E O VENTO LEVOU: Como se Faz um Filme Clássico

Hoje, 10 de junho, seria o aniversário da extraordinária Hattie McDaniel, Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante no mega clássico E O VENTO LEVOU. O filme, produzido por David O. Selznick, foi indicado a 13 Oscars, ganhou 8 (Filme, montagem, direção de arte, fotografia, roteiro, diretor, atriz e atriz coadjuvante) e mais dois prêmios honorários da Academia. Nas estatísticas que se faz de bilheteria de todos os tempos segue sendo o filme mais visto da história (quando se atualizam os números pela inflação) com quase 2 bilhões de dólares.

O filme dirigido por Victor Fleming (consta que George Cukor e Sam Wood o teriam co-dirigido mas de forma não creditada) vem sofrendo algumas críticas revisionistas por um alegado racismo. O romance original de Margaret Mitchell tem uma história que se passa em Atlanta, durante a Guerra Civil Americana e os anos subsequentes. Seria completamente artificial e irreal se não mostrasse o tratamento criminosos que era dado aos escravos na época. Mas, a meu ver, que já vi o filme uma dezena de vezes, a visão sobre o racismo é absolutamente crítica e condenatória, o que se comprova no extraordinário personagem de Mammy (nitidamente vista com afeto), essencial em muitas passagens do filme.

Clark Gable (um dos maiores galãs do auge do star system) vive o aventureiro Rhett Butler (“Francamente, minha querida. Eu não dou a mínima.”); Vivian Leigh, depois de uma busca impressionate por uma atriz sulista para viver o papel é a legendária Scarlet O’Hara (“Deus é minha testemunha, Deus é minha testemunha, eles não vão me derrubar. Vou viver isso e quando tudo acabar, nunca mais terei fome. Não, nem nenhum dos meus. Se eu tiver que mentir, roubar, trapacear ou matar. Deus é minha testemunha, nunca mais sentirei fome”), dois personagens históricos do cinema, inesquecíveis em suas frases poderosas.

Olivia de Havilland, Leslie Howard, Anne Rutherford, George Reeves, Thomas Mitchell, Barbara O’Neil e Hattie McDaniel compõem um elenco muito mais que perfeito.

Tudo em E O VENTO LEVOU se tornou clássico. A cena do incêndio de Atlanta, os diálogos eternos, a fazenda TARA, a música memorável de Max Steiner, a brilhantíssima fotografia em Technicolor de Ernest Haller, a direção de arte (impecável) de Lyle Wheeler, tudo nota dez.

Em suas 3h58min, E O VENTO LEVOU é um dos exemplares de porque o cinema gera mitos, filmes eternos e é tão importante na vida de milhões de pessoas. É um clássico, na melhor acepção da palavra.

Today, June 10th, would be the anniversary of the extraordinary Hattie McDaniel, Oscar for Best Supporting Actress in the mega classic GONE WITH THE WIND. The film produced by David O. Selznick, nominated for 13 Oscars, won 8 (Film, editing, art direction, photography, screenplay, director, actress and supporting actress) and two more honorary Academy Awards. In the box office statistics of all time, it remains the most viewed film in history (when inflation figures are updated) with almost 2 billion dollars.

The film directed by Victor Fleming (George Cukor and Sam Wood are said to have co-directed it but in an uncredited way) has been suffering some revisionist criticism for alleged racism. Margaret Mitchell‘s original novel has a story that takes place in Atlanta, during the American Civil War and subsequent years. It would be completely artificial and unreal if it did not show the criminal treatment that was given to slaves at the time. But, in my view, that I have seen the film a dozen times, the look at racism is absolutely critical and condemnatory, which is confirmed by the extraordinary character of Mammy (clearly seen with affection), essential in many passages in the film.

Clark Gable (one of the biggest actors at the height of the star system) lives the adventurer Rhett Butler (“Frankly my dear, I don’t give a damn”); Vivian Leigh, after an impressive and mythical search for a southern actress to live the role is the legendary Scarlet O’Hara (“As God is my witness, as God is my witness they’re not going to lick me. I’m going to live through this and when it’s all over, I’ll never be hungry again. No, nor any of my folk. If I have to lie, steal, cheat or kill. As God is my witness, I’ll never be hungry again . “), two historical cinema characters, unforgettable in their powerful phrases.

Olivia de Havilland, Leslie Howard, Anne Rutherford, George Reeves, Thomas Mitchell, Barbara O’Neil and Hattie McDaniel make up a much more than perfect cast.

Everything in GONE WITH THE WIND has become classic. The Atlanta fire scene, the eternal dialogues, the TARA farm, Max Steiner‘s memorable music, Ernest Haller‘s brilliant Technicolor photography, Lyle Wheeler’s (impeccable) art direction, all top ten.

In its 3h58min, GONE WITH THE WIND has been one of the examples of why cinema generates myths, eternal films and is so important in the lives of millions of people. It’s a classic, in the best sense of the word.

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