365 DIAS: Sucesso Erótico da NETFLIX é “Chato, Ruim e Moralista”

Quando a gente vê muitos filmes, é natural que se assista alguns filmes muito ruins. Mas o que dizer de um filme que claramente se propõe a ser um pastiche do já superficial e discutível 50 TONS DE CINZA? O filme 365 DIAS – enorme sucesso na NETFLIX – é realmente um produto cinematográfico difícil de se ver, tamanha a obviedade de seu enredo, suas cenas e seu final. O grande crítico de cinema gaúcho Tuio Becker, certa vez escreveu uma crítica sobre o filme A VIOLENTADA (com as irmãs Heminghway) que se chamava “Chato, Ruim e Moralista”. Poderia parafrasear o grande Tuio Becker para descrever 365 DIAS.

Baseado no primeiro livro de uma trilogia escrita pela polonesa Blanka Lipinska (como uma mulher pode escrever algo tão raso sobre mulheres?) e dirigido por uma dupla de cineastas poloneses (Barbara Bialowas e Tomasz Mandes), 365 DIAS conta uma história inacreditável. O mafioso italiano Massimo Torricelli está tendo uma daquelas conversas normais entre membros da Máfia, sobre matar pessoas a sangue frio, quando o pai é alvejado por vários tiros, que também atingem Massimo. Ali, ele tem uma visão com uma mulher belíssima. Passa quatro anos tentando encontrá-la (inclusive colocando quadros gigantes com o rosto dela em sua casa (???). Certo dia, ao chegar em um aeroporto da Sicília, em seu jato particular (onde teve uma transa rápida e violenta com a aeromoça), quem ele encontra: Laura, uma executiva polonesa entediada e distante do namorado que a trai constantemente. Ele simplesmente sequestra a moça, a aprisiona com ele e lha dá 365 para ela se apaixonar por ele.

O filme é uma colcha de retalhos dos argumentos de outras obras: O PODEROSO CHEFÃO, por óbvio, de onde retirou todos os “dilemas existenciais”de Massimo em ser um mafioso. A BELA E A FERA, fábula recentemente adaptada pela Disney, onde por trás do monstro está um ser terno e apaixonado. 5O TONS DE CINZA, de quem pretende ser quase uma cópia, inclusive no formato de trilogia, mas também nas origens da brutalidade de Massimo com as mulheres, justificada por abusos que ele sofreu na infância. E UMA LINDA MULHER, nas repetidas cenas em que Massimo leva Laura a lojas de grife para comprar roupas de luxo, enquanto ele entediado segue trabalhando na frente de estranhos. Claro que nunca chega próximo de seus modelos cinematográficos.

Pior que isto, embora pareça ousado (há cenas de sexo em profusão, mas a nudez dos atores é apenas a permitida pelo sistema) é em realidade moralista (Laura é chamada e tratada de prostituta por usar um vestido curto). O que dizer da cena em que Massimo, visando convencer Laura a transar com ele, a algema na cama e faz ela ver uma outra mulher (que estava de plantão no closet vestida como dominatrix) lhe performar sexo oral? Inacreditável!

Falar do roteiro, seria tentar explicar uma série de coisas absolutamente inexplicáveis: ninguém (namorado, família, empregados, autoridades) foi atrás de Laura quando ela simplesmente foi abduzida? Nas empresas de Massimo, ninguém resolveu se opor a um sequestro cometido pelo Dono apenas por medo dele? Aquelas centenas de pessoas com quem Laura teve contato nas viagens deles não poderiam se insurgir contra um rapto de uma executiva? E o que houve com a empresa que Laura presidia diante do sumiço dela?

Realmente, fica difícil saber o que é pior no filme. Sua ideologia de justificar os maus tratos às mulheres (nunca vi um filme tratar a mulher como objeto como este), a idolatria do roteiro ao poder e dinheiro endeusados irrestritamente ou o “final”(é certo que haverá sequencias) moralista até a raiz dos cabelos.

O ator italiano Michelle Morrone (visto na ótima série O PROCESSO) e a atriz polonesa Anna Maria Sieklucka – bem ruins, até porque passam boa parte do tempo fazendo caras e bocas e ginástica sexual – vivem a inacreditável dupla de personagens sem qualquer sentido.

Evidentemente, cada pessoa vê o que quer e tem liberdade para gostar do seu tipo favorito de filmes. Mas se deparar com o sucesso de um (sub) produto como 365 DIAS é triste. A NETFLIX tem mais ou menos uns dez mil filmes melhores que este.

When we watch a lot of films, it is natural to watch some very bad films. But what about a film that clearly proposes to be a pastiche of the already superficial and debatable 50SHADES OF GREY? The film 365 DAYS – a huge success at NETFLIX – is really a cinematographic product difficult to see, given the obviousness of its plot, scenes and ending. The great film critic from Rio Grande do Sul, Tuio Becker, once wrote a review about the movie LIPSTICK (with the Heminghway sisters) which was called “Boring, Bad and Moralist”. I can paraphrase the great Tuio Becker to describe 365 DAYS.

Based on the first book in a trilogy written by Polish Blanka Lipinska (how can a woman write something so shallow about women?) and directed by a pair of Polish filmmakers (Barbara Bialowas and Tomasz Mandes), 365 DAYS tells an unbelievable story. Italian mobster Massimo Torricelli is having one of those normal conversations among members of the Mafia, about killing people in cold blood, when his father is shot by multiple shots, which also hit Massimo. There, he has a vison with a beautiful woman. He spent four years trying to find her (including placing giant pictures with her face in his house (???). One day, when he arrived at an airport in Sicily, in his private jet (where he had a quick and violent sex with the stewardess), whom he meets: Laura, a Polish executive bored and distant from her boyfriend who constantly cheats on her. Massimo simply kidnaps the girl, imprisons her with him and gives her 365 for her to fall in love with him.

The film is a patchwork of the arguments of other works: GODFATHER, of course, removed all of Massimo’s “existential dilemmas” in being a mobster. BEAUTY AND THE BEAST, a fable recently adapted by Disney, where behind the monster is a tender and passionate being. And, of course, FIFTY SHADES OF GREY, of whom he intends to be almost a copy, even in the form of a trilogy, but also in the origins of Massimo’s brutality with women, justified by abuses he suffered in childhood. And finally, PRETTY WOMAN, in the repeated scenes in which Massimo takes Laura to designer stores to buy luxury clothes, while he is bored and continues to work in front of strangers. Of course, it never comes close to its cinematic models.

Worse than that, although it seems bold (there are sex scenes in abundance, but the actors’ nudity is only allowed by the system) is in reality moralistic (Laura is called and treated as a prostitute for wearing a short dress). What about the scene in which Massimo, in order to convince Laura to have sex with him, handcuffs her in bed and makes her see another woman (who was on duty in the closet dressed as dominatrix) performing oral sex? Unbelievable!

Speaking of the script, it would be trying to explain a number of absolutely inexplicable things: no one (boyfriend, family, employees, authorities) went after Laura when she was simply abducted? In Massimo’s companies, no one decided to oppose a kidnapping committed by the Owner just for fear of him? Couldn’t those hundreds of people Laura had contact with on their travels rise up against a kidnapping of an executive? And what happened to the company that Laura presided when she disappeared?

It really is difficult to know what is worse in the film. Its ideology of justifying mistreatment of women (I have never seen a film treat women as objects like this), the idolatry of the script to unrestricted power and money, or the moralistic “end” (there will certainly be sequences).

Italian actor Michelle Morrone (seen in the great series IL PROCESSO) and Polish actress Anna Maria Sieklucka – quite bad, because they spend a lot of time making faces and mouths and sexual gymnastics – live the unbelievable pair of characters without any sense.

Of course, each person sees what they want and is free to like their favorite type of films. But facing the success of a (sub) product like 365 DAYS is sad. NETFLIX has about ten thousand films better than this one.

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