VIOLÊNCIA E PAIXÃO: Olhares, Silêncios e Solidões Expressivos e Dolorosos

Em 1974, o gênio do cinema italiano Luchino Visconti (um ano antes de morrer aos 69 anos) levou às telas VIOLÊNCIA E PAIXÃO (Gruppo di famiglia in un interno), baseado em uma história de Enrico Medioli, roteirizada por ninguém menos que Suso Cecchi D’Amico e pelo próprio Visconti.

O filme conta a história de um Professor aposentado que vive uma vida solitária no luxuoso palácio de Roma. Uma marquesa falida e vulgar aluga dele e se muda para o apartamento do andar de cima com seu amante, sua filha e o namorado da filha. Deste dia em diante, sua rotina muda completamente. Problemas e problemas se sucedem.

Mestre Luchino Visconti foi autor de alguns dos filmes mais espetaculares da história do cinema: ROCCO E SEUS IRMÃOS, O LEOPARDO, MORTE EM VENEZA, OS DEUSES MALDITOS, NOITES BRANCAS e O INOCENTE. Na minha opinião, poucos cineastas fizeram tantas obras primas em sua carreira.

VIOLÊNCIA E PAIXÃO é mais uma delas. Ainda lembro o fim de tarde em que sentei sozinho no Cine Victória, em Porto alegre e fui mais uma vez encantado pela inteligência, sensibilidade, profundidade e categoria sem igual do cinema de Visconti.

Burt Lancaster, Silvana Magano, Helmut Berger, Cláudia Marsani e duas participações muito especiais das divas Claudia Cardinale e Dominique Sanda fazem um elenco nada menos que maravilhoso e eterno.

A arte de Luchino Visconti usa e abusa de olhares, silêncios, movimentos corporais e uma cenografia indescritivelmente bela valorizada pela fotografia belíssima a cargo de Pasqualino de Santis (cada cena é um quadro e até as fotografias emocionam a gente tantos anos depois) e pela montagem do notável Ruggero Mastroianni.

VIOLÊNCIA E PAIXÃO é um filme que aborda a decadência da nobreza européia (moral, financeira e de poder), nos mais alto nível, algo como O LEOPARDO (também de Visconti) e NOVECENTO, de Bernardo bertolucci.

Uma aula de cinema e de vida.

In 1974, Italian film genius Luchino Visconti (a year before he died at the age of 69) brought to the screen CONVERSATION PIECE (Gruppo di famiglia in un intern), based on a story by Enrico Medioli, scripted by none other than Suso Cecchi D’Amico and by Visconti himself.

The film tells the story of a retired Professor who lives a lonely life in the luxurious palace of Rome. A bankrupt, ordinary marquise rents from him and moves into the upstairs apartment with her lover, daughter and daughter’s boyfriend. From that day on, the main character routine changes completely. Problems and problems follow.

Mestre Luchino Visconti was the author of some of the most spectacular films in the history of cinema: ROCCO AND HIS BROTHERS, THE LEOPARD, DEATH IN VENICE, LA CADUTA DEGLI DEI, WHITE NIGHTS and THE INNOCENT. In my opinion, few filmmakers have done so many masterpieces in their career.

Gruppo di famiglia in un intern is another one of them. I still remember the late afternoon when I sat alone at Cine Victória, in Porto Alegre and was once again enchanted by the intelligence, sensitivity, depth and unparalleled category of Visconti’s cinema.

Burt Lancaster, Silvana Magano, Helmut Berger, Cláudia Marsani and two very special participations of divas Claudia Cardinale and Dominique Sanda make a cast that is nothing short of wonderful and eternal.

The art of Luchino Visconti uses and abuses looks, silences, body movements and an indescribably beautiful scenery valued for the beautiful photography by Pasqualino de Santis (each scene is a painting and even the photos touch us several years later) and for the editing of the notable Ruggero Mastroianni.

Gruppo di famiglia in un intern is a film that addresses the decadence of European nobility (moral, financial and power), at the highest levels, something like IL GATTOPARDO (also by Visconti) and NOVECENTO, by Bernardo Bertolucci.

A film and life class.

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