DIPLOMACIA: Belas Artes Mostra Filme Maravilhoso de Volker Schlöndorff Sobre Guerra, Arte e Negociação

Há mais ou menos 50 anos atrás, houve um importante movimento no cinema alemão: na linha da Nouvelle Vague francesa ou do Cinema Novo brasileiro, surgiu o chamado Novo Cinema alemão. Vieram à luz nomes importantes de cineastas como Rainer Werner Fassbinder, Werner Herzog, Margarette von Trotta, Wim Wenders, Alexander Kluge, Werner Schroeter e Volker Schlöndorff.

Reconhecendo o talento de todos eles, um dos meus favoritos (senão o preferido) é Volker Schlöndorff. Ele fez filmes maravilhosos. Um deles, A HONRA PERDIDA DE KATHARINE BLUM é um dos melhores filmes que já assisti sobre liberdade de expressão e seus abusos pela imprensa. O TAMBOR (Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e da Palma de Ouro em Cannes), baseado no livro de Gunther Grass, é outro trabalho extraordinário. UM AMOR DE SWAN, baseado em Marcel Proust, com roteiro de Peter Brook e Jean Claude Carrière, estrelado por Jeremy Irons, Ornella Mutti, Fanny Ardant e Alain Delon, simplesmente o melhor filme da história baseado nas obras de Proust.

Por tudo isto, quando vi que o serviço de streaming PETRA BELAS ARTES (www.belasartesalacarte.com.br) estava exibindo DIPLOMACIA (DIPLOMATIE), filme que Schlöndorff fez em 2014, fui correndo ver.

É outro trabalho denso e brilhante. Em agosto de 1944, quando os aliados já haviam desembarcado na Normandia e estavam por chegar a Paris, Adolf Hitler dá uma ordem para o exército nazista destruir a Cidade Luz, explodindo todos os monumentos, pontes e prédios. O encarregado da destruição foi o General Dietrich von Choltitz (Governador Militar da Paris ocupada), excelente trabalho do ator francês Niels Arestrup (O CAVALO DE GUERRA, O PROFETA e O ESCAFANDRO E A BORBOLETA). Angustiado pela terrível ordem que está obrigado a emitir, o general recebe na última noite, uma visita do consul-geral da Suécia em Paris, Raoul Nordling, que tenta por todos os meios demovê-lo da ideia. O diplomata é Andre Dussolier, excepcional ator francês de O FABULOSO DESTINO DE AMELIE POULAN e NÃO CONTE A NINGUÉM.

Um misto de nostalgia e saudade do cinema revolucionário de Schlöndorff – que marcou minha juventude – me trouxeram um envolvimento com o filme, tão longe quanto possível de um distanciamento crítico. Os temas da proteção à arte, história e cultura e da arte da negociação, brilhantemente enfocados pela lente de Schlöndorff igualmente são aspectos notáveis de DIPLOMATIE.

Não é um filme fácil ou de gosto popular. Mas é cinema autoral de altíssima qualidade. Quem curte um cinema mais autoral deveria ver com certeza. É um grande filme. Em busca do Tempo Perdido.

About 50 years ago, there was an important movement in German cinema: in line with the French Nouvelle Vague or the Brazilian Cinema Novo, the so-called New German Cinema emerged. Important names of filmmakers such as Rainer Werner Fassbinder, Werner Herzog, Margarette von Trotta, Wim Wenders, Alexander Kluge, Werner Schroeter and Volker Schlöndorff came to light.

Recognizing the talent of all of them, one of my favorites (if not the favorite) is Volker Schlöndorff. He made wonderful films. One of them, THE LOST HONOR OF KATHARINE BLUM is one of the best films I have ever seen about freedom of expression and its abuse by the press. THE TIN DRUM (Oscar for Best Foreign Film and the Palme d’Or in Cannes) is another extraordinary work. A LOVE OF SWAN, based on Marcel Proust, with a screenplay by Peter Brook and Jean Claude Carrière, starring Jeremy Irons, Ornella Mutti, Fanny Ardant and Alain Delon, simply the best film in history based on the works of Proust.

For all this, when I saw that the streaming service PETRA BELAS ARTES (www.belasartesalacarte.com.br) was showing DIPLOMATIE, a film that Schlöndorff made in 2014, I went running to see it.

It is another dense and brilliant work. In August 1944, when the Allies had already landed in Normandy and were about to reach Paris, Adolf Hitler gives an order for the Nazi army to destroy the City of Light, blowing up all monuments, bridges and buildings. The person in charge of the destruction was General Dietrich von Choltitz (Military Governor of occupied Paris), an excellent work by the French actor Niels Arestrup (THE WAR HORSE, THE PROPHET and LE SCAPHANDRE ET LE PAPILLON). Anguished by the terrible order he is obliged to issue, the general receives a visit last night from the Swedish consul-general in Paris, Raoul Nordling, who tries by all means to get him out of the idea. The Swedish diplomat is Andre Dussolier, outstanding French actor of AMELIE POULAN and TELL NO ONE.

A mixture of nostalgia and longing for Schlöndorff’s revolutionary cinema – which marked my youth – brought me to an involvement with the film, as far as possible from a critical distance. The themes of protection of art, history and culture and the art of negotiation, brilliantly focused on by Schlöndorff’s lens are also notable aspects of DIPLOMATIE.

It is not an easy or popular movie. But it is very high quality authorial cinema. Anyone who enjoys a more authorial cinema should definitely see it. It’s a great movie. À la recherche du temps perdu.

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