AGNUS DEI: Poderoso Drama Francês Foca Conflito Entre Religiosidade e Ciência

Acho a cineasta e roteirista Anne Fontaine poderosa. Ela nasceu em 15 de julho de 1959, em Luxembourg com o nome de Anne Sibertin-Blanc. Em sua filmografia há vários títulos interessantes, sejam em filmes que ela dirigiu (COCO ANTES DE CHANEL), seja nos roteiros que escreveu (A GAROTA DE MÔNACO).

Mas sua obra prima, por enquanto é o filme AGNUS DEI (THE INNOCENTS), que realizou em 2016, sobre um episódio real do final da Segunda Guerra Mundial. Uma médica francesa que trabalha para a Cruz Vermelha está na Polônia atendendo soldados franceses, quando é procurada por uma freira beneditina polonesa. Ela faz um apelo para que a doutora a acompanhe até um convento. Lá chegando, a médica se depara com diversas freiras grávidas e algumas doentes, estupradas que foram por soldados russos e alemães durante a Guerra.

O choque de ver aquele quadro desolador dá lugar ao empenho em ajudar às religiosas, devastadas pelo ocorrido, culpadas pelo fato de terem sido tocadas em violação aos votos de castidade a que se comprometeram. Prontamente se estabelece um conflito entre a médica – que considera apenas a realidade dos tratamentos médicos que se impõem – com a Madre Superiora, uma mulher obstinada e torturada com a culpa pelos fatos.

A emotividade do filme é impressionante. Em primeiro lugar, o roteiro com ideia original de Phillipe Maynial, escrito por Sabrina B. Karine e Alice Vial e adaptado para as telas pela diretora Fontaine e Pascal Bonitzer é magistral no exame da insólita ocorrência do final da Guerra. Os conflitos entre religiosidade, fanatismo e ciência vêm à tona de forma violenta e chocante.

A atriz Lou de Lâage faz um trabalho extraordinário como a médica Mathilde Beaulieu, um personagem maravilhoso, em seu humanismo, dedicação invulgar à medicina e coragem de enfrentar os desafios que se apresentam. As freiras são Agata Kulesza, Agata Buzek, Joana Kulig, Elisa Rycembel com Vincent Macaigne como um médico judeu que auxilia a Dra. Mathilde.

Fiquei muito tocado com o filme de Fontaine. Achei o cinema dela poderoso e tocante. O uso extraordinário da fotografia em interiores e exteriores (principalmente nas cenas com neve) são deslumbrantes. A cineasta ainda faz imagens de uma poesia, afeto e amor impressionantes em meio à tragédia.

Mas o exame do conflito entre religiosidade e ciência é o ponto alto do filme. Um assunto tão universal que, hoje em 2020, como em 1945 quando o filme se passa, não pode ser mais universal e atual.

AGNUS DEI é um grande filme. O filme está no NOW, Apple TV+ e Amazon Prime Video.

I think filmmaker and screenwriter Anne Fontaine is powerful. She was born on July 15, 1959, in Luxembourg under the name Anne Sibertin-Blanc. In her filmography there are several interesting titles, either in films she directed (COCO BEFORE CHANEL) or in the scripts she wrote (THE GIRL FROM MONACO).

But his masterpiece for now is the film THE INNOCENTS, which he made in 2016, about a real episode of the end of World War II. A French doctor who works for the Red Cross is in Poland attending French soldiers is approached by a Polish Benedictine nun. She makes an appeal for the doctor to accompany her to a convent. Once there, the doctor comes across several pregnant nuns and some sick women, raped by Russian and German soldiers during the war.

The shock of seeing that bleak picture gives way to the effort to help the religious, devastated by what happened, to blame for the fact that they were touched in violation of the vows of chastity to which they undertook. A conflict was promptly established between the doctor – who considers only the reality of the medical treatments that are required – with Mother Superior, a woman who was obstinate and tortured with guilt for the facts.

The emotionality of the film is impressive. First, the script with original idea by Phillipe Maynial, written by Sabrina B. Karine and Alice Vial and adapted for the screens by director Fontaine and Pascal Bonitzer, is masterful in examining the unusual occurrence of the end of the War. The conflicts between religiosity, fanaticism and science come to the fore in a violent and shocking way.

The actress Lou de Lâage does an extraordinary job as the doctor Mathilde Beaulieu, a wonderful character, in her humanism, unusual dedication to medicine and courage to face the challenges that arise. The nuns are Agata Kulesza, Agata Buzek, Joana Kulig, Elisa Rycembel with Vincent Macaigne as a Jewish doctor who assists Dr. Mathilde.

I was very touched by Fontaine’s film. I found her cinema powerful and touching. The extraordinary use of photography both indoors and outdoors (especially in snowy scenes) is stunning. The female filmmaker also did lyric and sensible scenes in a very touching way.

But examining the conflict between religiosity and science is the highlight of the film. A subject so universal that, today in 2020, as in 1945 when the film is set, it cannot be more universal and current.

AGNUS DEI is a great film.

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