HELP!: VIAGEM SEM RETORNO

O CONVIDADO DE HOJE DO CINEMARCO É MEU GRANDE AMIGO ANTONIO CARLOS MENEZES.

Quando a poesia e a música se mesclam em harmonia brota em nós essa sensação de completo êxtase – semelhante à consciência do transe mediúnico experimentado pelos místicos e santos – e  incorpora aquela sensação da absoluta felicidade que  eleva aos píncaros  a essência espiritual do nosso ser.

Um poeta mineiro verteu em palavras essa luminescência espiritual que a música nos comunica. Nunca mais somos os mesmos quando esse estado elevado de consciência nos funde irremediavelmente com a surrealidade do mundo e do espírito.

“Eu sou o olhar que penetra nas camadas do mundo,
ando debaixo da pele e sacudo os sonhos.
Não desprezo nada que tenha visto,
todas as coisas se gravam pra sempre em minha mente
Toco nas flores, nas almas, nos sons, nos movimentos,
destelho as casas penduradas na terra,
tiro os cheiros dos corpos das meninas sonhando.
Desloco as consciências,
a rua estala com os meus passos,
e ando nos quatro cantos da vida.” (Murilo Mendes)

Help! (Lester, Richard,1965) leva-nos ao êxtase na comunhão com as letras e musicas das quais brota esse cristalino fluxo da vida que os Beatles, em sua genialidade, atreveram-se a criar com a permissão de Deus.

HELP! é aventura surreal, filmado em Londres, Caribe e Alpes Suíços. A história importa menos que a saudável alegria que experimentamos ao acompanhar os quatro garotos na sua pura euforia de cantar e viver com a mente girando em automático fluxo  sensorial.

 Nunca mais fui o mesmo depois de ouvir os Beatles e assistir Os Reis do Iê-Iê-Iê e Help!. Richard Lester cometeu essa insanidade de tentar dirigir os Beatles e foi dirigido por eles, segundo ele mesmo declarou. Nada e tudo tornava-se possível com a absoluta harmonia daqueles quatro jovens imantando plateias de milhões e milhões de pessoas, realizando a maior revolução de costumes e mentes através da música e da sonoridade das letras que tocavam o coração. Assim foi o íntimo da nossa ardente juventude, na década de sessenta aqui no Brasil, reverberada pela Jovem Guarda, Roberto e Erasmo no esforço de traduzir aquele sentimento quase religioso da mudança que acabou espoucando no mundo em 1968. O filme acompanha a dinâmica dos jovens de cabelos longos e despenteados que seduzem a todo mundo com suas roupas, trejeitos, santidade, pureza e irrefreável amor.

Help! é tudo isso e nada disso porque não pretendia nada a mais que não fosse a mais pura e completa ação que recriou costumes e  relações de amor com o espirito mais saudável, anárquico e iconoclasta que já aconteceu nessa grande janela do mundo que é o cinema, a lembrar Carlitos – inegável expressão dessa pureza e saudável anarquia que transforma o mundo e os homens.

Richard Lester foi o veículo pleno dessa mensagem, desde que buscou expressar o mundo valorizando a percepção sensorial que deságua nessa torrente irrefreável de felicidade que nos banhou o ser com os Beatles. Emergia em todos nós um sentimento de unidade com aquelas canções magicamente transpostas para a tela com um notável sentimento de plasticidade e pureza que deificou as canções dos Beatles nessa viagem surreal de HELP!.

Cada cena gravada pela lente de Lester é fantasticamente oportuna, despreza absolutamente o enredo e abre as portas de nossa percepção para o mergulho único nas músicas que nos ensinaram a viajar sem sair do lugar, amar a totalidade de nosso se e viver intensamente cada momento da magia da vida e a pedir Socorro e dizer que “Now I’ve changed my mind I’ve opened the doors…”

HELP!, definitivamente o número 1 da lista que todos nós fazemos dos grandes filmes naquela famosa listinha dos dez mais.

TODAY’S GUEST FROM CINEMARCO IS MY GREAT FRIEND ANTONIO CARLOS MENEZES.

When poetry and music blend in harmony, this feeling of complete ecstasy arises in us – similar to the consciousness of the mediumistic trance experienced by mystics and saints – and incorporates that feeling of absolute happiness that elevates the spiritual essence of our being to the top.

A Minas Gerais poet poured into words this spiritual luminescence that music communicates to us. We are never the same again when this heightened state of consciousness fuses us irremediably with the surreality of the world and the spirit.

“I am the look that penetrates the layers of the world,
I walk under the skin and shake off the dreams.
I don’t despise anything I’ve seen,
all things are forever etched in my mind
I touch the flowers, the souls, the sounds, the movements,
I detangle the houses hanging on the earth,
I take the smells from the bodies of the girls dreaming.
I shift consciences,
the street crackles with my steps,
and I walk in the four corners of life. “(Murilo Mendes)

Help! (Lester, Richard,1965) takes us to ecstasy in communion with the lyrics and music from which this crystalline flow of life springs that the Beatles, in their genius, dared to create with the permission of God.

HELP! is a surreal adventure, filmed in London, the Caribbean and the Swiss Alps. The story matters less than the healthy joy we experience when accompanying the four boys in their sheer euphoria of singing and living with the mind spinning in an automatic sensory flow.

I was never the same after listening to the Beatles and watching A HARD’S DAY NIGHT and Help!. Richard Lester committed this insanity of trying to direct the Beatles and was directed by them, he said. Nothing and everything was made possible with the absolute harmony of those four young people magnetizing audiences of millions and millions of people, making the greatest revolution in customs and minds through the music and the sound of the lyrics that touched the heart. That was the intent of our ardent youth, in the sixties here in Brazil, reverberated by Jovem Guarda, Roberto and Erasmo in an effort to translate that almost religious feeling of change that ended up spreading in the world in 1968. The film follows the dynamics of young people with long, unkempt hair that seduces everyone with their clothes, mannerisms, holiness, purity and unrestrained love.

Help! is all this and none of that because I did not intend anything more than it was the purest and most complete action that recreated customs and love relationships with the most healthy, anarchic and iconoclastic spirit that has ever happened in this great window of the world which is the cinema , to remember Carlitos – undeniable expression of that purity and healthy anarchy that transforms the world and men.

Richard Lester has been the full vehicle of this message since he sought to express the world by valuing the sensorial perception that flows into this irrepressible torrent of happiness that bathed us with the Beatles. A feeling of unity emerged in all of us with those songs magically transposed to the screen with a remarkable feeling of plasticity and purity that deified the Beatles’ songs on this surreal HELP! trip.

Each scene recorded through Lester’s lens is fantastically opportune, absolutely disregards the plot and opens the doors of our perception to the unique plunge into the songs that taught us to travel without leaving the place, to love the totality of our self and to live intensely every moment of life. life’s magic and asking for help and saying that “Now I’ve changed my mind I’ve opened the doors …”

HELP!, definitely number one on the list that we all make of the great films on that famous list of the top ten.

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