dialogue, the realism of the picture is heightened by scenes set inside the actual iron-grilled gates of the Paramount Studio, where Norma Desmond goes for an on-the-set visit with her old comrade, Cecil B. DeMille himself. And the fantastic, Babylonian atmosphere of an incredible past is reflected sharply in the gaudy elegance of the decaying mansion in which Norma Desmond lives. The hope that propels young people to try their luck in Hollywood is exemplified by Betty Schaefer, a studio reader with writing ambitions who is beautifully portrayed by Nancy Olson. Fred Clark makes a strong impression as a producer working for his second ulcer, and there is heartbreak in the simple card game scene where “the wax works,” as Gillis cynically refers to Norma’s friends, including Buster Keaton, Anna Q. Nisson and H. B. Warner. Erich von Stroheim moves through “Sunset Boulevard” with a stiff, Prussian attitude that fits to a T his role as the devoted butler, who, in his day as a top director, discovered Norma as a young girl and became the first of her three husbands. But while all the acting is memorable, one always thinks first and mostly of Miss Swanson, of her manifestation of consuming pride, her forlorn despair and a truly magnificent impersonation of Charlie Chaplin.”

SUNSET BOULEVARD is one of the great films of all time.

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