CINEMANÍACO COADJUVANTE

O SEGUNDO CONVIDADO PARA ESCREVER NO CINEMARCO É ISAAC MENDA.

Rogerinho, desde criança, gostava de cinema. Ia quase todos os dias a uma das salas do centro em que havia sessões contínuas, com início às 14h. Muitas vezes convidava os colegas de colégio para matar aula e ir junto. Para ele, não importava o tipo de filme. Podia ser qualquer gênero e lá estava o Rogerinho, com seu inseparável pacote de pipoca.

Nos fins de semana, já não tinha mais filmes para ver. Naquele tempo, não existia videocassete, DVD, NOW, Netflix e outros. Na televisão, passavam apenas filmes antigos, dublados e em preto e branco.

Ele tinha suas artistas favoritas: Lana Turner, Rita Hayworth, Gina Lollobrigida, Sophia Loren, Marta Hyer, Debra Paget, Lauren Bacall, Doris Day. E sua maior paixão: Elizabeth Taylor. Quando anunciavam um novo filme com a Taylor, Rogerinho ficava agitado, queria ser o primeiro a entrar no cinema.

Ele vibrou quando estreou o filme Cleópatra, com Elizabeth Taylor no papel principal. Chegou cedo ao cinema para a sessão das duas, sentou na sua poltrona favorita. Gostou tanto que ficou para as sessões seguintes. No fim do dia, havia assistido cinco vezes ao filme. Assim, durante toda aquela semana, foi diariamente ao cinema para ver Cleópatra. Depois de 20 apresentações, Rogerinho já sabia as falas e os movimentos dos atores. Havia uma cena em que Cleópatra, de costas para os espectadores, subia com elegância uma escadaria. De repente, ela parava, virava o rosto para trás e abanava uma das mãos, como se estivesse saudando alguém.

Certo dia, Rogerinho e cinco colegas foram ver o filme. No momento em que ela subia a escada, ele levantou-se e gritou: – Cleópatra, estou aqui!

Ela virou-se e acenou para Rogerinho. – Viram, ela me conhece e me abanou –  falava com orgulho para os colegas. Um minuto depois, ele sentiu uma luz forte nos olhos. Era o lanterninha. – Moleque, por favor, acompanhe-me até a rua – disse com voz rouca e forte.

A partir daquele dia, Rogerinho ficou calado durante muitos anos nos cinemas. Só voltou a se manifestar quando, depois de ter assistido 15 vezes o filme Titanic, gritou numa das sessões: – Capitão, cuidado com o iceberg!

THE SECOND GUEST TO WRITE IN CINEMARCO ISAAC MENDA.

Rogerinho, since he was a child, liked cinema. He went almost every day to one of the theaters downtown where there were continuous sessions, starting at 2 pm. He often invited his high school classmates to skip class and go along. For him, the genre of film did not matter. It could be any genre and there was Rogerinho, with his inseparable popcorn.

On weekends, he no longer had films to watch. At that time, there was no VCR, DVD, NOW, Netflix and others. On television, only old films, dubbed and in black and white, were shown.

He had his favorite artists: Lana Turner, Rita Hayworth, Gina Lollobrigida, Sophia Loren, Marta Hyer, Debra Paget, Lauren Bacall, Doris Day. And her greatest passion: Elizabeth Taylor. Every time it was announced a new film with Taylor, Rogerinho was agitated, he wanted to be the first to enter the cinema.

He was thrilled when the movie Cleopatra debuted, with Elizabeth Taylor in the lead role. He arrived at the cinema early for their 2 PM show, sat in his favorite chair. He liked it so much that he stayed for the next sessions. At the end of the day, he had watched the film five times. So, throughout that week, he went to the cinema daily to see Cleopatra. After 20 performances, Rogerinho already knew the lines and movements of the actors. There was a scene in which Cleopatra, with her back to the spectators, elegantly climbed a staircase. Suddenly, she stopped, turned her face back and waved one hand, as if she were greeting someone.

One day, Rogerinho and five colleagues went to see the film. The moment she climbed the stairs, he stood up and shouted: – Cleopatra, I’m here!

She turned and waved to Rogerinho. – See, she knows me and shook me – she spoke proudly to his colleagues. A minute later, he felt a bright light in his eyes. It was the theater emplyee. – Kid, please follow me to the street – he said in a hoarse and strong voice.

From that day on, Rogerinho was silent for many years in theaters. He only reappeared when, after watching the movie Titanic 15 times, he shouted in one of the sessions: – Captain, watch out for the iceberg!

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