VIVER DUAS VEZES: Netflix Mostra Filme Triste, Alegre e Brilhante

Fazer um filme sobre a doença de Alzheimer é sempre um grande desafio. Ter como proposta uma comédia dramática sobre um idoso com Alzheimer é um risco gigante. Pois a premiada diretora catalã Maria Ripoli apanhou um roteiro da aluna da New York Film Academy Maria Minguez e fez o maravilhoso VIVER DUAS VEZES (LIVE TWICE, LOVE ONCE), que está em cartaz no NETFLIX. ë daqueles filmes raros que não se pode deixar de ver.

Sua primeira qualidade inquestionável é o desassombro em lidar com um tema tão difícil e pesado quanto o Alzheimer. A opção pela abordagem mista entre profunda, contundente, crua e, ao mesmo tempo, engraçada, afetuosa e carinhosa foi nada menos que brilhante. Quando o filme pesa muito, uma piada excepcional quebra o clima e nos traz para a realidade do tema sem pieguices ou depressões.

Para isto foi fundamental o excelente trabalho – mais uma vez – do ator argentino Oscar Martínez como o professor universitário de matemática que, doente de Alzheimer, resolve envolver a família numa viagem para encontrar um antigo amor da infância.

Com ele vão a filha (representante comercial de um laboratório (Inma Cuesta), a neta gordinha e com defeito na perna ( extraordinário trabalho de Mafalda Carbonell) especialista em internet e redes sociais e o genro coach especializado em neurolinguística (Nacho Lopez, ótimo). este verdadeiro exército de Brancaleone parte em sua jornada somente com um nome e muitas incertezas.

Captar as qualidades típicas dos road movies é outro acerto na mosca de VIVIR DOS VECES. A metáfora da viagem com o processo de amadurecimento dos personagens raramente não funciona. Aqui, mais uma vez proporciona momentos, diálogos e situações (alegre e tristes) que marcam o filme.

Com trilha sonora inspirada, o filme de Maria Ripoli consegue emocionar, divertir e documentar o drama da velhice e a proximidade da morte, de forma notável. Os diálogos entre o Avô e a neta – enfocando a doença dele e o defeito físico dela – são absolutamente geniais.

E faz tudo isto, sem perder em um só momento a delicadeza, sensibilidade e afeto que somente os grandes cineastas têm. Maria Ripoli fez um filmaço. Simples assim.

Making a film about Alzheimer’s disease is always a big challenge. To propose a dramatic comedy about an elderly person with Alzheimer’s is a huge risk. The award-winning Catalan director Maria Ripoli took a script from New York Film Academy student Maria Minguez and made the wonderful LIVE TWICE, LOVE ONCE, which is on NETFLIX. It is one of those rare films that you cannot miss.

Its first unquestionable quality is the dismay in dealing with a topic as difficult and heavy as Alzheimer’s. The option for a mixed approach between deep, blunt, raw and, at the same time, funny, affectionate and touching was nothing short of brilliant. When the film weighs a lot, an exceptional joke breaks the mood and brings us to the reality of the theme without fuss or depression.

For this, was fundamental the excellent work – once again – of the Argentine actor Oscar Martínez as the university professor of mathematics, who, sick with Alzheimer’s disease, decides to involve his family in a trip to find an old childhood love .

With him go the daughter (commercial representative of a laboratory Inma Cuesta), the chubby granddaughter with a defect in her leg (extraordinary work by Mafalda Carbonell) specialist in internet and social networks and the son-in-law coach specialized in neurolinguistics (Nacho Lopez) this great Brancaleone army sets out on its journey with only one name and many uncertainties.

Capturing the typical qualities of road movies is another hit on the fly by VIVIR DOS VECES. The journey metaphor with the characters’ maturation process rarely not works. Here, once again it provides moments, dialogues and situations (happy and sad) that mark the film.

With an inspired soundtrack, Maria Ripoli‘s film manages to move, amuse and document the drama of old age and the proximity of death, in a remarkable way. The dialogues between Grandfather and granddaughter – focusing on his illness and her physical defect – are absolutely brilliant.

And it does all this, without losing in a single moment the delicacy, sensitivity and affection that only great filmmakers have. Maria Ripoli shot a wonderful film. Simple as that.

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