OS FILMES DA MINHA VIDA

O CONVIDADO DE HOJE DO CINEMARCO É ISAAC MENDA.

Existem determinados filmes que assinalam a vida de uma pessoa. Eu, por exemplo, tenho diversas películas que assisti dezenas de vezes. São filmes de diversos gêneros e, principalmente, antigos, ou seja, do século passado.

Não vou relacionar todos porque não teria espaço suficiente nesse blog do meu amigo Marco Antônio, Mas vou citar alguns que, de fato, me marcaram e ainda marcam na minha vida.

Ben-Hur é um exemplo. Visto e revisto por dezenas de vezes, esperando a cena da corrida de bigas e torcendo para que Charlton Heston vença a prova.

West Side Story, talvez o segundo filme recordista em vezes que assisti, me cativou desde a primeira exibição. Aliás, eu morava no centro e, numa tarde, peguei um bonde para ir até o cinema Moinhos de Vento (depois Coral), em frente ao Parcão. Gostei tanto que retornei na sessão da noite. Foi o início de uma grande amizade com o filme. Parei de contar quanto assisti pela vez 50. Quando surge a briga entre as gangues sempre espero que os personagens não morram, mas não adianta.

Outro campeão é Assim Caminha a Humanidade, com Rock Hudson, Elizabeth Taylor e James Dean. Este último morreria pouco tempo depois em acidente de carro e nem viu a estreia do filme.

Vi e revi por dezenas de oportunidades todos os filmes de Alfred Hitchcok, inclusive na fase do cinema mudo. Meus favoritos são Janela Indiscreta, Festim Diabólico, Ladrão de Casaca, Um Corpo que Cai e o principal, O Homem que Sabia Demais. A cena do Albert Hall culminando com o tocar dos címbalos mostrou o dedo do rei do suspense. Não esquecer também Psicose. Quem tiver oportunidade de ver o trailer, recomendo. Dá mais medo que o próprio filme.

Agora o campeão na minha contagem. Os Dez Mandamentos de Cecil B. de Mille, com Charlton Heston. Filme fantástico para a época em que foi realizado, meados dos anos 50. Não havia computação gráfica e os efeitos foram surpreendentes, tais como a abertura do Mar Vermelho. Aliás, certa noite tive insônia e fui rever, mentalmente, o filme. Foi quadro a quadro que passou pela minha cabeça, inclusive com diálogo, alguns em inglês. Lógico que não demorou três horas e cinquenta minutos que é a duração do filme, mas passei das duas horas revendo cena por cena. Agora uma curiosidade que poucas pessoas têm conhecimento. A voz de Deus no filme é do próprio Charlton Heston e o bebê colocado na cesta no rio Nilo é seu próprio filho, Fraser Heston. 

Um fato curioso é o filme A Bolha Assassina de 1958. Foi uma produção independente de parcos recursos e realização precária, valorizada por ser colorida (a maioria dos filmes equivalentes na época eram em preto e branco) e pela presença do futuro astro Steve McQueen. O filme inspirou a canção “The Blob” (gravada pelo grupo de estúdio The Five Blobs), escrita por Burt Bacharach. O interessante é que naquela época as sessões eram às 14, 16, 18, 20 e 22hs nos cinema do centro de Porto Alegre. Fui assistir a esse filme no dia da estreia, numa segunda-feira, no cinema Victória na sessão das 14hs. Gostei tanto que retornei na terça e na quarta. Quando fui na quinta o filme havia sido retirado de cartaz por falta de público. Senti-me frustrado. Tempos depois A Bolha Assassina virou cult.

São centenas de filmes que poderia citar. Tenho uma vasta coleção de DVDs e, anualmente assisto quase todos e sempre surge algo novo e interessante.

Quando fui apresentado ao Marco Antônio, nos anos 80, me disseram que ele apreciava cinema. Fui logo perguntando para ele o que o capitão do navio Poseidon disse quando viu a aproximação de uma gigantesca onda no filme o Destino do Poseidon. O Marco me olhou incrédulo e respondeu corretamente: “Oh, my God!” Naquele instante confirmei que o Marco gostava, entendia e entende de cinema.

TODAY’S GUEST OF CINEMARCO IS ISAAC MENDA.

There are certain films that mark a person’s life. I, for example, have several films that I watched dozens of times. They are films of different genres and, mainly, old ones, that is, from the last century.

I’m not going to list every film because I wouldn’t have enough space on this blog of my friend Marco Antônio.

Ben-Hur is an example. Seen and reviewed dozens of times, waiting for the chariot race scene and hoping that Charlton Heston wins the race.

West Side Story, perhaps the second record-breaking film I’ve ever seen, has captivated me since the first screening. In fact, I lived in the center and, one afternoon, I took a tram to go to the Moinhos de Vento cinema (later Coral), in front of the Parcao. I liked it so much that I returned in the evening session. It was the beginning of a great friendship with the film. I stopped counting how much I watched 50 times. When the fight between the gangs arises, I always hope that the characters don’t die, but it’s no use.

Another champion is GIANT, with Rock Hudson, Elizabeth Taylor and James Dean. This one died shortly afterwards in a car accident and did not even see the premiere of the film.

I have seen and reviewed all Alfred Hitchcock‘s films for dozens of opportunities, including in the silent film phase. My favorites are Rear Window, Rope, To Catch a Thief, Vertigo and the main one, The Man Who Knew Too Much. The Albert Hall scene culminating with the cymbals playing showed the finger of the king of suspense. Also, don’t forget Psycho. Anyone who has the opportunity to see the trailer, I recommend. It is more frightening than the film itself.

Now the champion in my count. The Ten Commandments of Cecil B. de Mille, with Charlton Heston. Fantastic film for the time it was made, mid 50’s. There was no computer graphics and the effects were surprising, such as the opening of the Red Sea. In fact, one night I had insomnia and went to mentally review the movie. It was frame by frame that crossed my mind, including dialogue, some in English. Of course it didn’t take three hours and fifty minutes, which is the length of the film, but I spent two hours reviewing it scene by scene. Now a curiosity that few people are aware of. The voice of God in the film is Charlton Heston himself and the baby placed in the basket on the Nile River is his own son, Fraser Heston.

A curious fact is the 1958 film The Blob. It was an independent production of meager resources and precarious realization, valued for being colorful (most of the equivalent films at the time were in black and white) and for the presence of the future star Steve McQueen. The film inspired the song “The Blob” (recorded by the studio group The Five Blobs), written by Burt Bacharach. The interesting thing is that at that time the sessions were at 2,4,6,8 and 10PM, in the cinema of downtown Porto Alegre. I went to watch this film on the opening day, on a Monday, at the Victoria Movie Theater at the 2:00 pm session. I liked it so much that I returned on Tuesday and Wednesday. When I went on Thursday the film had been removed from the poster due to a lack of audience. I felt frustrated. Later The Blob became cult.

There are hundreds of films I could name. I have a vast collection of DVDs and I watch almost every year and something new and interesting always comes up.

When I was introduced to Marco Antônio, in the 1980s, I was told that he enjoyed cinema. I immediately asked him what the captain of the ship Poseidon said when he saw the approach of a gigantic wave in the film The Poseidon Adventure. Marco looked at me incredulously and answered correctly: “Oh, my God!” At that moment, I confirmed that Marco liked, understood and understands of cinema.

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